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04.07.2011 - 09:32

O uso da "Cama de frango" como fertilizante

O manejo da cama de frango como adubo orgânico em lavouras e pastagens há muito tempo vem sendo incentivado por pesquisadores e técnicos.
Porém, um interesse ainda maior tem sido dado à questão, depois que, em 2004, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento proibiu a utilização desse subproduto de origem animal na alimentação de bovinos. Isso vem resultando em uma maior disponibilidade do produto no mercado. A cama de frango é o conjunto do material utilizado para forrar o piso dos galpões de granjas, que pode ser de palha de arroz, feno de capim, sabugo de milho triturado ou serragem, misturado com os dejetos, restos de ração e penas.
A proibição do produto na alimentação animal foi uma medida preventiva para se evitar os riscos potenciais da disseminação da doença da “vaca louca” que, na época, estava contaminando rebanhos em várias partes do mundo, especialmente na Europa. Segundo o agrônomo da Emater – MG, Walfrido Albernaz, na maioria dos casos de contaminação dos rebanhos, a origem foi a ingestão de proteína animal contaminada com o agente da doença.
“Assim, o combate ao uso da cama de frango como alimento de bovinos se tornou uma estratégia para se evitar a doença no país, já que na ração de aves existem componentes protéicos de origem animal, que podem ser fonte de contaminação da cama de frango gerada nos aviários”, explica o técnico. O Brasil nunca registrou um caso do mal da vaca louca.
Proibido na alimentação do rebanho bovino, foi necessário buscar alternativas para o aproveitamento seguro do resíduo produzido pela avicultura de corte. Para se ter uma idéia do volume, a quantidade de cama de frango gerada, após o ciclo de 40 dias de engorda de pintinhos, é de cerca de dois quilos por animal alojado. Um lote de 25 mil aves gera aproximadamente 50 mil toneladas de esterco.

Testes em campo

A Emater – MG em parceria com a Embrapa Milho e Sorgo, vem estudando o uso da cama de frango como fertilizante em lavouras de milho. Na safra passada, foram implantadas unidades demonstrativas em propriedades rurais dos municípios de Onça de Pitangui, Maravilhas e Florestal, regiões onde se concentra um grande número de granjas de frango de corte.
Foram testados três tratamentos distintos: adubação orgânica com cama de frango; fertilização mista, usando cama de frango e adubo químico, e apenas com fertilizante químico. Nas áreas onde a fertilidade do solo é média ou alta, a produtividade foi superior com o uso da adubação mista (cama de frango e superfosfato simples), em relação ao cultivo com adubação exclusivamente mineral (química).
Albernaz explica que a cama de frango, quando passou por um processo de compostagem, ou seja, foi decomposta antes de ser aplicada no solo, teve um efeito melhor para a lavoura do que quando foi aplicada “crua”. A cama de frango trouxe outros efeitos positivos, como a melhoria da capacidade de armazenamento de água no solo, pois as plantas adubadas com adubo orgânico resistiram ao veranico. Observou-se também o efeito residual do adubo orgânico pelas análises de solo realizadas pós-colheita do milho.
O Brasil importa atualmente cerca de 60% dos produtos usados na fabricação de adubos – fósforo, nitrogenados e potássio.

O que diz a lei

Através da Instrução Normativa (IN) nº 41, de 30 de outubro de 2009, foi proibida a utilização de alimentos feitos com subprodutos de origem animal, como cama de frango, na criação de ruminantes: suínos, bubalinos, caprinos e ovinos.

Matéria publicada na 32ª edição (Jun/Jul 2011) da revista ProCampo


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