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13.05.2014 - 10:24

Integração avícola

Em época distante criavam-se aves para a subsistência familiar, como aproveitamento de espaços das atividades normais e restos de culturas de usados na alimentação, o excedente comercializado nas comunidades vizinhas. Esta prática desenvolveu, cresceu e se estabilizou, então passaram a adquirir pintos de um dia, rações prontas especializadas para a nutrição das aves, em conseqüência a produção ganhou volume e a necessidade de alcançar outros mercados. Chegara o momento dos intermediários e abatedouros de fundo de quintal, os apelidados de “mata a tapa”. Os fornecedores do “frango quente”.
O sistema de criar aves confinadas no Brasil vem de 1930, com um dos principais objetivos daquela época, a produção adubo orgânico, principalmente para o uso em lavouras de café.
Na realidade, no final da década de 60, o Programa da USAID denominado ETA-42, convênio entre o Brasil e Estados Unidos, disseminou a idéia de confinamento integral em minúsculos galpões, cobertos com palha de palmeiras e cercados com peças de madeira roliças, presas entre si por cipó, medindo no máximo 9,0 metros quadrados, onde eram alojados 100 pintos de corte. No Espírito Santo o local de início do programa foi Domingos Martins.
A integração avícola no Brasil teve início em Santa Catarina por volta de 1961, baseada no modelo americano de Jesse Wewell, nesta época já com 15 anos de experiência. Wewell, fabricante de ração passava por dificuldade em receber o produto vendido aos avicultores, estes prejudicados pela inconstância do mercado, não tinham como cumprir seus compromissos, então montou a primeira integração de frango de corte que se tem noticia.
Duas palavras hoje são de largo conhecimento no meio avícola: Integradora e integrado. Integradora, quem fornece os insumos em geral, assistência técnica e o integrado, que por sua vez disponibiliza o galpão e equipamentos, mão de obra e o custeio com reposição da cama para os frangos, energia e aquecimento dos pintos.

Parceria

Para tal serviço de parceria o integrado recebe no final do lote uma taxa pelos serviços prestados, pela guarda e de criação das aves. Esta taxa está intimamente ligada a três fatores: a CA, GPD, IEP e Viabilidade. CA significa Conversão Alimentar, ou seja, a quantidade de ração convertida em peso bruto da ave pronta para o abate. GPD, Ganho de peso diário. IEP, índice de eficiência produtiva. Viabilidade, os sobreviventes do lote. O encontro destas siglas fornece dados para que a taxa paga, que é variável, suba ou desça em relação a dados conseguidos em uma criação média. Neste ponto é usado o método meritocrático, premia-se o que melhor produz melhor. O premio dado ao integrado reflete na integradora, pois ambos tiveram lucro na operação. Não é um favor praticado e sim o reconhecimento por um esforço realizado em benefício do fortalecimento da parceria, chamada de integração.
Há sempre a discussão em torno do assunto, ser integrado ou não, suas vantagens e desvantagens.
Vantagens ao integrado: Evita participar das oscilações de mercado de frango vivo, regularidade no alojamento dos pintos, estabilidade econômica e financeira, alheio ao mercado de insumos, há sempre uma parceria na solução de possíveis problemas na criação, maior facilidade na aplicação dos avanços tecnológicos, disponibilidade de assessoramento do negócio sem qualquer ônus.
Desvantagem ao integrado: Quando o mercado for favorável para grandes ganhos, está fora dele.
Vantagens à integradora: Regularidade no recebimento da matéria prima, programação para o abate, qualidade da matéria prima, peso do frango, controle da logística, desnecessário investimento em galpões e mão de obra.
Desvantagem à integradora: Assumir os riscos do mercado, grande capital de giro investido na operação.
Mesmo analisando prós e contras, a tendência entre os produtores de frango é adotar o caminho da integração. A cada dia o número de produtores independentes diminui em favor da integração. O contrato entre integradora e integrado tem evoluído contribuindo com clareza, principalmente com relação aos aspectos jurídicos. Neste ponto há grande colaboração entre as partes interessadas, com sugestões para o aprimoramento.
O sistema de integração não tem sido aplicado somente na avicultura de frango de corte, mas em toda a cadeia avícola. O mesmo sistema tem sido adotado na produção de suíno. É o modelo que veio para ficar. Mais dias menos dias, todos os produtores estarão integrados. Em uma das formas de integração, a vertical, horizontal, fechada ou circular, não importa qual seja.
O escrito é um apanhado de informação divulgadas nos periódicos avícolas do Brasil e do mundo, e a vivência de vários anos na atividade, reunidos com a finalidade apenas de agregar maiores esclarecimentos ao assunto para alguns e nem tanto para outros, de qualquer forma aí está.
No momento há enorme oportunidade dada aos produtores independentes e proprietários interessados se engajarem neste sistema. Entidades financeiras estão disponibilizando linhas de crédito facilitado com juros baixíssimo, prazos para carência e pagamentos aceitáveis. Por outro lado, frigoríficos de aves no Espírito Santo se apresentam com interesse em conseguir integrados e disponíveis em manter contato e discutir sobre o assunto, a integração avícola.

Artigo publicado na 48ª edição (Fev/mar 2014) da revista ProCampo
por por Eustáquio Moacyr Agrizzi
Médico Veterinário Aves (Associação dos Avicultores do Espírito Santo)
eustaquio.agrizzi@uniaves.com.br
É proibida a reprodução total ou parcial sem autorização expressa dos editores ou do autor.


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