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04.07.2011 - 10:05

O mamão no mundo, no Brasil e na Ceagesp: rápidas mudanças

Os dados coletados pela FAO (Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação) em 2008, último ano com dados completos, mostram que o mundo produziu mais de 10 milhões de toneladas de mamão. O Brasil detém a segunda colocação, colheu 1,9 milhões de toneladas, ou 18,71 por cento da produção mundial (Tabela 1). O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) registrou que em 2009 nossa produção foi de 1,79 milhões de toneladas de mamão, com amplo domínio da Bahia e do Espírito Santo na que colheram respectivamente 891 mil toneladas (49,72%) e 550 mil toneladas (30,68%) (Tabela 2). Na verdade há uma grande faixa continua produtora de mamão próxima aos litorais capixaba e baiano que vai das cercanias de Linhares no Espírito Santo até Porto Seguro na Bahia. Neste mesmo ano (2009) o Brasil exportou 27,55 mil toneladas de mamão o que corresponde a 1,47 da produção nacional (Aliceweb, 2011). Para comparação dos dados da FAO com o IBGE, o instituto brasileiro computa a produção de 2008 como 18,9 milhões de toneladas, dado bastante próximo ao da FAO. A FAO e o IBGE não contabilizam separadamente as áreas e produções dos mamões do grupo ”Solo” e do grupo “Formosa”.

A comercialização dos mamões no Entreposto Terminal de São Paulo (ETSP) da Companhia de Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp) é um interessante retrato da comercialização brasileira. Todas as notas fiscais recolhidas nas portarias do ETSP se tornam a fonte de dados do SIEM (Sistema de Informação e Estatística) da SEDES (Seção de Economia e Desenvolvimento), que registrou em 2010 no ETSP  a comercialização de 63,7 mil toneladas de mamão do grupo “Formosa”  e de 85,55 mil toneladas do grupo “Solo”, conhecido popularmente como “Havaí”, “Havaiano” ou “Papaia” .

Em 2009 foram 90,65 mil toneladas de “Solo” e 50,89 mil toneladas de “Formosa”, confrontando com os dados do IBGE estima-se que o ETSP comercialize aproximadamente oito por cento da produção brasileira de mamão, participação relativa que vem caindo um pouco ao longo dos últimos anos. O que se verifica no entreposto é certa estabilidade no volume do grupo “Solo” e um crescimento do “Formosa”. Desde 2007, primeiro ano de funcionamento do SIEM, o volume comercializado do grupo “Solo” sempre ficou muito próxima a 90 mil toneladas e o do “Formosa” passou de 52 mil toneladas em 2007 para quase 64 mil em 2010.  De acordo com o ranking 2009 da Ceagesp o mamão é o segundo produto em volume de comercialização, perdendo apenas para a laranja e o quarto em volume financeiro, movimentando 174 milhões de reais no ano retrasado.

Para o “Solo” a Bahia é a grande fornecedora para o ETSP com 75 por cento do volume total em 2010, o Espírito Santo vem logo a seguir com 24 por centro e o restante distribuído entre vários estados. Uma característica marcante da comercialização no ETSP é a grande preferência pelo 'Sunrise' e suas variações em detrimento do 'Golden'. Apesar do 'Golden' ter uma melhor resistência pós-colheita e uma menor ocorrência de manchas fisiológicas o sabor do 'Sunrise' é muito superior e grande parte dos varejistas paulistanos, como feirantes, hortifrútis e ambulantes possuem contato muito próximo ao consumidor e constatam que estes acabam rejeitando o 'Golden' pela maior dureza e menor conteúdo de açúcar da polpa.

No “Formosa” há uma inversão, o Espírito Santo é o principal foi o principal abastecedor 28,82 mil toneladas ou 45,63 por cento do total e a Bahia participou com 23,28 toneladas ou 36,85 por cento. Os envios capixabas saem quase todos da região dos municípios de Pinheiros, São Mateus e Montanha. É no “Formosa” que se nota uma rápida mudança do modelo de comercialização de mamão.  Em 2010, cento e dezessete municípios enviaram mamões “Formosa” ao ETSP, mas os dez maiores são responsáveis por dez por cento do total. Na Tabela 3 se observa um grande crescimento dos municípios do Oeste Baiano, de Baraúna no Rio Grande do Norte, de Jaíba no Norte Mineiro e uma decadência muito grande de Montanha (ES). Os produtores destes municípios emergentes trabalham de maneira totalmente distinta da grande maioria dos produtores capixabas.

Enquanto a maior parte das cargas do Espírito Santo vem com os frutos a granel na carroceria dos caminhões os produtores das áreas que estão emergindo colhem frutos mais maduros, classificam e embalam na origem, muitos em caixas de papelão ondulado bastantes atrativas, com rede de poliuretano protegendo os frutos que também são etiquetados com a marca do produtor. É sabido que o fruto do mamoeiro só acumula açúcar enquanto ligado à planta mãe, o arcaico sistema de transporte a granel exige a colheita de frutos colhidos ainda verdes e firmes e que, portanto ainda acumularam uma menor quantidade de açúcar. Já os frutos colhidos mais maduros, já começando a mudar a coloração, são muito mais saborosos e como possuem marca, os varejistas e consumidores os identificam como produtos superiores e com o tempo concluem que vale muito mais a pena levar um produto, que apesar de bem mais caro, é capaz de proporcionar muito mais satisfação. Em geral, os mamões embalados na origem conseguem um valor de venda entre cinquenta e cem por cento acima dos que chegam a granel e são embalados no entreposto. Esta é uma tendência geral para o mercado de frutas e hortaliças. E quem embala na origem vem ganhando terreno rapidamente.

Um caminhão de “Formosa” a granel demora mais de seis horas para ser descarregado, ocupando espaço no já tumultuado entreposto e se considera normais perdas ao redor de vinte por cento da carga. A descarga de “Formosa” é, sem dúvida, a maior geradora de lixo no ETSP e a paisagem ao redor da descarga a granel é deprimente.

No grupo “Solo”, como se demonstra na Tabela 4, o domínio é quase que total dos municípios baianos e capixabas da faixa litorânea do Norte do Espirito Santo e Extremo Sul da Bahia. Mas também, de pouco tempo para cá, vários produtores desta região e alguns também são atacadistas no ETSP, estão começando a trabalhar com embalagens de papelão ondulado do mesmo modo que os produtores de “Formosa” do Oeste Baiano e do Rio Grande do Norte.

 

 

 

Artigo publicado na 32ª edição (Jun/Jul 2011) da revista ProCampo
por Gabriel Vicente Bitencourt de Almeida
Engenheiro Agrônomo M. Sc. do Centro de Qualidade em Horticultura (SECQH) da Ceagesp
galmeida@ceagesp.gov.br


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