Revista ProCampo - Uma Leitura Produtiva

 

 
de 2017.   51ª Edição (Agosto/Setembro)  
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Entrevistas

 

02.10.2012 - 09:30

Escoamento difícil

Para responder às questões relativas a cafeicultura capixaba, de sua conjuntura econô-mica, seus entraves e desafios, ninguém melhor que o presidente do Centro do Comércio de Café de Vitória - CCCV, Luiz Antonio Polese. A conclusão da obra de drenagem e derrocagem do canal da baía de Vitória, para melhorar a competitividade do setor está latente nas palavras do presidente.
Polese, de 59 anos, informa que teremos uma queda em torno de 15% na exportação total de café em relação ao volume do ano passado.
Para ele, os preços atuais da saca de conilon estão compatíveis com os principais fundamentos do negócio: produção, consumo e estoque. Leia.

ProCampo - O que é o Centro de Comércio de Café de Vitória - CCCV e qual é a sua importância para a cafeicultura capixaba?
Luiz Antonio Polese - Somos uma associação de classe com 65 anos e que evoluiu, desde um sindicato profissional em 1947, quando antes as associações representativas do setor café tinham existência muito efêmera, para uma instituição de utilidade pública e declarada órgão consultivo do Governo do Estado do Espírito Santo em assuntos cafeeiros. Temos 51 empresas em nosso rol de associados, a maioria exportadores de café, mas também congregamos indústrias, corretores de café, cooperativas e armazéns gerais. Entre os exportadores, nossos associados respondem por mais de 20% das exportações de café do Brasil, isso sem contar que somos os principais fornecedores da indústria quando falamos em consumo interno. Por outorga, o CCCV presta também serviço público federal na qualidade de agência certificadora de origem das exportações de café, no âmbito do Acordo Internacional do Café regido pela OIC. Além de todo esse trabalho, é de vital importância o papel que o setor comercial-exportador exerce para a cafeicultura capixaba ao escoar a segunda maior produção de café do Brasil, internamente e para os principais mercados consumidores no exterior.

ProCampo - O Espírito Santo fechou 2011 com o segundo recorde em volume e o maior valor de café exportado. Quais são as suas perspectivas para 2012?
Luiz Antonio Polese - No primeiro semestre desse ano as exportações caíram cerca de 25% em relação ao mesmo período de 2011. O segundo semestre será melhor que o primeiro, porém teremos uma queda em torno de 15% na exportação total em relação volume do ano passado.

ProCampo - Quais são os principais destinos do café produzido no Espírito Santo?
Luiz Antonio Polese - Em 2011 exportamos café para 61 países. Os Estados Unidos importaram 23% do volume total, mantendo sua posição de principal destino. Só para se ter uma ideia, a Alemanha, que ocupa o segundo lugar, importou 7% do volume total. Não obstante essa diferença, esses dois países mais Argentina, Síria, Eslovênia, Líbano, Turquia, México, Bélgica e Grécia figuram entre os
principais destinos.
 
ProCampo - Quais os principais problemas identificados na exportação pelos portos no Estado?
Luiz Antonio Polese - Não podemos falar “portos”, já que apesar de termos um complexo portuário eficiente, esse se divide entre terminais dedicados a empresas e cargas específicas, restando, para o embarque de contêineres – que é o caso do café - o serviço de apenas um terminal. Começam aí as dificuldades, o exportador de café, na qualidade de usuário do porto, não pode contar com o benefício da concorrência nesse serviço. Apesar disso, essa não é a principal dificuldade e ela não é só do exportador de café. Não temos grande oferta de serviços por parte das companhias de navegação. Atualmente, temos praticamente apenas um armador com linha direta entre Vitória e Estados Unidos e nenhuma linha direta entre Vitória e Europa, mesmo assim, esse serviço é oferecido também, praticamente, pelo mesmo armador. O café com destino a Europa, por exemplo, é embarcado aqui e transferido para outro navio no Estado do Rio de Janeiro. Isso porque o canal da baía de Vitória atingiu seu limite de profundidade e de capacidade de girar navios de grande porte e, como as companhias de navegação operam com grandes navios, resta para Vitória os navios pequenos tipo “feeder´s”, que servem aos portos
centralizadores de carga. O que nos frustra, é a constatação de termos a carga, a expertise no negócio exportação e termos o porto, mas vê-lo em descompasso com a evolução da navegação marítima.
 
ProCampo - Quais iniciativas do governo podem melhorar a infraestrutura portuária e de que forma essas deficiências logísticas vêm impactando o setor?
Luiz Antonio Polese -  No curto prazo é a conclusão da obra de dragagem e
derrocagem do canal da baía de Vitória que permitirá a navegação de navios em plena carga. Com o calado atual, de 10,7 metros, os navios precisam entrar vazios e em algumas das vezes sair sem levar toda a carga, dependendo ainda das oscilações da maré. Os portos do Rio de Janeiro e de Itaguaí, nossos francos concorrentes, têm respectivamente calados de 14 e 23 metros.
Já no longo prazo, o Estado precisa de um porto de águas profundas, sem limitações de área de manobra e profundidade e que possibilite também sua operação noturna.
Temos atrás de nós, Espírito Santo, toda a produção da zona da mata mineira, que precisa de um porto, e Vitória ainda é a via natural para escoar essa produção. Não podemos deixar que essa carga,
tampouco o conilon produzido aqui dentro chegue ao ponto de ser embarcado em portos como Rio de Janeiro e Santos.

ProCampo - Os fundamentos do mercado de conilon sinalizam preços em alta, entretanto, os preços não param de cair. Qual a razão?
Luiz Antonio Polese -  Os preços de conilon nos últimos anos têm mantido viés de alta. Os preços praticados no decorrer do ano de 2012 têm sido superiores aos praticados em 2011. Portanto, no nosso entendimento  os preços estão
compatíveis com os principais fundamentos do negócio café: produção, consumo e estoque.

Entrevista publicada na 39ª edição (Ago/Set 2012) da revista ProCampo


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