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04.11.2011 - 11:06

Fusariose da pimenteira-do-reino é controlável com nim indiano

Pesquisa comprova que o uso de folhas de nim aplicadas na formação das mudas é 100% eficaz no controle da doença

Uma especiaria famosa mundialmente, um fungo fatal louco por ela, as folhas que combatem o mal: a trama de uma nova tecnologia. Pode parecer, mas não é um enredo de ficção científica. Embora o teor dessa história seja de cunho científico, remete a reais resultados de pesquisa, considerados dos mais impactantes e inovadores no universo da pipericultura nacional dos últimos tempos.

A citação entre aspas reproduz uma das mensagens postadas no perfil da Embrapa Amazônia Oriental (Belém/PA) no Twitter, em junho de 2011, durante a campanha de divulgação do lançamento da metodologia que utiliza folhas de nim indiano no controle alternativo da fusariose em mudas de pimenteira-do-reino (Piper nigrum L.), uma planta também de origem indiana.  

É uma metodologia sem similar no mundo. Nunca antes se usou o nim dessa forma, associando-o ao controle de doença da pimenteira-do-reino. A mistura de folhas trituradas de nim (Azadirachta indica A. Juss.) no solo onde as mudas crescem permite que sejam transplantadas para o campo totalmente livres da fusariose. As mudas sadias, associadas a boas práticas de cultivo, otimizam a vida útil do pimental.

É uma tecnologia limpa, orgânica, de aplicação simples. Além de permitir a implantação de novos pimentais com material propagativo sadio, retarda o aparecimento natural da fusariose no campo e diminui sua disseminação para novas áreas de plantio.

A fusariose é causada por um fungo presente no solo, o Fusarium solani f. sp. piperis. Também chamada de podridão de raízes, a doença atormenta os pipericultores brasileiros há 50 anos. Detectável em quase todos os cultivos, dizima pimentais e causa prejuízos que não ocorrem no exterior, pois em outros países produtores está sob controle.

O fato de não haver cultivares comerciais resistentes, nem tratamento químico eficaz contra o fusarium, potencializa ainda mais os benefícios da nova tecnologia, especialmente para agricultores familiares e pequenos produtores (a grande maioria dos pipericultores do Brasil) porque, além de comprovadamente eficaz, é metodologia de baixo custo de adoção.

A eficácia do nim

“O uso de folhas de nim indiano é 100% eficaz no controle da fusariose quando aplicadas na formação das mudas”, afirma Célia Regina Tremacoldi, engenheira agrônoma, doutora em Fitopatologia, pesquisadora da Embrapa Amazônia Oriental e responsável pela tecnologia.
A pesquisadora revela que a vida útil de um pimental pode ser superior a 12 anos, mas em áreas de fusariose não tem passado de cinco ou seis anos. “Se as mudas forem transplantadas doentes, esse tempo diminui mais ainda: já no primeiro ou, no máximo, segundo ano o produtor perde metade do plantio”, alerta.

O benefício do nim indiano não se restringe a livrar as mudas do ataque do fungo responsável pela fusariose. Além de proteger contra a doença, faz com que as mudas se desenvolvam melhor e fiquem mais fortes que outras preparadas sem nim.

“O controle total da doença nas mudas já ocorre com 10g/l de folhas de nim frescas ou secas trituradas incorporadas no solo. Mas recomenda-se a incorporação de 50g/l por promover, além da proteção à doença, um melhor desenvolvimento das mudas”, esclarece Célia Tremacoldi.
O uso do nim indiano no controle de pragas, especialmente insetos nocivos, tem sido mais estudado e praticado do que no controle de doenças das plantas. “As poucas pesquisas disponíveis sobre nim no combate a doenças de plantas estão concentrados mais na última década”, informa a fitopatologista, que com seus experimentos tornou-se pioneira no uso do nim associado à pimenteira-do-reino para controlar a podridão das raízes nas mudas de Piper nigrum L.

Panorama da pipericultura

- O Vietnã é hoje o maior produtor e exportador de pimenta-do-reino, seguido da Índia, do Brasil e da Indonésia.

- Em 2010, de acordo com dados do IBGE, o Brasil produziu 50 mil toneladas de pimenta seca, colhidas em 22.912 hectares (ha), com produtividade média de 2,19 kg/ha.
 
- O mapa da pipericultura nacional aponta o Pará como o maior produtor brasileiro, com cerca de 80% da produção. O Espírito Santo ocupa o segundo lugar, com 10% da produção. Bahia, Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro, juntos, detêm os outros 10%.

- O município brasileiro campeão na produção de pimenta-do-reino é São Mateus, localizado no norte do Espírito Santo, região que abriga o polo estadual da pipericultura, onde também são expressivos os municípios de Jaguaré, Linhares e Nova Venécia.

- Segundo dados fornecidos pelo Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência e Extensão Rural - Incaper, a produção de pimenta-do-reino no Espírito Santo cresceu 10% de 2006 até 2011, chegando às atuais 8.421 toneladas/ano produzidas em 2.308 ha. A pimenta-do-reino é o terceiro produto do PIB capixaba.

Matéria publicada na 34ª edição (Out/Nov 2011) da revista ProCampo
por Izabel Drulla Brandão
Jornalista, Analista da Embrapa Amazônia Oriental, Belém, PA.
izabel@cpatu.embrapa.br


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