Revista ProCampo - Uma Leitura Produtiva

 

 
de 2017.   51ª Edição (Agosto/Setembro)  
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Entrevistas

 

20.12.2010 - 09:53

Aposta nas aves

Os avicultores capixabas são responsáveis por um plantel de mais de 9 milhões de cabeças de frangos de corte, 8 milhões de galinhas de postura comercial e 1,5 milhão de cabeças de codorna. São mais de 390 propriedades em 10 municípios e 22.500 mil empregos diretos e indiretos ao longo da cadeia avícola. Para representar este importante setor, a Associação dos Avicultores do Espírito Santo - Aves trabalha auxiliando os avicultores em várias frentes. O atual presidente da associação, o produtor Argêo João Uliana, tem uma história de 45 anos com a Cooperativa Agropecuária Centro Serrana - Coopeavi, localizada em Santa Maria de Jetibá (ES).
 “Atuei como presidente de 1996 a 2006 e estou como vice-presidente. Pela Cooperativa, sempre procurei a visão da melhoria nas atividades de nossos associados com crescimento sustentável e da divulgação do cooperativismo por entender que o cooperativismo junto com o associativismo é a alternativa de sobrevivência dos pequenos e médios produtores, vislumbrada sob a ótica de que vários setores permanecem ativos em função desse tipo de trabalho”, explica.
  Na visão dele, o objetivo da Aves é desenvolver as atividades dos produtores em parceria com as instituições governamentais e não governamentais, ou seja, Ministério da Agricultura, Conab – Governo do Estado, Secretaria de Agricultura, Idaf, Incaper, Delegacia Federal de Agricultura, Federação da Agricultura e todas as instituições ligadas a atividade a fim de trazer para nossos associados alternativas de desenvolvimento sustentável das atividades, sempre com o foco nos aspectos social, ambiental e sanitário.

ProCampo - O que é a Aves e como funciona?
Argêo João Uliana - A Associação dos Avicultores do Estado do Espírito Santo (Aves) foi fundada em outubro de 1969, pela necessidade de se ter uma entidade representativa para o setor avícola capixaba. A idéia dos fundadores era potencializar a atividade por meio da integração e do entrosamento entre produtores. Inicialmente, a Aves possuía sede na Capital Vitória, passando posteriormente para o município de Viana. Hoje a Aves possui sua sede no município de Marechal Floriano, região serrana do Estado, onde está localizada grande parte dos produtores associados.
Atualmente a Aves possui 198 associados, entre produtores individuais, empresas e cooperativas, sendo 48 da atividade de avicultura de corte, 134 da atividade de postura comercial e 16 produtores de codornas. A estrutura avícola do Estado ainda é composta por 03 incubatórios e 05 abatedouros de inspeção Federal ou Estadual.

ProCampo - Qual a importância da avicultura do Espírito Santo para o Espírito Santo?
Argêo João Uliana - Consideramos a avicultura capixaba de grande importância para o Estado do Espírito Santo. O contexto econômico-social é o fator mais forte em vários municípios, onde temos casos onde a avicultura é a maior geradora de renda, como é o caso de Santa Maria de Jetibá.
A produção avícola, de maneira geral, está concentrada nos municípios de Santa Maria de Jetibá, Marechal Floriano, Domingos Martins, Linhares, Venda Nova do Imigrante e Castelo, além de outros, embora com menor volume.  A atividade gera 22.500 empregos diretos e indiretos e contribui com a renda de mais de 85 mil pessoas em todo o Estado que trabalham na agricultura, principalmente os setores de fruticultura e hortifruticultura que utilizam-se enormemente do adubo orgânico produzido.
Um dado importante de ser ressaltado é o tamanho da avicultura de postura em nosso Estado. Atualmente temos cerca de 12% da produção brasileira de ovos em nosso estadão, onde ainda, segundo divulgação do IBGE nos últimos dias, Santa Maria de Jetibá é o segundo município em produção de ovos de consumo em nível nacional, ficando apenas atrás de Bastos (SP).
Já na avicultura de corte, o que pode ser ressaltado é a mudança na forma de produção do setor. Nos últimos 5 anos o segmento vem investindo na industria e neste ano de 2010 iniciamos a comercialização de frango abatido para países árabes, África e Ásia. 
Este é um foco que o mercado capixaba tende a evoluir bastante nos próximos anos, seguindo uma realidade da avicultura nacional. Com isso novas plantas de abate estão sendo projetadas a cada ano o que colocará o Estado em condição de crescimento da atividade.
Voltando ainda à postura comercial, existem já vários aspectos sendo trabalhados quanto á comercialização de ovos in natura para o mercado externo. Estudos estão sendo realizados, buscando ainda considerar a industrialização de ovos, onde o ovo em pó e o produto pasteurizado mostram se como interessantes alternativas a médio prazo.
Importante ressaltar aqui ainda o segmento de codornas que vem tomando grande importância em nosso Estado. Trata-se de uma atividade que vem crescendo paralelo ao segmento de postura comercial, onde o produtor oportuniza o mesmo mercado para comercialização dos dois produtos, com isso estamos aproximando nosso plantes de coturnicultura em 2 milhões de aves.
Com isso, mesmo diante de situações adversas, nossos produtores estão competindo fazendo a distribuição para vários mercados, sempre pautados na qualidade dos produtos. Para isto a Aves, Coopeavi e Instituições Governamentais Estaduais e Federais estão trabalhando com muita dedicação para ver esse projeto realizado.

