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04.09.2013 - 15:58

Avaliação da fertilidade dos solos: amostragens e análises

As principais análises normalmente solicitadas pelos produtores e realizadas para fins de avaliação das características dos solos são as análises química e granulométrica.
A análise química simples é solicitada, em geral, quando o produtor adota menor nível tecnológico e para cultivos sem irrigação em que a produtividade esperada quase sempre é baixa. Neste caso, são determinados: fósforo, potássio, cálcio, magnésio, alumínio, hidrogênio + alumínio, pH e matéria orgânica.
A análise química completa pode ser requerida em qualquer circunstância, entretanto, é solicitada quase sempre para cultivos irrigados, ou seja, quando se espera produtividade mais elevada, necessitando conhecer também as limitações dos micronutrientes. Neste caso, determina-se: Fósforo, potássio, cálcio, magnésio, alumínio, hidrogênio + alumínio, pH, matéria orgânica, enxofre, ferro, zinco, cobre, manganês, boro e sódio.
Análise granulométrica: É determinada a proporção de constituintes do solo (areia, silte e argila) que influenciam no seu correto uso e manejo, podendo-se inferir sobre o risco de erosão, disponibilidade de água para as plantas, uso econômico de fertilizantes, mecanização adequada e a cultura mais adaptada às características do solo. Serve também como complemento da análise química, garantindo maior segurança para o diagnóstico. Como a textura do solo não se modifica de forma rápida, a análise granulométrica pode ser realizada apenas uma vez.
Atualmente, os laboratórios agronômicos do país têm associado os dois tipos de análises: química e granulométrica. Tal fato ocorre em função dos conhecimentos adquiridos de que a dinâmica dos nutrientes está diretamente relacionada com a textura do solo. Portanto, o conhecimento sobre os teores de areia grossa, areia fina, silte e argila aumentam a segurança na interpretação dos resultados das análises químicas de solo, favorecendo o manejo das adubações.

Amostragem para análise de solos

A análise de solo começa pela amostragem, que constitui o primeiro passo e um dos mais importantes no processo de avaliação da fertilidade do solo e onde ocorrem as maiores falhas.

Definição da área a ser amostrada

É necessário que a amostra seja representativa da área. Neste sentido, deve-se, primeiramente, subdividir ou separar a propriedade em unidades mais homogêneas possíveis (Figura 1), levando-se em consideração aspectos como:
- Cor da terra (mais escura, amarelada ou avermelhada, por exemplo);
- Textura do solo (argilosa ou arenosa);
- Topografia do terreno (superior, meia encosta ou parte mais baixa do terreno);
- Histórico da área (tipo de cobertura vegetal, aplicação de corretivos e fertilizantes);
- Idade das plantas;
- Condições de drenagem (se acumula água ou é bem drenada);
- Sistemas de plantio e de condução da cultura.

Atenção: Locais próximos de casas, formigueiros, cupinzeiros, currais e rodovias devem ser amostrados separadamente, pois podem apresentar características distintas das demais áreas de cultivo. Além disso, cada área considerada homogênea não deve ultrapassar a 10 hectares.
A figura 1 demonstra algumas situações de uma propriedade que necessita de amostragens separadas e diferenciadas.

Número de amostra a ser coletada

As amostras a serem coletadas podem ser definidas como: Amostra simples e Amostra composta.
Após a divisão da propriedade em áreas uniformes ou homogêneas, deve-se coletar cerca de 20 amostras simples para formar uma amostra composta, qualquer que seja a área a amostrar, desde que não ultrapasse a 10 hectares.  Na prática, isto significa que mesmo que uma área grande seja homogênea, ela deve ser subdividida em áreas menores de até 10 hectares.

Época e frequência das amostragens

A coleta de amostra pode ser realizada em qualquer época do ano. Entretanto, é recomendável que seja planejada com antecedência, considerando-se o tempo gasto no encaminhamento das amostras ao laboratório e do retorno dos resultados, aliado ao tempo necessário para realizar as análises. Isto porque, havendo necessidade de calagem (adição de calcário), deve-se considerar que o calcário exige um tempo mínimo para reagir no solo.
A análise de solo deve ser repetida em intervalos que dependem da intensidade de adubação, do tipo de cultura, do nível tecnológico adotado (irrigação, fertirrigação), etc. Dessa forma, seguem algumas sugestões:
- Convêm coletar amostras três a quatro vezes por ano nas lavouras que recebem maiores aplicações de adubos, como o mamoeiro, maracujazeiro e o cafeeiro irrigado, que são adubados mensalmente;
- Pastagens irrigadas e em sistema rotacionado também devem ser amostradas de três a quatro vezes por ano;
Nas culturas fertirrigadas, as amostras devem ser coletadas, no máximo, a cada dois ou três meses;
- Culturas de ciclo curto como milho e feijão, exploradas em cultivos sucessivos, devem ser coletadas antes de cada colheita;
- O cafeeiro cultivado de forma tradicional com no máximo três a quatro adubações anuais, as amostras podem ser coletadas uma vez por ano ou intervalos de seis meses. O ideal é que a amostra seja coletada antes da colheita para que as práticas de correção e adubação possam ser realizadas a tempo de beneficiar a pré-florada.
- Outros cultivos como seringueira, eucalipto e pastagens, por exemplo, podem ser amostrados anualmente ou a cada dois anos.

Equipamentos para coleta das amostras

Para realização da amostragem, deve-se dar preferência ao uso de equipamentos do tipo trado ou sonda em aço inox para não haver contaminação da amostra.
Além dos equipamentos usados na coleta, é necessário um balde plástico limpo que não contenha nenhum tipo de resíduo. Deve-se ter o cuidado de limpar as ferramentas de amostragem e o material a ser utilizado na mistura das amostras, retirando o excesso de solo da coleta anterior.

Local e profundidade da amostragem

Na avaliação da fertilidade do solo para novos plantios, aconselha-se retirar amostras mais superficiais, ou seja, na profundidade de 0 a 20 cm. No entanto, para avaliar a fertilidade do solo em profundidade, devem-se retirar amostras de camadas mais profundas como 20 a 40 cm, 40 a 60 cm e assim por diante.
No caso de culturas perenes já instaladas, sugere-se realizar duas amostragens, uma no local da adubação, geralmente na projeção da copa, local onde se concentram as raízes e outra entre as linhas de plantio.
Nas culturas irrigadas por gotejamento e fertirrigação, recomenda-se amostrar o solo na área de influência dos gotejadores e também fora da área dos gotejadores, porém na linha de plantio, separadamente. Neste caso, diante da possibilidade de movimentação dos nutrientes no perfil do solo, é fundamental monitorar a fertilidade do solo, coletando amostras de 0 a 10 cm, 10 a 20 cm, 20 a 40 cm, 40 a 60 cm e até em profundidades maiores, principalmente se o solo for de textura média
e/ou arenosa.


Artigo publicado na 45ª edição (Ago/Set 2013) da revista ProCampo
por Eli Antonio Fullin
Eng. Agrônomo, MSc., diretor do Laboratório Fullin
eafullin@fullin.com.br
É proibida a reprodução total ou parcial sem autorização expressa dos editores ou do autor.


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