Revista ProCampo - Uma Leitura Produtiva

 

 
de 2017.   51ª Edição (Agosto/Setembro)  
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Entrevistas

 

04.09.2013 - 09:53

Exemplo

A Cooperativa Agrária dos Cafeicultores de São Gabriel da Palha - Cooabriel, foi criada em 1963 pelo padre Simão Civalero e 37 cafeicultores para organizar os agricultores diante dos desafios do mercado. "Um elemento marcante da história da Cooabriel, foi a chegada do café conilon em São Gabriel da Palha, no início da década de setenta, pelas mãos de duas lideranças políticas do município na época: Dário Martinelli e Eduardo Glazar com apoio da RealCafé Solúvel, de Jônice Tristão, que comprometeu-se em absorver o café conilon produzido, como materia-prima para a indústria de café solúvel que estava inaugurando", lembra o presidente, Antonio Joaquim de Souza Neto.
Com a experiência cooperativista de 37 anos à frente de gestão de cooperativa, Toninho é também cafeicultor e pecuarista.
"A Cooabriel é uma das maiores recolhedoras de impostos para o Espírito Santo", comemora o presidente. Leia.


ProCampo - Como iniciou a história, qual é a atuação (como está estruturada) e o que a Cooabriel representa hoje para o agrocapixaba?
Antonio Joaquim de Souza Neto - As primeiras manifestações cooperativistas chegaram à cidade de São Gabriel da Palha, noroeste do Espírito Santo (cidade sede da Cooabriel),no início da década de 60, quando o município ainda era distrito do município de Colatina, por iniciativa do Pároco da época, Padre Simão Civalero, o qual além de atender preceitos da doutrina social da igreja, teve um empenho pessoal na busca de soluções para as dificuldades dos agricultores regionais.
Nessa mesma época, São Gabriel, tinha como base da economia, o café da variedade arábica (bourbon) e eram precárias as condições para os produtores venderem o produto. Contavam com poucas informações do mercado, por quase não existirem meios de comunicação que pudessem noticiar o preço do café, o que os obrigavam a vender o produto pelo preço estipulado pelos compradores, que na maioria das vezes, o valor pago não cobria a despesa da colheita.
Para amenizar estas e outras dificuldades, Padre Simão, se empenhou em difundir a ideia de união dos cafeicultores e motivar a formação de uma cooperativa Em encontros formais ou nos bate-papos no final das missas do interior, ele reunia os produtores para falar do pensamento cooperativista e discutir a viabilidade de criação de uma cooperativa agrícola, especialmente, de cafeicultores.
Houve a necessidade de buscarem conhecimento sobre o assunto, por isto, o padre e os cafeicultores senhores, Vicente Colombi e Loclarindo Lorenzoni, participaram por volta de 1962, durante 08 dias, de um curso, que aconteceu na Escola Agrotécnica de Rive, município de Alegre-ES, com representantes de todas as regiões do Estado, onde aprenderam os passos para a fundação da entidade.
Os cafeicultores foram se unindo e com a orientação do Padre se prepararam, estudaram o Estatuto Social e verificaram os caminhos legais para a criação da Cooperativa.
Assim, quatro meses após a emancipação de São Gabriel da Palha, mais precisamente, em 13 de setembro de 1963, era realizada, no cine “Estrela” a Assembleia Geral de Constituição, da qual um grupo formado pelo padre e por 37 cafeicultores fazia nascer a Cooperativa Agrária dos Cafeicultores de São Gabriel.
O primeiro presidente eleito foi também Padre Simão, o qual naquela primeira assembleia pronunciou uma frase que viria marcar o futuro da cooperativa e está registrada na primeira ata: “O presidente eleito, declarou definitivamente constituída e organizada desta data para o futuro, a Cooperativa Agrária dos Cafeicultores de São Gabriel... com o objetivo econômico de beneficiar, rebeneficiar, padronizar, vender e exportar a produção de seus associados e promover a defesa de seus interesses econômicos e profissionais e do seu bem estar social,” ...
Assim, nasceu a Cooabriel que iniciou suas atividades montando um setor de consumo (mercearia/supermercado) para atender seus associados. Depois é que passou a prestar serviços de comercialização, beneficiamento do café. 
Passou por grandes desafios, especialmente, no impacto da erradicação geral do café no final da década de 60, mas superou, graças ao idealismo, trabalho e espírito de luta de seus dirigentes e produtores.
Um elemento marcante da história da Cooabriel, foi a chegada do café conilon em São Gabriel da Palha, no início da década de setenta, pelas mãos de duas lideranças políticas do município na época: Dário Martinelli e Eduardo Glazar com apoio da RealCafé Solúvel, de Jônice Tristão, que comprometeu-se em absorver o café conilon produzido, como materia-prima para a indústria de café solúvel que estava inaugurando. 
Foi a oportunidade que a Cooabriel abraçou, como causa, junto a seus cafeicultores, dando suporte ao nascimento da história de cultivo do café conilon no Espírito Santo e participando de sua expansão, especialmente, nas regiões norte e noroeste capixaba e no sul da Bahia, regiões de ação. Portanto, a cooperativa conta com 06 filiais no Espírito Santo e 02 filiais na Bahia, atendendo 44 municípios nesses dois estados.
A cooperativa passou a ser a grande representante do café conilon. Para isso evoluiu constantemente, se tornando uma grande prestadora de serviços voltados à cafeicultura e suporte da atividade dos cooperados, bem como, promoveu o desenvolvimento do café conilon. Disponibiliza estruturas de armazenagem, comercialização, planos de financiamentos de fertilizantes e defensivos. Ainda, programas de assistência técnica, lojas de insumos (Cooabricampo)  com 04 lojas e prestes a inaugurar outra. Tem um conceituado laboratório de Análises químicas de Solos e Plantas e um dos mais importantes setores de produção (jardim clonal e viveiro) de mudas clonais de café conilon, além de outros empreendimentos.

