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de 2017.   51ª Edição (Agosto/Setembro)  
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23.09.2014 - 14:13

Parasitos: Importantes vilões da produção pecuária

Quando avaliamos a pecuária bovina, temos importantes parasitos, alguns muito fáceis de serem detectados, os parasitos externos ou ectoparasitos, que podem ser vistos a olho nu sobre a pele e no tecido subcutâneo dos animais. Porém, existem também os parasitos internos ou endoparasitos ou vermes. Estes, por se localizarem no interior do organismo dos animais (trato digestivo, trato respiratório, fígado, dentre outros tecidos), dificilmente são percebidos, sendo responsáveis pelas verminoses.
Em palestra magna proferida durante o 40º CONBRAVET (Congresso Brasileiro de Medicina Veterinária) em 2013, o Prof. Dr. Laerte Grisida UFRRJ apresentou dados levantados a respeito das potenciais perdas econômicas do parasistimo bovino no Brasil. Estima-se um prejuízo potencial de aproximadamente US$ 15,4 bilhões, decorrente da ação dos principais ecto e endoparasitos, sendo as verminoses gastrintestinais responsáveis por aproximadamente US$ 6,24 bilhões (40,5% do total). Resumindo, a ausência de medidas de controle parasitário adequadas pode levar a atividade pecuária a prejuízos potencialmente relevantes.
Nesse artigo trataremos dos parasitos internos dos bovinos que são os responsáveis pelas verminoses.

Formas de manifestação das verminoses

As verminoses podem se manifestar de duas maneiras:
Verminose Clínica: quando os animais parasitados demonstram claramente os sinais de verminoses, ou seja, apresentam-se com pelos opacos, abdome distendido, têm diarréia, queda do apetite, mostram anemia que em dependendo da severidade pode determinar edema submandibular ou “papeira” além de poder provocar a morte dos animais. Esta forma de manifestação, segundo os pesquisadores do CNPGC-EMBRAPA, corresponde entre 5% e 10% das situações no gado de corte (Foto 1).
Verminose subclínica: os sinais de verminose não são claros, passam despercebidos, entretanto os prejuízos são grandes.
Em ambos os tipos de manifestação das verminoses há redução do apetite e menor aproveitamento dos alimentos ingeridos. No caso da forma clínica, a redução do apetite é facilmente notada. Entretanto, no caso da manifestação subclínica, responsável por 90% a 95% dos casos de verminose nos bovinos de corte criados à pasto no Brasil, segundo pesquisadores do CNPGC-EMBRAPA, a redução no apetite, chamada Anorexia, não é notada. Isso, junto ao menor aproveitamento dos alimentos ingeridos, ocasiona grandes prejuízos, devido ao menor desempenho dos animais. Assim há atraso da entrada das novilhas na reprodução (marco inicial da vida produtiva da fêmea); atraso na idade de abate dos animais, com redução no giro do capital empregado; menor produção de leite nas vacas, com impacto sobre o desempenho dos bezerros; pior qualidade das carcaças após o abate; e maior tempo para o retorno à reprodução após o parto nas vacas.
A seguir vamos abordar o controle das principais verminoses que afetam os bovinos.

