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18.03.2014 - 18:22

Pró-genética

O Pró-Genética (Programa de Melhoria da Qualidade Genética do Rebanho Bovino Brasileiro) tem como objetivo promover o melhoramento genético dos animais que sustentam a atividade leiteira e de corte, em pequenas e médias propriedades do país, através da incorporação do maior número possível de touros registrados das raças zebuínas ao plantel nacional.
 
Este programa surgiu há aproximadamente oito anos como projeto piloto, através da assinatura de um acordo entre a ABCZ (Sede-Uberaba) e o Governo de Minas Gerais. O principal fundamento para a criação do programa foi a constatação, pela Emater, de que 90% dos pecuaristas mineiros tinham rebanhos de até 100 cabeças e, de que a maioria deles não utilizava touros com informações genéticas confiáveis. Ou seja, o reprodutor existente de terras mineiras era o famoso "capa não capa" ou "cabeceira de boiada". Processo similar resultou na viabilização do programa no Espírito Santo, pois a realidade do nosso estado é muito próxima. O Pró-Genética Capixaba existe desde 2008, quando foi assinado um acordo entre a ABCZ e o governo local.

O programa em nível nacional já tem convênios assinados em 7 estados brasileiros e recentemente foi incorporado aos projetos sociais estratégicos do Governo Federal. Através do trabalho do Comitê Gestor do Pró-Genética, instituído em 2013, os processos para transferência de genética e conhecimento estão sendo aprimorados com intuito de alcançar o maior número de produtores que precisam garantir a sustentabilidade da atividade pecuária de corte ou leite em pequenas propriedades rurais. Entre as ações foi definida a realização de um circuito de premiações para as feiras de touros que obtiverem os melhores resultados, o desenvolvimento de uma cartilha de trabalho para orientar os realizadores das feiras e a contratação de agentes mobilizadores (zootecnistas) para trabalhar com antecedência pela promoção e sucesso das feiras de touros. Na primeira fase o novo modelo do programa será implantado primeiramente em Minas Gerais e depois multiplicado nas outras unidades da federação.

A ABCZ (Associação Brasileira dos Criadores de Zebu) é a entidade delegada do MAPA (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento) para realizar o registro genealógico de todas as raças zebuínas no Brasil. É hoje a maior associação de gado do mundo, com aproximadamente 20.000 sócios ativos em todo o território nacional.  O serviço de registro genealógico consiste em atestar que os animais dos criadores associados das diversas raças são realmente descendentes daqueles pais informados, com data de nascimento correta e que não possuem nenhum defeito em relação ao padrão da raça. Cada raça tem um padrão racial aprovado pelo Ministério da Agricultura. Atualmente a ABCZ faz registro de oito raças zebuínas: Brahman, Cangaiam, Gir, Guzerá, Indubrasil, Nelore, Sindi e Tabapuã.

PMGZ (Programa de Melhoramento Genético das Raças Zebuínas)

Paralelo ao serviço de registro corre o PMGZ (Programa de Melhoramento Genético das Raças Zebuínas), que consiste em fazer avaliações genéticas para diversas características ligadas à produção de leite e de carne e, à reprodução. Para produzir os dados necessários para estas avaliações, diversas medidas são coletadas sistematicamente nos rebanhos participantes.

Estes dois trabalhos garantem que os touros registrados tenham pureza racial (pertençam àquela raça descrita no registro) e também que sejam melhoradores para características de carne e/ou de leite, dependendo da raça. A utilização de touros registrados garante uniformidade na produção, além do diferencial na qualidade e no peso dos bezerros. O valor pré-fixado para comercialização dos touros oscila de 40 a 60 arrobas de boi gordo. Considerando uma arroba de R$ 100,00 para facilitar a conta, o valor dos reprodutores seria de R$ 4.000,00 a R$ 6.000,00. O produtor que utiliza um touro registrado consegue pagar a maior parte do investimento da compra do reprodutor com a diferença do ganho nos bezerros. Continuando as contas e considerando que cada bezerro tem potencial para ganhar em média uma arroba a mais até a desmama, em comparação com o reprodutor "capa não capa", com a produção de 40 a 50 bezerros o investimento é pago.

A comercialização destes touros Puros de Origem e registrados acontece nas Feiras Pró-Genética, onde são oferecidos touros das diversas raças zebuínas, todos obedecendo a pré-requisitos que definem um padrão mínimo de qualidade, como a idade dos touros entre 20 e 42 meses, laudos sanitários com testesnegativos para brucelose e tuberculosereprodução e reprodutivos que incluem exame andrológico.

A organização das Feiras Pró-Genética depende de uma série de fatores, enumerados resumidamente a seguir:
 
1) Uma entidade municipal/regional, que pode ser um Sindicato Rural, uma Cooperativa ou uma Prefeitura, precisa requerer uma feira e se responsabilizar pela organização da mesma. Para facilitar e aproveitar os esforços de mobilização para a feira, o caráter dela deve ser regional, ou seja, envolver diversos municípios da região. A entidade promotora do evento precisa disponibilizar um local adequado, com currais para abrigar os touros, comedouros para fornecimento de água e volumoso durante o período do evento. Além disso, deve providenciar um café da manhã para os participantes do evento. O requerimento para realização de uma feira deve ser feito com no mínimo 90 dias de antecedência à Seag-ES.
 
2) As entidades envolvidas com a extensão rural (Incaper, Idaf, Secretarias de Agricultura) devem realizar um levantamento de demanda na região da feira, que consiste em visitar os produtores rurais para verificar a necessidade de compra de um touro e qual é a raça que o produtor rural deseja utilizar. Este levantamento é repassado à ABCZ para que a mesma proceda para o convite aos criadores que vão poder ofertar touros no evento.
 
3) A ABCZ é responsável pela mobilização e pela qualidade dos touros que participarão do evento.
 
4) No dia do evento todos os órgãos/entidades envolvidos devem estar presentes:
- Idaf: fiscalização da documentação sanitária dos touros e emissão das guias de trânsito animal;
- Incaper/Sindicatos: suporte aos produtores locais;
- Agentes financeiros: facilitar a obtenção de crédito dos seus clientes na compra dos touros;
- ABCZ: acompanhar e dar suporte à feira.
 
5) O sucesso do evento depende do trabalho conjunto e sinérgico de todos os parceiros.

Artigo publicado na 48ª edição (Fev/mar 2014) da revista ProCampo
por Roberto Winkler
gerente ABCZ - ETR Vitória (ES)
tecnico139@abcz.org.br
É proibida a reprodução total ou parcial sem autorização expressa dos editores ou do autor.


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