ProCampo - Na sua avaliação, quais são os principais desafios para os produtores de conilon?
Antonio Joaquim de Souza Neto - A mão de obra é um gargalo do setor produtivo, especialmente, durante o período da colheita. Apesar da busca de alternativas com colheitadeiras mecânicas para as lavouras de café conilon do Estado do Espírito Santo, esta tecnologia ainda está em avaliação, mas será importante para proporcionar economia com considerável diminuição do custo da mão de obra que é um item elevado no custo de produção.
Há conilon de excelente qualidade no mercado, mas vemos ainda um desafio, primeiro por produtores que não se conscientizam da importância da qualidade como fator de manutenção do produto no mercado e pelo próprio mercado que ainda não remunera a contento.
Consideramos a água como outro relevante fator.


ProCampo - Este ano os produtores estão bastante preocupados com o impacto do aumento dos custos dos insumos, principalmente, fertilizantes e herbicidas. Quais são os reflexos desse quadro na próxima safra de conilon?
Antonio Joaquim de Souza Neto - Com as baixas dos preços do café o aumento nos preços dos insumos, a tendência é do produtor diminuir os tratos culturais e com isto, haverá queda na produção para os próximos anos. Não é o que aconselhamos, pois o correto é o produtor procurar investir mais em tratos para aumentar a produtividade e com isto, diminuir custo para assim, ser competitivo no mercado.

