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de 2017.   51ª Edição (Agosto/Setembro)  
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Entrevistas

 

13.05.2014 - 09:47

"Com o resfriamento do Oceano Pacífico, deve haver uma redução de chuvas no Sudeste e Sul do país"

O CO2 não controla o clima global como afirma o Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC, sigla em inglês). Estas são algumas das colocações do professor LUIZ CARLOS BALDICERO MOLION, da Universidade Federal de Alagoas. Molion é formado em Física pela Universidade de São Paulo (USP), com doutorado em Meteorologia e em Proteção Animal pela Universidade de Wisconsin, EUA, e pós-doutor em Hidrologia de Florestas pelo Instituto de Hidrologia, de Wallingford, Inglaterra. Foi cientista-chefe nacional de dois experimentos com a Nasa sobre a Amazônia e aposentou-se do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), onde foi doutor de Ciências Espaciais e Atmosféricas. "O oceano Pacífico esfriando, a probabilidade de ocorrência de El Ninõs diminui, e aumenta o de La Niñas. Os La Ninãs predominando, deve haver uma redução das chuvas no Sudeste e Sul", afirma. Leia a entrevista exclusiva concedida à PROCAMPO.

ProCampo - O desmatamento alterou o regime de chuvas no Espírito Santo?
Luiz Carlos Baldicero Molion - Não. A umidade que produz as chuvas no Espírito Santo vem do Oceano Atlântico e não da evapotranspiração da Mata Atlântica. Ou seja, as chuvas são produzidas por fenômenos de escala global. Entre 1946-1976, o Oceano Pacífico Tropical permaneceu ligeiramente mais frio e, nessa época, chovia mais ao norte do Espírito Santo, digamos ao norte do rio Doce. De 1976 até 1998, passou a chover um pouco mais ao sul do Estado. Como o Pacífico voltou a se resfriar, espera-se que volta a chover um pouco mais ao norte que nos Sul do Estado. Embora o desmatamento não influencie as chuvas, ele muda a infiltração de água da chuva nos solos e muda o regime dos rios, níveis mais altos durante o período chuvoso e mais baixos durante o período seco. Os solos descobertos estão sujeitos à erosão e assoreamento do leito dos rios, mudança da qualidade da água e da vida aquática.

ProCampo - Quais são os mecanismos produtores de chuva no Espírito Santo?
Luiz Carlos Baldicero Molion - Os principais mecanismos são as frentes frias associadas às massas de ar de origem polar e os vórtices ciclônicos de altos níveis (VCAN). Esses VCAN apresentam grande extensão, tem a forma característica de vírgula invertida, com sua periferia esquerda formada por uma frente fria e seu centro apresenta céu claro, movimento descendente de ar seco e ausência de chuvas. Formam-se entre novembro e março, com maior frequência em janeiro e podem persistir por 2 a 6 semanas. Quando seu centro se posiciona sobre uma dada localidade, esta sofre um período seco intenso (veranico) durante a estação chuvosa.

ProCampo - O fenômeno El Niño interfere no clima do nosso Estado?
Luiz Carlos Baldicero Molion - Os eventos El Niño produzem secas na Amazônia e Nordeste e excesso de chuva no Sudeste e Sul. Não há uma relação forte entre os eventos El Niño intensos e as chuvas/secas no Espírito Santo. Pode ocorrer seca em alguns eventos El Niño, como no evento de 1987. Nos eventos de 1983 e 1998 não ocorreram secas. Anexo o mapa de chuvas em 1987.

ProCampo - Precisamos diminuir as emissões de C02?
Luiz Carlos Baldicero Molion - O clima global é controlado pelo Sol, a fonte de energia do planeta Terra, e pelos oceanos, que cobrem 71% de sua superfície. O CO2 não controla o clima global com afirma o painel Intergovenamental de Mudanças Climáticas (IPCC, sigla em Ingles). Oceanos, vegetação e solos emitem 200 bilhões de toneladas de carbono por ano (GtC/a) enquanto as emissões humanas somam 7 GtC/a, ou seja, cerca de 3% dos fluxos naturais, um percentual bem inferior à incerteza que se tem nesses fluxos que é ± 20%. A redução das emissões humanas não tem impacto algum sobre o clima. Por outro lado, como a matriz energética global é composta de 80% de energia gerada com uso de combustíveis fósseis, reduzir as emissões significa gerar menos energia elétrica e manter os países pobres no subdesenvolvimento, aumentando ainda mais as desigualdades sociais existentes.

Entrevista publicada na 49ª edição (Abr/Mai 2014) da revista ProCampo.
É proibida a reprodução total ou parcial sem autorização expressa dos editores ou do entrevistado.


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