Controle das Verminoses

Onde é encontrado o maior número de parasitos: nos animais ou nas pastagens?
Segundo pesquisadores brasileiros, entre 90% e 95% dos parasitos encontram-se nas pastagens e apenas entre 5% e 10% são encontrados nos animais. Este conceito é muito importante, pois deveremos ter como principal objetivo quando usamos o antiparasitário (vermífugo) nos animais, controlar a situação nas pastagens, onde está a maior parte do nosso problema. Por isso, quando usarmos o antiparasitário nos bovinos deveremos usá-lo de maneira estratégica, visando reduzir ao máximo possível a população de ovos e larvas infectantes dos vermes no ambiente onde se encontram os animais. Além desse tipo de controle, ainda deveremos ter táticas para o tratamento com o antiparasitário. Esclarecendo melhor:
Tratamento estratégico: é o mais importante e usado nos animais quando as condições no ambiente (pastagens) não são tão favoráveis para o desenvolvimento dos ovos e a manutenção de larvas infectantes dos vermes nas pastagens.
Tratamento Tático: é aquele empregado fora de épocas estratégicas, mas que são importantes porque também visam a redução do problema nas pastagens.
Sabemos que existem duas condições básicas para o desenvolvimento dos ovos e para a manutenção dos principais vermes nas pastagens: a umidade relativa (UR) e a temperatura média do ar. Analisando estas duas condições, podemos concluir que na maior parte do território brasileiro, especialmente o Brasil Central, a condição mais limitante é a umidade relativa do ar, pois temos distintamente uma época mais chuvosa, consequentemente com maior UR e outra menos chuvosa.
A época mais chuvosa, com UR mais elevada, geralmente temos ótimas condições para o desenvolvimento dos ovos e para a manutenção e sobrevivência das larvas infectantes dos principais vermes dos bovinos nas pastagens. O número de larvas é significativamente alto e isso significa dizer que o desafio é intenso. Já na época mais seca do ano, com baixa UR, as condições se invertem nas pastagens. Entretanto, nessa época, geralmente temos grande número de vermes no organismo dos animais. Assim, fica fácil concluir que deveremos usar estrategicamente o antiparasitário logo no início do período seco (mês de maio para a maior parte do Brasil). Este tratamento; quando realizado com um produto de amplo espectro (controla a maioria dos principais gêneros/espécies de vermes dos bovinos), alta eficácia (acima de 95%) e maior persistência (tempo que permanece controlando as infecções após o tratamento); tem como objetivo controlar os vermes que se encontram em grande número no interior do organismo dos animais, fruto das infecções que sofreu no período chuvoso anterior, evitando a descarga de grande número de ovos no pasto. Além disso, o tratamento no início do período mais seco do ano, também poderá auxiliar os animais que entrarão num período crítico em termos de disponibilidade e qualidade das pastagens.
Outro momento importante e estratégico para uso do antiparasitário está em torno da metade do período seco (julho/agosto). Aqui o objetivo é controlar alguns vermes que porventura o animal tenha adquirido após o tratamento realizado no início do período seco.
Por fim, ainda com o pensamento estratégico, o final do período seco é outro momento importante para usarmos o antiparasitário nos animais. O principal objetivo é reduzirmos ao máximo a carga de vermes dos animais, que será responsável pela contaminação das pastagens num momento bastante favorável para o desenvolvimento e manutenção das verminoses nas pastagens.
Em resumo, tratar estrategicamente os bovinos contra as principais verminoses, significa usarmos um produto de alta qualidade no início, metade e final do período mais seco do ano. Isso contribuirá para queda significativa da carga de vermes nas pastagens, onde se encontra a maior parte do problema e, consequentemente, auxiliará no desempenho dos animais.
Entretanto, o uso estratégico do antiparasitário poderá ter seus benefícios minimizados em algumas situações como: chegada de animais de compra na fazenda, entrada dos animais em pastagens vedadas por longos períodos, por exemplo, quando tais fatos ocorrem fora dos momentos estratégicos. Neste caso lançaremos mão dos tratamentos táticos.