ProCampo - Quais entraves prejudicam o desenvolvimento do setor no Estado?
Argêo João Uliana - O maior gargalo do setor é a aquisição de matéria prima, ou seja, o milho e a soja, que é trazida em sua maioria do centro-oeste brasileiro.  A logística é um aspecto preponderante que vem sendo discutido nos últimos anos a fim de obtermos amenização dos custos e dos mecanismos de suporte dos setores, especialmente se considerarmos um crescimento no médio prazo.
Existem ainda outros aspectos junto à cadeia que podem ser considerados como fatores dificultadores, mas que enfrentamos com mecanismos naturais como qualquer setor produtivo.

ProCampo - Como profissionalizar o avicultor e os trabalhadores na avicultura capixaba?
Argêo João Uliana - Nossa avicultura cresceu e se desenvolveu graças aos produtores que tiveram uma visão de profissionalismo na atividade. Nossos setores estão entre os melhores do país em termos de tecnologia e índices técnicos.
Esse fator se deve especialmente ao fato de ter um custo de produção, historicamente 10% superior ao restante do país em função de termos que importar quase toda matéria prima utilizada na atividade, especialmente milho e farelo de soja que representam 70% do custo de produção. Desta forma apenas com muito profissionalismo para buscar viabilizar uma atividade que sob o ponto de vista econômico apresenta resultados não satisfatórios.
A visão dos empresários sempre acreditando na atividade fez com que procurassem se manter atualizados com as informações ambientais e sanitárias e o acompanhamento do mercado futuro, interno e externo.

ProCampo - O que tem puxado o preço do frango vivo, que explica esse crescimento próximo a 20%?
Argêo João Uliana - O frango vivo nas ultimas semanas tem tentado acompanhar a evolução dos custos das matérias primas, especialmente o milho que em menos de 90 dias teve seu preço para o produtor capixaba ajustado em mais de 50%.
Isso, no entanto não acontece apenas com o frango, com o ovo também é uma realidade, ou seja, o produtor está pagando mais caro pelo insumo, no entanto não existe um acompanhamento equivalente dos percentuais de valorização. O frango, neste caso, teve uma recuperação de preços, mas não nos mesmos patamares que o custo da matéria prima e o ovo praticamente não sentiu esse reflexo de alta.
É uma questão de lógica econômica, se consegue um valor melhor em determinado produto de acordo com a disposição do mercado em pagar e vice-versa.
Em todo esse contexto é preciso ainda considerar que outros fatores contribuem com a pressão de alta. Mesmo assim o produtor acaba vivendo sempre no “fio da navalha”, suscetível a prejuízos de forma muito sensível.
Quando dizemos que existem outros fatores estamos nos referindo a fatores climáticos, desequilíbrio na carga tributária aplicada aos produtos acabados, especialmente sob o ponto de vista de concedimento de benefícios fiscais em alguns estados, o que sob o ponto de vista da legislação federal é ilegal, entre outros aspectos.

