Revista ProCampo - Uma Leitura Produtiva

 

 
de 2017.   51ª Edição (Agosto/Setembro)  
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Entrevistas

 

13.05.2013 - 14:10

Quebrando paradígmas

As limitações não foram poucas quando a família Marim decidiu investir em abate de frango no norte do Estado. Os desafios, entretanto, não intimidaram a família, que acreditou e provou que é viável, sim, a avicultura de corte em Linhares (ES).
O administrador de empresas e diretor superintendente da Proteinorte Alimentos S/A, Elder Elias Giordano Marim, conta nesta entrevista à ProCampo, a situação atual da produção, as metas e os entraves enfrentados.
Para o executivo, a “guerra fiscal” com outros Estados da Federação é uma das dificuldades enfrentadas pelo negócio. Leia.


ProCampo - Quando a Proteinorte começou a criar frango de corte no norte do Espírito Santo na década de 70, os senhores foram precursores. Quais foram as maiores dificuldades enfrentadas?
Elder Elias Giordano Marim - Em 1976 a Proteinorte Alimentos, que na época era denominada Avenorte, pertencia a um grupo de empresários linharenses e ganhou destaque no mercado por ser a primeira indústria de abate de frango no Norte do Estado, onde naquele ano, contou com o apoio e incentivo do Bandes (Banco de Desenvolvimento do Estado do Espírito Santo).  A então Avenorte deu início às atividades com capacidade de abate de 500 frangos por hora, contava com sete aviários e espaço para alojar 18 mil aves em períodos de 75 dias. Em 1979, a indústria foi adquirida pela Família Marim, onde nos empenhamos em conhecer e desenvolver a atividade de forma sustentável.
Naquela época, realmente não havia a cultura de se criar frango no norte do Espírito Santo. Por conta disso, nossa maior dificuldade era não ter com quem buscar consultoria sobre as melhores maneiras de se criar frango. Quando buscávamos informações, diziam que o município de Linhares não era lugar para criar frango e argumentavam coisas como, por exemplo, que o lugar tinha clima muito quente. Só que já estávamos inseridos neste negócio com compromissos financeiros e altos investimentos. Precisávamos crescer. Levamos 10 anos nesta situação até nos estabelecermos. Para superar esta etapa confusa e difícil, foi preciso muita determinação e dedicação. Nós estávamos fortes na obrigação de vencer os obstáculos. Provamos que é possível e muito viável, sim, a cultura do frango no Estado. A atividade vem evoluindo e empresas que tinham o tabu que o frango deveria ser criado em regiões frias como Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul, já estão operando em outras regiões como a do Mato Grosso, Goiás e Bahia onde o clima era considerado atípico para se criar o frango.

ProCampo - Qual é a situação atual da produção, e para os próximos anos, quais as principais metas para médio e longo prazo da empresa?
Elder Elias Giordano Marim - Atualmente, a Proteinorte Alimentos, detentora das marcas Xiken e Kifrango, possui uma das estruturas mais modernas do Brasil, tendo capacidade para processar 150 mil aves/ dia (em dois turnos), com setores específicos para produção, processamento e comercialização.
Após levantamento das necessidades de investimento necessárias para aumentar e diversificar nosso mix de produção, a direção da Proteinorte Alimentos foi em busca de novas parcerias, visitando empresas do ramo de industrializados dos estados do Espírito Santo, Paraná e São Paulo onde foi verificada a possibilidade de fazer uma parceria com a empresa Peccin Agroindustrial, de Curitiba (PR). Assim, a Proteinorte Alimentos fornece a matéria prima e embalagens e a empresa contratada faz o processo de industrialização dos produtos com a marca Xiken, linguiça toscana, calabresas, mortadelas e salsichas; os demais produtos da marca Xiken são produzidos na planta industrial de Linhares (ES).
A parceria entre a Proteinorte e a Peccin iniciou-se em Junho de 2012, onde tivemos a oportunidade de lançar a Salsicha Resfriada Xiken na maior feira mercadista do estado do Espírito Santo, a ACAPS. Esse foi o marco inicial da diversificação dos produtos industrializados da Proteinorte Alimentos, com excelente qualidade e aceitação dos consumidores.
A projeção para 2013 é aumentar a produção de industrializados da marca Xiken e fazer novos investimentos na planta industrial da Proteinorte Alimentos para aumentar a produção de Linguiça de Carne de Frango Xiken e desenvolver outros produtos para maior comodidade do consumidor.
Para aumentarmos nosso mix de produção, desde o ano de 2012 a empresa está fomentando o Projeto de Integração Avícola na região de Marechal Floriano e Domingos Martins. Em anos anteriores tentamos implantar o projeto em Linhares e Municípios vizinhos, mas creio que por causa do produtor daqui desconhecer a atividade, não conseguimos êxito. Então fomos para a região Serrana do Estado, onde arrendamos uma fábrica de ração em Marechal Floriano e atualmente estamos produzindo na região através de parcerias com os produtores locais o total de aproximadamente 500 mil aves. Para este ano, daremos continuidade ao projeto de parcerias e pretendemos estender este programa para a região de Linhares. Buscamos junto aos órgãos governamentais, principalmente o Bandes, os incentivos e apoio necessários para que os produtores consigam fomentar a integração no Estado.

