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04.11.2011 - 10:35

Em busca de alternativas

A história do cacau no Espírito Santo passa necessariamente por Linhares, município com 142 mil habitantes (IBGE, 2010), situado na região Litoral Norte, a 140 quilômetros de Vitória. Conhecida como a “Terra do cacau”, o município é o responsável por mais de 90% da safra capixaba. Difícil pensar na cidade sem antes não se lembrar do cacau, que faz com que o município seja conhecido e lembrado por todos.

Cultivado em solo aluvial às margens do rio Doce e no sistema de “cabruca”, que é o cultivo do cacaueiro em mata raleada (onde a floresta fornece o sombreamento), ainda hoje quase a totalidade das lavouras está sob esse método de cultivo. Entretanto, com a necessidade de ampliar a área produtiva e na esteira da rentabilidade do negócio cacau, novos cultivos estão emergindo em áreas não tradicionais. Pois é, quem diria que o solo de tabuleiro – latossolo vermelho amarelo distrófico – com sua reconhecida média/baixa fertilidade, dominante na maior parte da região norte capixaba, seria uma das alternativas de cultivo? Pois virou! Um dos responsáveis por tal feito é o Sistema Agro-florestal (SAF), definido como técnica alternativa de uso da terra, que implica numa combinação de espécies florestais com culturas agrícolas.

Visando obter mais renda na mesma área, esta é uma alternativa de como administrar de forma inteligente uma propriedade rural, explorando ao máximo o que ela tem a oferecer, isso sem contar a incessante busca por novas formas de rentabilidade do proprietário para permanecer na atividade!

Dia desses, o economista José Roberto Mendonça de Barros alertou: “A doença dos custos altos, comum no setor industrial, está chegando ao agronegócio”, disse. Para ele, problemas comuns no agronegócio, como logística ineficiente tem se somado a outros, como alta carga tributária, custo maior da energia elétrica e valor ascendente de mão de obra. É verdade. Com a rentabilidade cada vez mais restrita, o produtor rural tem partido em busca de alternativas que viabilizem um incremento financeiro para seu negócio.

Motivação

É importante lembrar que a motivação pelo consórcio seringueira x cacau, verificado nos últimos anos, foi proveniente dos resultados positivos alcançados em anos anteriores, quando os preços de ambos tornaram compensadores. Segundo a Cooperativa dos Produtores de Borracha do Espírito Santo – Coopbores, com sede em Linhares, no mês de setembro de 2011 o preço recebido pelo produtor foi de R$ 3,40 por quilo para o cernambi virgem prensado (CVP). Acrescente-se que, para o aumento da área de cacau, os fatores que mais contribuíram foram a recomendação de clones produtivos e tolerantes ao fungo causador da “vassoura de bruxa”, a partir de trabalhos conduzidos pela Ceplac, além do alto valor comercial da amêndoa ditado pelo aumento do consumo na alimentação humana em todo o mundo, conforme citado acima.

Com a experiência acumulada ao longo de muitas décadas, o engenheiro agrônomo Paulo Roberto Siqueira, gerente regional da Ceplac em Linhares, assevera: “o cacau em meio às seringueiras só agrega benefício, vez que melhora as condições do solo, com maior reciclagem de nutrientes e melhora o aproveitamento residual dos fertilizantes com o uso racional da mão de obra”, ensina o agrônomo, entusiasmado. Segundo ele, no sistema SAF, com esses materiais altamente produtivos e usando a tecnologia disponível, o cacaueiro tem capacidade de produção em torno de 200@ por hectare/ano, a partir do 5º ano.

“Outros projetos semelhantes mobilizam outros produtores, à exemplo do sítio Calli, do deputado José Carlos Elias, também de Linhares, que possui 10,0 hectares cobertos de seringueira com cacau”, explica o gerente.

Conceito em prática – SAF com plantio de seringueira e cacau

Nos últimos cinco anos, a produtora Gicelda Barcelos Bizi vem adotando o SAF em Linhares. No seu sítio no Córrego do Farias, o sistema vem sendo usado em 50 hectares. Uma parceria com o agrônomo Johnnes foi constituída para ter a assessoria de um profissional. Como se verifica no croqui anexo, o sistema consiste no plantio da seringueira, em renques duplos (fileiras duplas), como forma de possuir a densidade populacional equivalente a monocultivo (500 plantas por hectare), e entre ela, foram introduzidas as linhas de plantio de cacau.

“O projeto foi implantado em duas etapas, a primeira em janeiro de 2006 e o restante a partir de março de 2008. Hoje, a produtora Gicelda possui 50,0 hectares com o cultivo irrigado de seringueira consorciado com o cacau. A expectativa é muito positiva”, observou o agrônomo da NR Consultoria, Johnnes Neitzel Lemke, responsável técnico pela implantação e condução do projeto.

De acordo com Johnnes, são 25 mil plantas de seringueira dos clones Fx 3864 (50%), RRIM 600 (25%) e o restante dividido entre os clones SIAL 893 e PR 255 e 50 mil plantas de cacau dos clones CCN 51, PH 16 e CEPEC 2002.

“Futuramente há boas perspectivas na estabilidade da produção de cacau, mesmo que ele não potencialize o máximo da produção em função da sombra. A expectativa é de uma produtividade esperada de 30 a 40 sacas pro hectare/ano – de 120 a 160@)”, prevê Johnnes.
Sugestão: para quem está começando ou pretende investir no consórcio SAF, o aconselhável é buscar auxílio profissional.

Matéria publicada na 34ª edição (Out/Nov 2011) da revista ProCampo
por Antonio de Pádua Motta
Produtor rural e editor da revista ProCampo
apmotta@revistaprocampo.com.br


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