ProCampo - As cooperativas de certa forma complementam (ou mesmo substituem) as empresas públicas de assistência técnica e extensão rural na capacitação dos produtores. O que a Cooabriel realiza para qualificar seus associados?
Antonio Joaquim de Souza Neto - A Cooabriel tem um corpo técnico formado por 5 engenheiros agrônomos e 9 técnicos agrícolas (efetivos) e 02 engenheiros agrônomos (consultores) que atuam no desenvolvimento de três programas de assistência técnica junto a seus sócios em todas as unidades da cooperativa (consultoria técnica agronômica, Programa Conilon Eficiente e atendimentos convencionais) que juntos atendem 1.846 sócios em 12.615 ha. Esses programas visam o desenvolvimento técnico, com difusão de tecnologia que potencializa o uso dos insumos agrícolas, mão-de-obra e recursos naturais, promovendo sustentabilidade da cafeicultura.
Consultoria técnica agronômica (em parceria a OCB-ES/SESCOOP-ES) - com de 721 sócios assistidos e um total de 5.241 há. Consiste em visitas pré programadas ao sócios com intervalos de 45 dias onde são monitoradas todas as atividades programadas e os resultados obtidos.
Programa Conilon Eficiente ( em parceria Sebrae-ES e OCB-ES/SESCOOP-ES ) - com 80 sócios e 1571 há , que além do atendimento das visitas iguais a consultoria é prestado o serviço de gerenciamento de custo. 
Atendimentos convencionais  - com 1045 sócios assistidos e um total de 5.803 há e consiste no atendimento nos escritórios (departamento técnico na unidades) e visitas esporádicas na propriedade.
Com este modelo de suporte técnico, e ainda, os eventos de difusão de tecnologia (dias de campo, intercâmbios, oficinas, reuniões técnicas) vamos promovendo a capacidade do produtor e o crescente aumento da sua eficiência produtiva.

ProCampo - Quais são os benefícios que a Cooabriel oferece aos seus cooperados?
Antonio Joaquim de Souza Neto - Além de armazenagem e comercialização, agregou muitos outros benefícios na prestação de serviços para atender os sócios, que hoje somam mais de 4.000.
São eles: laboratório de análise, unidade própria de produção de mudas de café com jardim clonal (30.000 matrizes com o mais alto padrão genético, provenientes de pesquisa do Incaper - Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural), além de assessoria técnica com os programas - consultoria técnica e  gerenciamento e tecnologia (Cooabriel Conilon Eficiente), e atendimento convencional aos sócios.
Oferece serviço de armazenagem, com estruturas localizadas na região noroeste do estado do Espírito Santo e no sul da Bahia dotadas de armazéns, balança automática de precisão, descarga rápida, máquinas modernas e de alta qualidade, classificação padronizada do café e seguro. O café é transportado da propriedade para os armazéns com frete pago pela Cooabriel e permanece armazenado por tempo indeterminado, com sacaria emprestada para depositar o café pilado, sem quebra de peso.
No serviço de comercialização o sócio tem a vantagem de comercializar a quantidade de acordo com sua necessidade e conta ainda com financiamento  de adubos, calcários, defensivos, implementos,  mudas clonais de café conilon e custeio em “equivalência café” para pagamento na safra seguinte.
A Cooabriel ainda tem lojas de insumos para apoiar a produção agrícola, sendo distribuidoras diretas de produtos avaliados em custo/benefício para melhor atendimento aos sócios, como também, às regiões de abrangência.
Tem um escritório de advocacia preventiva que auxilia os associados na elaboração de contratos agrários, informações jurídico-previdenciárias fiscais, justiça fiscal e outras informações de interesse dos produtores rurais.
Como instrumento de incentivo à melhoria da qualidade do café produzido na região, a Cooabriel realiza desde o ano de 2003 o “Concurso Conilon de Excelência Cooabriel”, em que os lotes participantes são avaliados em classificação, aspecto e bebida.
Também é parceira do Programa Jovemcoop - Jovens Cooperativistas (OCB-ES/SESCOOP-ES, Sicoob,  Veneza e COOPESG) e trabalha com um Núcleo Feminino - (sócias, esposas e netas de sócios).  Recentemente, iniciou o processo de implantação do programa de Organização do Quadro Social-OQS.
Estrutura de trabalho: A Cooperativa tem as decisões de ação vindas de um Conselho de Administração formada por 09 membros do qual tem a Diretoria Executiva (presidente, vice presidente e secretário) assessorada por uma equipe de mais de 200 colaboradores fixos e um grandioso número de colaboradores temporários nos períodos de safras, além de assessorias terceirizadas em áreas estratégicas.

