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23.09.2014 - 14:19

O mosaico do mamoeiro e o mamão de quintal

É importante que toda comunidade se conscientize, não permitindo que essas plantas se proliferem no perímetro urbano

Os municípios do norte do Espírito Santo são eminentemente agrícolas. A economia local depende das produções de mamão, café, coco anão, pimenta do reino, algumas outras frutas, cana-de-açucar, eucalipto, seringueira e pecuária. É a segunda maior região produtora de mamão do Brasil, com aproximadamente 6.000 ha cultivados, uma produção anual de 240.000 toneladas e um valor bruto da produção de R$ 156 milhões.
Há uma estreita relação de sua importância econômica com o papel social da cultura. Muitas pessoas dependem da produção do mamão. Estima-se que a cultura gere um emprego direto por hectare e um indireto, perfazendo, dessa forma, 12.000 postos de trabalho.
A região norte capixaba passou por ciclos econômicos, com crescimento, apogeu e queda. A madeira, a agroindústria da farinha de mandioca, o feijão e o milho. Toda população sentiu o fim desses ciclos que causaram grandes problemas e decepções à comunidade e ao poder público.
Existe uma preocupação  enorme de que nossa região se transforme num  “Monte Alto”, município do estado de São Paulo que produzia quase todo o mamão consumido no Brasil na década de 70, onde a cultura do mamoeiro foi simplesmente dizimada pelo vírus do mosaico em menos de 20 anos de cultivo.
A região norte cultiva o mamoeiro já há mais de 25 anos, com alta produtividade e qualidade que se tornaram referencia nacional. Isso graças ao bom trabalho de controle do mosaico por parte dos produtores e ao bom trabalho de fiscalização sanitária executado pelo Ministério da Agricultura, no passado, e atualmente pelo IDAF, desde que as portarias de erradicação compulsória de lavouras contaminadas foram publicadas.

O mosaico

O mosaico do mamoeiro é uma doença causada por um vírus. O vírus é transmitido entre as plantas por insetos vetores (são conhecidos pulgões até o momento) que o transmitem pelo método não persistente, isto é, o pulgão pica a planta doente em busca de alimento, adquire o vírus em poucos segundos e permanece com a capacidade de transmiti-lo para outras plantas por várias horas. Esse processo é dinâmico. O virus sobrevive dentro do mamoeiro e dentro de outras poucas espécies conhecidas (como é o caso das cucurbitáceas), não sendo estas importantes epidemiologicamente em nossa região. Há um período de incubação da doença, ou seja, entre a inoculação do vírus pelo pulgão e o surgimento de sintomas visíveis na planta, passam-se de duas a quatro semanas. Isso quer dizer que muitas plantas transmitem a doença para outras plantas sem ter ainda manifestado sintomas externos, não podendo ser, dessa maneira, erradicadas. Os pulgões que fazem a transmissão da doença são, para o mamoeiro, o que se chama de insetos migratórios não colonizantes, isto é, não usam as plantas de mamoeiro para se reproduzir, abrigar ou se alimentar. Eles passam pela lavoura, transmitem a doença entre plantas ou de lavoura para lavoura e vão embora para a vegetação da região ou para outra lavoura de mamoeiro. Podem se alimentar de quase 300 espécies de plantas o que lhe confere um caráter polífago e de fácil sobrevivência em qualquer local e qualquer condição climática.

Os sintomas

Os sintomas podem aparecer em várias partes da planta (pecíolos, folhas, frutos ou tronco) e podem ser manchas amareladas na folha, de fácil visualização, até pequenos anéis, de 2 mm de tamanho nos frutos.
Mais recentemente surgiram outras duas doenças igualmente destrutivas e que tem  comportamento semelhante: a meleira e o vira-cabeça.
O controle nas lavouras é feito com a identificação precoce das plantas doentes e seu corte, técnica que diminui a taxa de aumento das doenças. Isso exige sistemática correta de caminhamento dentro da lavoura e adequado treinamento dos trabalhadores para a tarefa.
Plantas de mamoeiro dentro das cidades, quintais, terrenos e áreas publicas, por não serem cuidados, os mesmos dispensados em uma lavoura, representam sério risco aos plantios de mamão da região. Podem ficar contaminadas, vivas, por longos períodos de tempo e espalharem as doenças para outras plantas dentro das cidades e para as lavouras. Essas plantas são geralmente espalhadas na natureza por pássaros que transportam as sementes e muitas vezes nem tem um bom aproveitamento. É importante que toda a comunidade, produtores e poder público, se conscientize da importância de não permitir que essas plantas se proliferem em demasia no perímetro urbano.

Artigo publicado na 51ª edição (Ago/Set 2014) da revista Procampo
por Valmir Zuffo
Engenheiro agrônomo
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