Tratamentos nas categorias animais

A sensibilidade dos animais às verminoses varia conforme a categoria/idade. À medida que o animal envelhece, ele sofrerá vários desafios parasitários o que estimula seu sistema imunológico a produzir defesas contra pesadas infecções futuras. Desta forma, os bovinos de corte criados a pasto costumam ser mais susceptíveis aos graves prejuízos provocados pelas verminoses até os 24 a 30 meses de idade. Posteriormente, o próprio sistema imunológico dos mesmos tende a evitar infecções pesadas, a não ser que algum fator fisiológico contribua para quebra do equilíbrio.
Os bovinos de corte recém-nascidos têm baixíssimo risco em apresentarem cargas de vermes que justifiquem tratamento. Entretanto, com o passar do tempo, tais animais já começam a apresentar cargas verminóticas de tal forma que em torno dos 3 e 4 meses de idade já seja necessário intervirmos com um tratamento.
Outro momento importantíssimo para o tratamento é o desmame. Talvez este seja momento mais crítico, pois os animais estarão passando por período de grande estresse e o sistema imunológico dos mesmos sofrerá com isso.
A partir do desmame, quando os animais entram na fase de recria, os prejuízos determinados pelas verminoses são crescentes. O sistema imunológico de tais animais ainda está passando por modulações para enfrentar as agressões e, além disso, os animais em recria estão fisiologicamente preparados para o desenvolvimento corporal, priorizando isso. Por isso, temos que estar atento à fase de recria, e os garrotes e novilhas deverão ter atenção especial, recebendo tratamentos estratégicos.
Quanto aos animais adultos, as vacas no peri-parto, apresentam alterações fisiológicas que contribuem para queda da imunidade, inclusive para as verminoses. Logo, o peri-parto (em torno de 4 semanas antes até 4 semanas após o parto) é momento importante para o tratamento das vacas e elas deverão receber pelo menos um tratamento no ano, realizado nesse período. Este tratamento visa oferecer melhores condições para que as vacas produzam colostro de melhor qualidade, produzam mais leite para suas crias e ainda possam apresentar cio num período mais curto e adequado após o parto.
Os touros são animais bastante exigidos na fazenda. Por isso deverão receber pelo menos dois tratamentos no ano, um logo antes do início e o outro logo após o final da estação de montas nas fazendas que adotam tal manejo. O primeiro tratamento tem o objetivo de oferecer melhores condições aos animais para cumprirem o seu papel na estação de montas e o segundo visa oferecer condições para recuperação mais rápida após esse manejo. Nas fazendas que não adotam a estação de montapa, os touros deverão receber os tratamentos estratégicos indicados no início e no final do período seco do ano.
Já com relação aos bois, os mesmos deverão receber pelo menos um tratamento no início do período de engorda a pasto. Também poderá ser necessário um tratamento na fase de terminação, cerca de 45 a 60 dias antes do momento estimado para o abate, a fim de possibilitar melhor acabamento de carcaças. Nos animais que serão engordados e terminados em confinamento, no momento de entrada nos currais ou boxes de confinamento, é essencial um tratamento.
 
                                                                            Qual o antiparasitário usar

Atualmente temos um grande número de vermífugos destinados para uso nos bovinos. Temos desde produtos específicos para controle unicamente das verminoses, quanto produtos chamados endectocidas, que controlam tanto os parasitos internos (vermes) quanto externos. Estes últimos, devido a sua praticidade, amplo espectro de ação, alta eficácia e maior persistência no controle das verminoses, tem sido os mais utilizados.
Ainda com relação aos endectocidas, há diferenças em termos de espectro, eficácia e persistência no controle das verminoses dos bovinos, dependendo do princípio ativo e da formulação do produto. A molécula mais recente do mercado de endectocidas caracteriza-se pelo amplo espectro, eficácia singular sobre as principais verminoses que afetam os bovinos, e persistência de controle que varia entre 3 a 4 semanas. Além disso, ainda é encontrada numa formulação pouron que é resistente a chuvas e não tem carência para o abate dos animais tratados. O produto ainda controla a mosca dos chifres, o berne, piolhos e sarnas. Também é importante comentar que os antiparasitários pouron estão alinhados com as práticas de bem estar animal, pois minimizam o estresse na aplicação; são mais fáceis de serem aplicados; e ainda não apresentam riscos da ocorrência de lesões nas carcaças dos animais tratados, passíveis de ocorrerem nos animais tratados com antiparasitários injetáveis. Sem dúvida, características bastante positivas.

Artigo publicado na 51ª edição (Ago/Set 2014) da revista Procampo
por por Marcos Malacco
Médico Veterinário - Gerente Relacionamento Pecuarista - Merial Saúde Animal
marcos.malacco@merial.com
É proibida a reprodução total ou parcial sem autorização expressa dos editores ou do autor.


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