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de 2017.   51ª Edição (Agosto/Setembro)  
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Entrevistas

 

18.10.2010 - 10:33

Aquicultura cooperada

Organizar e representar os interesses do setor é missão da Cooperativa dos Aquicultores do Espírito Santo – Ceaq, entidade com sede em São Domingos do Norte, município do noroeste capixaba, a 193 km de Vitória, que reúne 94 produtores associados.
Desde 2002 a tarefa de presidir a Ceaq está nas mãos da bancária aposentada Maria Inês Pandolfi Coelho, sem dúvida, a principal agente do processo de fortalecimento da aquicultura naquela região.
Hoje, aos 53 anos, a dirigente cumpre o seu terceiro mandato à frente da Ceaq. “Tecnicamente bem conduzido, um hectare de lâmina de água com camarão, considerando uma produção de aproximadamente 2.000 kg, com valor bruto de no mínimo R$ 36.000 e custo máximo de R$ 20.000, onde então tem-se o lucro de R$ 16.000”, afirma.


ProCampo - Fale da Cooperativa dos Aquicultores do Espírito Santo – Ceaq.
Maria Inês Pandolfi Coelho - A Cooperativa dos Aquicultores do Espírito Santo, com o nome fantasia de Central de Apoio ao Aquicultor (Ceaq), foi fundada em março de 1998 e tem como proposta garantir a continuidade da oferta, organização e comercialização da produção, sendo elo de ligação entre o produtor e o mercado consumidor. A proposta deste trabalho é dar continuidade de apoio a um setor que atua com pequenas propriedades rurais, gerando fontes de renda alternativas e incentivando o homem a permanecer e investir no campo, devido a atividade ser altamente lucrativa em relação as outras atividades tradicionais da região. A atividade de criação de camarão é diferente de outras atividades porque as propriedades necessitam ter uma infra-estrutura, que é basicamente o local para construção dos viveiros (que deve ser de topografia adequada) e principalmente em relação a quantidade de água, sendo uma atividade ambientalmente correta. Vale ressaltar que é uma atividade altamente técnica, onde o produtor tem que estar em constante capacitação para minimizar os erros.

ProCampo - A dificuldade com aquisição da pós-larva é hoje um, se não o maior problema do aquicultor no curto prazo. Como solucionar este problema?
Maria Inês Pandolfi Coelho - O maior gargalo para a produção na atualidade é a falta de pós-larvas aliada a qualidade. Podemos afirmar, sem medo de errar, que a produção está em torno de no máximo 30% da capacidade, isso sem citar aqueles que estão inativos já a algum tempo. No período de seca, a falta de água também contribui para diminuição de produção, sem contudo ser significativo. Vale frisar que a atividade usa a água apenas como veículo, ou seja, não há consumo significativo e se bem conduzida sem prejudicar a qualidade.
Para solucionar o problema da falta de pós-larvas,  estão sendo  desenvolvidos esforços de praticamente todas as entidades  para implantação de um laboratório de pós-larvas em Governador Lindenberg, com recursos do Ministério de Desenvolvimento Agrário (MDA) e Secretária de Agricultura, Abastecimento, Aquicultura e Pesca do Espírito Santo (Seag), além de outros recursos que a diretoria constantemente está buscando. Vale ressaltar que estas dificuldades, vem fortalecendo ainda mais a Ceaq, que conta com parceiros sólidos e comprometidos com a criação de camarão, sendo que na maioria das vezes, são as dificuldades que nos tornam valentes.

ProCampo - Levando-se em conta o atual cenário, quais são as perspectivas para 2011?
Maria Inês Pandolfi Coelho - Conforme mencionado acima estamos produzindo abaixo de nossa capacidade e isto vem em desencontro com nossa meta para 2010. A demanda atual do produto é de aproximadamente 10 toneladas mês, com mercado garantido. Estamos buscando novos produtores que possuem lâminas d'água e com áreas dentro das exigências dos órgãos ambientais. Nossa expectativa é de fecharmos 2011 com 30 toneladas do produto, já que o nosso laboratório deve ser concluído num prazo de 07 meses.

ProCampo - A senhora tem vários projetos para a Ceaq. Quais são eles?
Maria Inês Pandolfi Coelho - Como dito anteriormente, o principal projeto é a construção do laboratório, já que com o aumento da demanda do produto no mercado, os laboratórios existentes em outros locais são insuficientes para suprir a demanda.
A construção do laboratório está programado para o início deste mês de outubro. Com o baixo preço do café, que é a principal atividade da região, a criação de camarão toma ainda mais força e representatividade na composição da renda da propriedade.
Outra meta é o aumento significativo da produção da cooperativa com os cooperados existentes e de outros que futuramente vierem a se associar.
Queremos também que nossa região seja referência em produção de camarão de água doce, tanto no âmbito estadual como federal.
Tem ainda o aumento do espírito cooperativista e associativista dos produtores através de cursos, palestras e seminários, uma vez que sem a cooperativa torna-se praticamente impossível a produção e principalmente a comercialização, devido às exigências ambientais e da vigilância sanitária.
Outro objetivo da atual administração é facilitar para o associado a legalização ambiental com o apoio dos órgãos competentes, como já existe na atualidade o programa Aquicultura Legal.
Futuramente, temos o objetivo de processar também o filé da tilápia, como aproveitamento da estrutura existente.
Comparando-se a atividade de camarão com a cafeicultura da atualidade, podemos considerar uma produtividade alta de café de 80 sacas em um hectare com valor bruto em torno de R$ 13.500 com lucro de no máximo R$ 4.000. Com um hectare de lâmina de água com camarão bem conduzido, pode-se considerar uma produção de no mínimo 2.000 kg, com valor bruto de no mínimo R$ 36.000 e custo máximo de R$ 20.000, onde então tem-se o lucro de R$ 16.000. Vale ressaltar que a produtividade considerada é média e a do café é alta. Produtores da região com alto índice de tecnologia conseguem até 3.500 kg de camarão/ha, embora o custo variável aumente também.
Também é visível a sintonia entre o presente projeto com parte dos eixos prioritários que o próprio colegiado elegeu, pois este visa ações no que tange questões referentes à produção, comercialização e beneficiamento dos produtos oriundos da agricultura familiar. O projeto também se encontra correlacionado as atividades territoriais, que pretende, dentre outras ações, a estruturação de empreendimentos agroindustriais voltados para o beneficiamento e a comercialização.

Entrevista exclusiva publicada na 28ª edição (Out/Nov 2010) da revista ProCampo


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