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Carta do Editor

18.04.2011 - 10:01

Árvore que chora (Vicki Baum)

Editorial publicado na 31ª edição (Abr/Mai 2011) da revista ProCampo
Por Antonio de Pádua Motta
Editor revista ProCampo
apmotta@revistaprocampo.com.br

Nesta edição, quero dedicar esse espaço à seringueira, a Hevea brasiliensis, árvore natural do sudeste da Bacia Amazônica brasileira, onde se encontra de forma bastante dispersa na floresta.

A exploração dos seringais nativos da região Amazônica na segunda metade do século XIX, proporcionou e sustentou um dos mais importantes ciclos de desenvolvimento do Brasil, o Ciclo da Borracha.

Seringueira foi o nome vulgar dado a esta planta produtora de látex do qual se extrai a borracha natural e, que um fungo (Microcyclus ulei), o “mal-das-folhas”, não dominável, impossibilitou o seu cultivo racional (econômico) – apontado, na época, como o principal motivo da não expansão da cultura no País.

A transferência das sementes de seringueira para fora da Amazônia se deu em 1876, levada pelo inglês Henry Wickham para o Jardim Botânico Real, no subúrbio londrino de Kew, e posteriormente, para o Sri Lanka, antigo Ceilão. Portanto, foram os ingleses que levaram as sementes para suas colônias na Ásia.

Sob condições climáticas similares no Sudeste Asiático e sem a presença dessa enfermidade, a cultura expandiu-se ao ponto de hoje a região responder por mais de 80% da produção mundial. Entre os principais produtores destacam-se a Tailândia, a Indonésia e a Malásia. O Brasil, habitat da H. brasiliensis, que até a década de 1950 era o maior produtor-fornecedor mundial, no ano passado importou 260,8 mil toneladas gastando US$ 790,4 milhões, de acordo com informações da Associação Paulista de Produtores e Beneficiadores de Borracha (Apabor). Esta situação preocupa, haja vista a importância dessa matéria-prima, essencial para a manufatura de uma ampla gama de produtos, destacando-se pneus e outras peças de borracha para automóveis, luvas cirúrgicas e preservativos.

Ao analisar o mercado brasileiro, observa-se que o consumo e a produção se distanciam a cada ano, aumentando assim a necessidade de importação, com projeções indicando um déficit da ordem de 400 mil toneladas em 2020.

Com o deslocamento dos plantios para áreas não tradicionais (“áreas de escape”) e o advento do processo de propagação, dando origem ao clone – feito por enxertia – a heveicultura tomou novo rumo, criando estabilidade vegetativa e produtiva.

No final dos anos 1970, o Espírito Santo atraiu a atenção da Superintendência da Borracha – Sudhevea, órgão vinculado ao Ministério da Indústria e Comércio ao qual cabia a execução de toda a política para o setor, a partir de um seringal plantado no município de Viana, à época livre do Microcyclus, e apresentando uma excelente produtividade, a fazenda “Tira-Teima”, de João Mauricio Rutowistch Rodrigues. 

Assim, o Estado foi aprovado para a inclusão no Programa de Incentivo à Produção de Borracha Natural – PROBOR II.  Instalou-se jardins clonais – com os clones (mudas clonadas) vindos, na sua maioria, da Bahia –, viveiros e ofereceram-se mudas, embora não houvesse base técnica para recomendação dos clones. Foi um erro compreensível, pois se fossem esperados resultados de experimentação (competição de clones), a instalação dos seringais de cultivo demoraria ainda mais!

A maior expansão do plantio ocorreu na região sul do Estado, em pequenas propriedades. O norte, ao contrário, recebeu os grandes projetos.

Hoje, segundo a Secretaria de Agricultura, Abastecimento, Aquicultura e Pesca – Seag, o Espírito Santo é o quarto maior produtor brasileiro, com uma área cultivada de 12 mil hectares e produção anual estimada em 9,8 mil toneladas de látex coagulado.

O Espírito Santo tem grandes possibilidades de expansão da produção, em função da incorporação de novas áreas (áreas de pastagens degradadas) e manejo mais adequado nos cultivos. Some-se a isso o fato de que na formação de seringais recomenda-se o uso da consorciação com culturas anuais, semi-perenes e perenes para reduzir os custos de implantação.

No Estado a comercialização do cernambi (coágulo) é realizada, na sua maioria, pelas cooperativas Heveacoop e Coopbores diretamente com a Empresa Plantações Michelin Ltda, situada no município de Sooretama.


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