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18.04.2011 - 10:41

A arboricultura brasileira e a floresta urbana

As alterações climáticas mais significativas no ambiente urbano são a temperatura e a concentração de poluentes

A arboricultura brasileira é ainda muito recente e possui diversas falhas que dificultam o trabalho do arborista, como por exemplo, o baixo número de pesquisas, o fato de não haver normas regulamentadoras de técnicas operacionais e equipamentos, registros de insumos e produtos, a falta de formação especializada em arboricultura e principalmente, a falta de um planejamento municipal adequado da “Arborização Urbana". Não há, portanto, uma ligação entre os elos dessa cadeia produtiva, que fortaleça o setor.

Para que a floresta urbana ou arborização urbana cumpra suas funções adequadamente, se faz necessário todo um cuidado, que se aplica, desde seu planejamento, gestão e um contínuo manejo, que atenda suas necessidades.

Os indivíduos dessa floresta devem ser tratados, respeitando-se a individualidade de cada árvore ou palmeira, aplicando-se cuidados especiais, referentes àquela espécie, à sua inclinação, à possíveis cavidades, à presença de doenças e pragas, deficiências minerais, dentre tantas outras características peculiares.

Devido ao fato dos exemplares da arborização urbana possuírem características únicas, requerem cuidados específicos e quase sempre, um manejo integrado, através da aplicação de condutas fitossanitárias adequadas e diversos outros tratamentos viáveis.

Para a identificação de tais fatores, se faz necessário, a realização de inventários quali-quantitativos ou de diagnósticos individuais, tarefas estas, que deveriam fazer parte do dia-a-dia das equipes de arboristas dos municípios brasileiros.

Em uma visão mais abrangente, essas ações estariam inseridas no planejamento da floresta urbana do município como um todo, abrangendo ainda, questões como: diversidade, sustentabilidade, identificação de locais de plantios, substituições, podas, manejos, capacitação de técnicos e operadores, dentre tantos outros.

No Brasil não existem normas regulamentadoras para acessar e/ou tratar as árvores, no entanto existem normas para o acesso do operador aos equipamentos urbanos com o uso de escada/cesto aéreo/cordas, fazendo com que a técnica de escalada segura não seja adotada como prática usual na arborização urbana, ferramenta indispensável para se realizar tratos culturais.

Floresta urbana

A floresta urbana é definida como sendo toda a cobertura arbóreo-arbustiva do perímetro urbano, isso inclui:
- a vegetação da arborização viária;
- os remanescentes florestais;
- as matas ciliares;
- os parques;
- as praças;
- os espaços livres;

Todos esses espaços proporcionam uma melhor qualidade de vida a seus habitantes, seja pelos benefícios ambientais, estéticos e psicológicos proporcionados.

Para tornarmos esses espaços integrados e usuais, a floresta urbana deve ser constantemente manejada e planejada, visando seu máximo vigor e sua sustentabilidade.

A grande concentração de pavimentos e construções nas cidades favorece a absorção de radiação solar diurna e a reflexão noturna, esse fenômeno é chamado de “ilhas de calor”, o qual provoca um diferencial térmico bastante significativo se comparado a locais vegetados.

Essa alteração no balanço de energia reflete a interferência humana na dinâmica dos sistemas ambientais. A concentração de construções e indústrias, o adensamento populacional, o asfaltamento e a poluição criam condições para alterar o comportamento da baixa troposfera nas cidades. Estudos mostram que as maiores diferenças de temperatura entre campo e cidade registraram 5ºC. Na cidade de São Paulo, entretanto, ultrapassam-se essas medidas, que alcançam um gradiente de temperatura superior a 10ºC entre área rural e centro, pois em locais onde a concentração de poluentes tem valores mais altos, ocorrem as mais elevadas temperaturas. As alterações climáticas mais significativas no ambiente urbano são a temperatura e a concentração de poluentes. É no centro das cidades, em locais pouco vegetados, que as temperaturas chegam a valores máximos, enquanto os valores mínimos são obtidos em áreas verdes e reservatórios d'água. Um dado importante é o fato de que com esse aumento de temperatura das áreas urbanas, ocorre diminuição da umidade relativa.

Os benefícios ambientais proporcionados pela arborização urbana são imensuráveis, principalmente se tratando de grandes centros urbanos. Pois as copas das árvores funcionam como verdadeiras caixas de água, liberando água para o ar, aumentando a sua umidade relativa e diminuindo a sua temperatura, além do sombreamento, que chega a ser de 70 a 98% da radiação solar, retenção de até 70% da poeira em suspensão do ar.

Dados apontam que uma árvore, isoladamente, pode transpirar em média até 400 litros de água por dia, o que equivale ao funcionamento de cinco condicionadores de ar com capacidade de 2.500 quilocalorias cada, acionados 20 horas por dia. Dependendo das posições das sombras das árvores, pode-se chegar a uma economia de energia elétrica demandada pelo aparelho de ar condicionado de 10 a 50%.

As árvores também amenizam os problemas da impermeabilização do solo, que interrompe todo o sistema hidrológico na área da cidade, tornando-a suscetível às inundações e enchentes. Visto que, retém por volta de 70% do volume da água da chuva.

Portanto, se todo o espaço viário, que abrange cerca de 20% do tecido urbano, fosse utilizado com árvores de porte que permitissem suas funções ambientais, teríamos outra qualidade de vida nas cidades.

A arborização ainda reduz a poluição sonora (diminuindo-a em até dez decibéis), reduz a poluição do ar (atuando como filtro de poluentes) e a poluição visual (melhorando o aspecto e a estética da cidade).

Desse modo o objetivo do planejamento da floresta urbana é chegar a máxima cobertura de copa, com o máximo vigor. A fim de proporcionar todas suas funções ambientais.

Conclui-se que a implantação de florestas urbanas, deve ser um objetivo estratégico para o Brasil.

Artigo publicado na 31ª edição (Abr/Mai 2011) da revista ProCampo
por eng. agr. Joaquim Teotônio Cavalcanti Neto
Arborista certificado BR 003A
Plant Care - Saúde de Plantas
plantcare@plantcare.com.br


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