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18.04.2011 - 11:40

Cultivo de uva nas regiões quentes do norte do Espírito Santo

As terras quentes do norte do Espírito Santo poderão acrescentar o cultivo da uva, na lista de oportunidades do seu agronegócio.

O pesquisador e professor Marcio P. Czepak e outros pesquisadores da Universidade Federal do Espírito Santo (Ceunes/Ufes), em São Mateus, estão desenvolvendo e adaptando tecnologias voltadas para o cultivo da fruteira fora das regiões temperadas.

Pesquisa

O objetivo do trabalho, segundo o pesquisador, foi testar vários cultivares e porta-enxertos de uva, sob as condições climáticas do norte do Estado, e com isso poder oferecer aos agricultores informações seguras da viabilidade do cultivo da uva, oferecendo assim uma nova e lucrativa oportunidade de renda ao produtor rural. As videiras que se destacaram no experimento, para a produção em clima tropical, foram as finas de mesa como a Rubi, Itália, Brasil e Red Gobe. As cultivares rústicas como a Niagara, Isabel e Bordo também se mostraram adaptadas. As condições climáticas locais apresentam algumas vantagens em relação às regiões tradicionais de cultivo como, possibilidade de duas colheitas no ano, uvas mais doces e maior precocidade que as cultivadas em clima temperado, com qualidade igual ou até superior.

“A uva é uma fruta típica de ambientes mais frios. Nosso trabalho foi identificar as videiras mais adaptadas e gerar tecnologia para o cultivo em ambiente tropical aqui do norte do Estado”, explica o pesquisador Dr. Marcio.

O cultivo da uva é uma realidade em várias regiões quentes do Brasil, sendo o nordeste brasileiro responsável pela produção das melhores uvas finas de mesa do Brasil, inclusive com qualidade que possibilita a exportação para vários países do mundo, portanto, não é uma novidade o cultivo da uva em regiões quentes, o que não existia ainda, eram pesquisas com a uva no norte capixaba.

Mercado

O estado do Espírito Santo consome aproximadamente R$ 10.000.000,00 em uva, sendo a terceira fruteira em valores, mais consumida. A maior parte da uva fina de mesa vem dos estados do Paraná, São Paulo, Bahia e Pernambuco. Portanto uma produção local poderá reduzir o envio de recursos para outros Estados, ampliando a geração de empregos no campo, assim como uma nova oportunidade de renda. Em um hectare (10.000 m2) e possível produzir ao redor de 30.000 kg por ano em duas safras. Outra grande vantagem é a proximidade entre produção e consumo o que pode resultar em uvas mais frescas, maior durabilidade da uva nas gôndolas dos mercados e frutas mais doces. Para serem transportadas a longas distâncias (uvas que vêm do nordeste ou sul do Brasil), não podem estar muito maduras, chegando sempre a mesa do consumidor uvas mais ácidas.

Outra oportunidade de negócio são as uvas tintas, tais como a Bordo e Isabel que também tiveram uma boa adaptação local, de onde podem ser extraídas a polpa. Como na região existem fábricas de sucos industrializados a produção local pode ser uma boa alternativa de fornecimento. Hoje, essa matéria-prima é trazida do Sul do país.

O cultivo

A produção de uvas é um bom negócio somente para viticultores profissionais. Não se admite amadorismo numa atividade tão concorrida como esta. O viticultor que não adotar uma visão empresarial não deve iniciar nesta atividade, pois está fadado a desaparecer ou ter grandes frustrações com a cultura. Como em qualquer negócio o lucro deve ser o fim a ser perseguido, respeitando o meio ambiente, a legislação e o ser humano, como funcionários parceiros ou consumidores.

Neste contexto o planejamento minucioso e a administração eficiente dos recursos são imprescindíveis para obter êxito na atividade. Também é fundamental uma boa orientação agronômica, com vistas à escolha dos melhores porta-enxertos. O uso de mudas já enxertadas, provenientes de outras regiões é um dos fatores de maior risco ao empreendimento, visto que existem nas regiões produtoras, de onde vêm estas mudas, muitas pragas e doenças que podem obrigar o agricultor a utilização de grande quantidade de agrotóxicos, assim como existem alguns problemas como a bacteriose que pode inviabilizar o cultivo.

Em cultivos comerciais não se utilizam mudas previamente enxertadas, o ideal é o plantio do porta-enxerto, proveniente de estacas (sem folhas e solo) que devem desenvolver durante um ano, e após este ano de campo é feita a enxertia  diretamente no campo, o que possibilita o desenvolvimento de plantas muito vigorosas, produtivas e com grande longevidade.

Quanto ao local é importante que não sejam solos encharcados nem muito arenosos, preferencialmente pequenas declividades. Quanto à fertilidade, não existe limitação, pois os solos da região podem ser facilmente corrigidos, no entanto devem ser evitados solos muito arenosos.

Apesar da cultura necessitar de pouca umidade, é muito importante a irrigação nos períodos muito secos.

A primeira produção é obtida com 2,5 anos do plantio dos porta-enxertos. O sistema de condução ideal é de latada ou caramanchão, podendo ser feitas duas colheitas na mesma área em um ano. A cultura tem uma vida útil de até 30 anos, existem relatos de cultivos com mais de 100 anos.

Quanto a mão-de-obra para o cultivo de 1 hectare, são necessários duas pessoas em tempo integral e eventualmente algumas diárias com mão-de-obra externa.

Tamanho do pomar

O tamanho ideal de um pomar comercial de videira é aquele que o viticultor consegue administrar bem, de maneira técnica e econômica. Deve ser definido a partir da análise da capacidade técnica, gerencial e de investimento do produtor, infra-estrutura de produção. A rentabilidade de um pomar bem manejado é geralmente mais alta do que a de um vinhedo muito grande e mal gerenciado. Áreas exageradamente grandes podem comprometer a capacidade financeira e gerencial e seguramente, produzirão uvas com baixa competitividade.

Por outro lado, um pomar muito pequeno proporciona baixo volume de receita e apresenta um custo maior de implantação, assim como a dificuldade por acesso a assistência técnica que será proporcionalmente mais cara, a subutilização de mão-de-obra e de infra-estrutura disponível, tornando a viabilidade ainda menor.

A área ideal para o viticultor iniciante, que vai trabalhar com a mão-de-obra familiar e contratar trabalhadores volantes nas épocas de maior necessidade, é de
1 hectare, podendo ser aumentada conforme o nível de experiência adquirido.

Artigo publicado na 31ª edição (Abr/Mai 2011) da revista ProCampo
por Marcio Paulo Czepak - Doutor em fitotecnia professor do Ceunes/Ufes São Mateus
marcioczepak@ceunes.ufes.br
Luiz Carlos Marozzi Zanotti - Aluno do programa de pós-graduação do Ceunes/Ufes São Mateus
Pablo Souto Oliveira - Aluno estagiário do Ceunes/Ufes São Mateus


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