ProCampo - Quais são os maiores desafios e dificuldades enfrentadas pelo setor no Estado?
Elder Elias Giordano Marim - Apesar de o Espírito Santo possuir condições muito favoráveis para o desenvolvimento da avicultura, tais como: clima favorável com baixa amplitude de variação térmica, localização geográfica e logística propícias, interação com demais atividades agrícolas com o fornecimento de adubo orgânico, estrutura agrária de pequenas e médias propriedades, facilidade para implementação da integração agrícola, proximidade com grandes centros e regiões consumidoras, entre outros, temos também algumas dificuldades e desafios a serem enfrentados: Guerra fiscal com outros estados da Federação; Falta de incentivo a cultura avícola no estado; pouco investimento em Infra-estrutura; Linha de crédito específica para integração; Legislações municipais que favorecem as criações de subsistência; Falta de integração entre os setores Agrícola e o Governo; Investimentos elevados.

ProCampo - Na sua opinião, o que é preciso, prioritariamente, para se manter forte na atividade?
Elder Elias Giordano Marim - Dedicação em conhecer a atividade como um todo, preocupando-se desde a criação até a comercialização. Estar sempre buscando informações e novas tecnologias em feiras e eventos nacionais e internacionais do setor. É muito importante, não só na atividade avícola, mas em qualquer área, ter respeito aos fornecedores, clientes e consumidores, produzindo produtos com qualidade seguindo a legislação, as boas práticas de fabricação e as regras de bem estar animal. Fomentar a atividade com sustentabilidade e responsabilidade social.

ProCampo - Como trabalhar o desenvolvimento do setor avícola com respeito ao meio ambiente e sem complicações com a legislação, entidades ambientais etc?
Elder Elias Giordano Marim - As ações de controle ambiental da Proteinorte vão desde o tratamento de água, tanto nas granjas quanto na indústria, aproveitamento e descarte de resíduos conforme orientação de órgãos ambientais: todo o processo visa crescimento com sustentabilidade e faz parte do programa de responsabilidade socioambiental da empresa.
Na Estação de Tratamento de Efluentes Industriais (ETEI), toda água utilizada no processo industrial é tratada. Durante o processo, a água é separada dos sólidos através de peneiras e passa por um processo de tratamento. Antes de ser devolvida ao meio ambiente, a água tratada na ETEI recebe análise mensal de acordo com as normas ambientais.
Na Central de Resíduos, todo material (com exceção do orgânico) gerado pela Proteinorte fica temporariamente armazenado em baias. Os resíduos são selecionados por classes e os passíveis de reciclagem são encaminhados para empresas do segmento licenciadas. Tudo que não é reciclado vai para aterros sanitários ou industriais, licenciados pelo Instituto Estadual de Meio Ambiente - Iema.
Já os resíduos gerados no processo industrial (sangue, penas e vísceras) são destinados ao Setor de Subprodutos. No local, o material é cozido até se transformar em farinha que hoje é utilizada pelos fabricantes de ração para animais de pequeno porte (cães e gatos).
O vapor que alimenta as máquinas térmicas da indústria de alimentos também é gerado na Proteinorte com foco na sustentabilidade. A caldeira é movida por lenha de eucalipto, proveniente de reflorestamento.
Além de termos toda essa preocupação com a área industrial, damos atenção especial também a área rural onde ficam localizadas as granjas. Para se ter uma ideia, todas as nossas propriedades têm estações de tratamento de água, cada uma de acordo com sua necessidade de produção, tanto para os nossos colaboradores da propriedade, quanto para a criação. Além disso, atividade está intimamente ligada à produção agrícola, pois a cama de frango que é retirada dos galpões vira adubo orgânico de excelente padronização e qualidade, utilizado nas áreas de plantio de verduras, legumes, frutas (banana, mamão, maracujá, coco e goiaba), café
entre outros.

Entrevista publicada na 43ª edição (Abr/Mai 2013) da revista ProCampo.
É proibida a reprodução total ou parcial sem autorização expressa dos editores ou do entrevistado.


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