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de 2017.   51ª Edição (Agosto/Setembro)  
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08.07.2014 - 08:57

Broca-do-café: Controlar ou manejar?

A broca-do-café (Hypothememus hampei) é a principal praga dos cafezais, atacando diretamente o fruto. O cafeeiro Conilon Coffea canephora, apresenta uma maior susceptibilidade devido suas características morfológicas e fisiológicas mais favoráveis ao desenvolvimento da praga, comparadas a espécie Coffea arabica.
No norte do Espírito Santo, onde o café é cultivado em regiões de baixas altitudes e temperaturas médias mais elevadas, a broca-do-café encontra condições ideais, proporcionando maior número de ciclo do inseto por safra.
Os prejuízos ocasionados pela broca-do-café são de ordem quantitativa, com a perda de peso no grão e qualitativa, com a redução da qualidade em quantidade de café brocado e o café quebrado no beneficiamento, além de outras perdas relacionadas à qualidade da bebida.
O manejo desta praga é dificultado dado que este inseto pode passar o ciclo de vida completo escondido dentro do grão de café. No entanto, os inseticidas de contato tendem a não penetrar na estrutura rígida que cobre o corpo deste inseto e os inseticidas que atuam no sistema digestivo são poucos efetivos, pois as fêmeas reduzem a ingestão de tecido do fruto de café durante a perfuração.
Os controles com técnicas do manejo integrado de pragas (MIP), ou seja, a integração de diferentes métodos de controle é a melhor estratégia a ser adotada. Dessa forma, descreveremos as alternativas de manejo para este inseto.

Controle cultural

Deve-se fazer uma boa colheita, evitando deixar frutos na planta ou caírem no chão. Se possível, fazer a realização do repasse. Prática bem conhecida, mas com baixa aceitabilidade pelo produtor rural devido ao custo operacional.

Controle químico

Com a proibição do Endosulfan produtores estão preocupados, pois não encontram outro produto químico eficaz e liberado para combater a broca. Atualmente os inseticidas mais utilizados são do grupo dos organofosforados com ingrediente ativo clorpirifós.
Para maior eficiência as pulverizações devem ser feitas no “período de trânsito” da praga, ou seja, quando as brocas saem dos grãos da safra anterior para penetrar nos novos frutos em formação.

Controle biológico

Dentre os métodos de controles biológicos existentes, vamos destacar o controle através de um parasitóide, que se adaptou muito bem em nossa região, a vespa do gênero Cephalonomia.
A vespa Cephalonomia stephanoderis, conhecida como Vespa da Costa do Marfim, é um parasitóide específico da broca-do-café, oriunda do mesmo centro de origem do cafeeiro.
O adulto da vespa, penetra nos orifícios feitos pela broca no fruto do café. As fêmeas ovipositam sobre as larvas e pupas da broca. Após a eclosão, a larva da vespa se alimenta da larva ou pupa da broca. A larva desenvolvida da vespa transforma-se em pupa, que posteriormente emerge uma vespa adulta, e inicia este ciclo novamente. Sua reprodução pode ocorrer sexuadamente ou assexuada por partenogênese. Além do parasitismo, os adultos também são predadores, e se alimentam principalmente dos ovos, larvas e podem até degolar os adultos da broca.
Vale destacar que o controle biológico é prejudicado pela aplicação de fungicidas e inseticidas para o controle das principais pragas e doenças do café.
Existem laboratórios específicos de multiplicação de inimigos naturais. A Cooabriel, Cooperativa Agrária dos Cafeicultores de São Gabriel da Palha, em parceria com o Incaper, montou em sua estrutura um laboratório de multiplicação de vespa em São Gabriel da Palha.
O processo baseia-se em, inocular as brocas em frutos de café e após a alta infestação da broca, é inoculada a vespa, ocasionando assim multiplicação massal da vespa. A comercialização está restrita aos sócios interessados no controle biológico da broca, com um custo estimado de R$ 40,00 por hectare, demonstrando ser uma estratégia de manejo de baixo custo e com boa eficiência observada pela equipe técnica da Cooabriel.
O importante é ressaltar que o melhor controle é manejar a praga, ou seja, conviver com ela abaixo do nível de dano econômico, integrando diferentes métodos de controle de forma sustentável e sempre respeitando os aspectos sociais, econômicos e ambientais do agroambiente.

Artigo publicado na 50ª edição (Jun/Jul 2014) da revista ProCampo
por por por: 1 Gilberto Rosa de Sousa Filho,  2 Bruno Sérgio de Oliveira Silva e 3 Wander Ramos Gomes
1 Engenheiro Agrônomo Cooabriel/Sebrae-ES
2 e 3 Engenheiro Agrônomo Cooabriel
g-filho@hotmail.com
É proibida a reprodução total ou parcial sem autorização expressa dos editores ou do autor.


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