ProCampo - Qual é a abrangência de consumo do café conilon no mercado nacional e internacional?
Antonio Joaquim de Souza Neto - O mundo consome 142 milhões de sacas de café (arábica e conilon) e o conilon responde em torno de 40% desse consumo mundial, e poderá crescer sua participação com o aumento do consumo de café solúvel (que tem conilon como a matéria-prima).
A indústria brasileira utiliza cerca de 45% de conilon no blend com o café arábica, ou ainda um percentual acima disto, com o consumo do café torrado e moído e na forma de café solúvel.
De acordo com o relatório da ABIC - Associação Brasileira da Indústria de Café, em 2012 foram industrializadas 20,33 milhões de sacas no país, no período compreendido entre Novembro/2011 e Outubro/2012, com um acréscimo de 3,09% em relação ao período anterior, sendo o consumo per capita de 4,98 kg de café torrado, quase 83 litros para cada brasileiro por ano. Os brasileiros estão consumindo mais xícaras de café por dia e diversificando as formas da bebida durante o dia, adicionando ao café filtrado consumido nos lares, também os cafés expressos, cappuccinos e outras combinações com leite.

ProCampo - O que seria da cafeicultura de conilon sem a Cooabriel?
Antonio Joaquim de Souza Neto - Muito se perderia, pois a Cooabriel é uma cooperativa de referência mundial em café conilon.
Ela dá suporte aos seus cafeicultores associados em vários serviços para que eles possam desenvolver suas lavouras, especialmente no aporte tecnológico com assistência técnica, melhoramento da produção de mudas clonais, laboratório de análises, financiamentos de insumos, logística de armazenagem e comercialização sendo termômetro de preços do café conilon. Ainda, desenvolve a melhoria da qualidade do café através de incentivos no valor agregado.
A Cooperativa, gera cerca de 250 empregos diretos, recolhe impostos (R$29 milhões em 2012), e movimenta cerca de 1 milhão de sacas de café, estimulando recursos econômicos para gerir os comércios locais, além da sua gama de serviços que promove mais rentabilidade para os seus produtores associados e qualidade de vida para as famílias, trazendo perspectivas para as regiões.
Vale pontuar que a Cooabriel é uma das maiores recolhedoras de impostos para o Espírito Santo. Em 2012 ele arrecadou 17.246.523,44 de ICMS sobre a comercialização de café no Estado, beneficiando os municípios de Águia Branca, Alto Rio Novo, Aracruz, Barra de São Francisco, Boa Esperança, Colatina, Ecoporanga, Governador Lindenberg, Jaguaré, Linhares,  Mantenópolis, Montanha,  Mucurici, Nova Venecia, Pancas, Pedro Canário, Pinheiros, Ponto Belo, Rio Bananal, São Domingos do Norte, São Gabriel da Palha, São Mateus, Sooretama, Vila Pavão e Vila Valério.  Também recolheu o montante de R$ 4.180.027,92 para o Estado da Bahia, beneficiando 20 municípios.
Isto significa dizer, mais desenvolvimento nas localidades onde a Cooabriel está instalada, e acontece porque a Cooabriel declara, ou seja, quando a cooperativa guia o café dos produtores sócios, está contido na guia o local da origem do café e as informações que tornam a operação verdadeira, gerando o imposto que é devolvido para o município.
Esses números são importantes para demonstrar a importância do trabalho da Cooabriel para o crescimento econômico dos Estados.
Outros impostos são também importantes para o desenvolvimento social e que são recolhidos pela Cooabriel. Em 2012 por exemplo, ela recolheu a título de FUNRURAL, o valor de R$ 4.981.765,29, repassados à Previdência Social-INSS, gerando benefícios aos associados, especialmente, para fins de aposentadoria. Ela também recolheu no ano, encargos sociais - INSS e FGTS sobre folha de pagamento num total de R$ 1.217.759,59.

Destaco a descrição do Jornalista, Ronald Mansur, que diz “a presença da Cooabriel é como uma grande árvore que acoberta e protege não somente os seus associados, mas milhares de produtores que mesmo não sendo associados ganham com a estabilidade do mercado”.

Entrevista publicada na 45ª edição (Ago/Set 2013) da revista ProCampo.
É proibida a reprodução total ou parcial sem autorização expressa dos editores ou do entrevistado.


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