ProCampo - Quais são as perspectivas de parceria da Aves com os produtores?
Argêo João Uliana - Temos uma relação muito próxima dos nossos associados. Desenvolvemos várias ações que são cruciais para a avicultura capixaba onde um dos temas principais trabalhados atualmente se refere aos processos de adequação ambiental e regularização de produtores. No momento, a Aves coordena dois programas para o licenciamento em grupo. Neste caso, a Associação une grupos de produtores com o objetivo de minimizar os custos do processo, dando oportunidade aos pequenos produtores de legalizarem suas atividades.
Com o mesmo objetivo, outro trabalho feito pela Aves, em conjunto com o Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal (Idaf), é a discussão de um Termo de Compromisso Ambiental, proposto pelo órgão fiscalizador. A idéia é que os avicultores assinem um documento em que se comprometem a realizar as adequações exigidas pelo Idaf, em um prazo de 90 dias. Assim que assinarem o termo, os produtores receberão suas licenças.  A expectativa é que aproximadamente 100 propriedades, sejam regularizadas até o fim do ano com essa ação.
Vale ressaltar, que destes 100 produtores, sessenta, de Santa Maria de Jetibá e entorno, receberam suas licenças através da assinatura do termo de compromisso  no final do mês de novembro.
A Aves também trabalha o desenvolvimento do setor, junto ao Sebrae-ES, desde o início deste ano, por meio da Gestão Estratégica Orientada para Resultados (GEOR). O projeto para a avicultura deve investir recursos nos próximos três anos em ações para fortalecer a atividade avícola de corte, de postura e coturnicultura. Dentre as ações previstas estão: Qualificação técnica e gerencial, com o objetivo de padronizar a produção avícola capixaba, agregando valor ao produto comercializado; Desenvolvimento de infra-estrutura para produção; Adequação do setor às normas sanitárias vigentes, onde estão sendo executadas atualmente ações no sentido de realizar o registro dos estabelecimentos avícolas junto ao Ministério da Agricultura.
ProCampo - Como a questão ambiental pode afetar o desenvolvimento do setor avícola?
Argêo João Uliana - Como pode ser notado no item anterior a questão ambiental está sendo tratada de forma muito sólida pelo nosso Setor.
Estamos com esse tema em foco a mais de dez anos, onde muitos desafios surgiram, tivemos que interagir e agir em várias frentes, mas estamos nos ajustando em pouco tempo teremos  quase toda, senão toda, a atividade regularizada.
Temos ainda é claro entraves que dificultam algumas ações, mas as atitudes que são tomadas conjuntamente com os órgãos competentes  para que o processo possa ser mais flexível possível para todos.

ProCampo - A Aves planeja mudanças na forma de trabalhar em 2011?
Argêo João Uliana - Não existe nenhum planejamento no sentido de mudanças. É claro que ajustes sempre são promovidos, até para podermos estar alinhados com a realidade do setor, mas isso sempre é trabalhado de forma concomitante ao processo através dos Diretores e Técnicos da Associação.

ProCampo - Quais os procedimentos para o registro e cadastro de granjas no Estado?
Argêo João Uliana - Especificamente para que o produtor possa fazer o registro de seu estabelecimento é necessário que ele busque auxilio de um técnico que tenha experiência na área de produção avícola.
Geralmente o mais recomendado é um Médico Veterinário que fará determinados levantamentos, conforme regras específicas estabelecidas pelo Ministério da Agricultura (Mapa), e elaborará um projeto a ser protocolado junto ao Idaf que verifica a necessidade de algum ajuste ou adequação quanto ao que é preconizado na regra estabelecida pelo Mapa.
Após isso, e verificada regularidade é emitido um certificado de registro sanitário. Importante ressaltar que toda a atividade avícola nacional tem prazo até 06 de dezembro de 2012 para regularizar suas estruturas. Após esse prazo os estabelecimentos que não dispuserem do mesmo não poderão comercializar seus produtos – ovos e carnes.


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