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de 2017.   51ª Edição (Agosto/Setembro)  
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15.03.2012 - 14:27

Efeito do Mathury na uniformidade de maturação do cafeeiro

O café arábica apresenta ciclo fenológico com as fases de florescimento e maturação ocorrendo em épocas que variam em função das condições da região de cultivo. Além dos problemas climáticos, lavouras adensadas e aquelas plantadas em altas altitudes apresentam maturação desuniforme.

A colheita manual do café é operação onerosa, demorada e altamente dependente de mão-de-obra, consumindo entre 30% e 40% do custo total de produção. Já a colheita mecanizada, reduz em até 60% esse custo, com a vantagem de obter um produto de melhor qualidade. Entretanto, para adotar a colheita mecanizada é fundamental que a maturação dos frutos seja uniforme, a fim de evitar a necessidade de sucessivos repasses, resultando em elevação de custos.

Um dos fatores determinantes na colheita do café é a uniformidade da maturação, pois esta define o rendimento da colheita e, na maioria das vezes, a qualidade da bebida. Os melhores resultados da bebida são obtidos quando se processa o café cereja, ou seja, fase correspondente ao ponto certo da maturação total dos frutos, no qual a casca, a polpa e a semente se encontram com a composição química adequada para proporcionar ao fruto o máximo de sua qualidade.

A cadeia produtiva do café tem preconizado aspectos de qualidade dos frutos e da bebida, tendo havido nos últimos anos aumento da demanda por cafés de qualidade superiores e cafés especiais, na qual o mercado paga uma agregação de valor por esses produtos de melhor qualidade.

Assim, de modo a atender essa demanda e obter um maior retorno financeiro, o produtor deve planejar a operação da colheita, lançando mão de ferramentas que contribuam para facilitar o escalonamento da colheita e a obtenção de maior volume de café cereja e com isso maiores volumes de cafés descascados/despolpados.

A cada ano que passa na época da colheita, aumentam as dificuldades para o produtor conseguir colher o café maduro (escassez de mão de obra, problemas na contratação e transporte de trabalhadores rurais, dificuldade para mecanização da colheita etc.) e com isso fazer cafés de qualidade superior e obter maior retorno financeiro.
Alguns dos principais processos que ocorrem durante o amadurecimento dos frutos do café são: síntese de etileno, diminuição da força de tração dos frutos, formação de pigmentos (antocianinas), aumento da acidez, degradação da clorofila, aumento no teor de sólidos solúveis totais, aumento no teor de açúcares solúveis totais do pericarpo, aumento da respiração e no teor de nitrogênio total.

Um procedimento utilizado na cultura cafeeira visando a antecipação da maturação dos frutos, bem como a sua uniformização (a desuniformidade de maturação dos frutos relaciona-se diretamente com a qualidade de bebida) foi a aplicação de um precursor do etileno (ethephon) quando as sementes atingissem a maturidade fisiológica. Contudo, a antecipação da maturação dos frutos (da polpa – “casca”) em nada contribui para a qualidade da bebida, onde uma semente imatura colhida em um fruto maduro continuará produzindo uma bebida de baixa qualidade.

Nos últimos anos surgiu no mercado um novo produto (Mathury) com modo de ação diferenciado comparado aos demais, pois em vez de aumentar a síntese de etileno (hormônio responsável pela maturação e senescência de folhas e frutos) na planta, este a reduz.
O Mathury é um produto a base de acetato de potássio (quelato potássico) que atua diminuindo a produção do etileno na planta, assim, os frutos que estão em estádios mais avançados na maturação tem a produção de etileno reduzida e os frutos mais atrasados (verdes) continuam normalmente o processo de amadurecimento. Após o período residual do produto, a produção de etileno é retomada e a maturação continua e com isso maior percentual de café cereja é obtido.

Com o objetivo de avaliar o efeito do Mathury na uniformidade de maturação do cafeeiro, experimentos (1, 2 e 3) e unidades demonstrativas (4 e 5) foram instalados em vários locais nos Estados de Minas Gerais e Espírito Santo, sendo eles:
1) Sítio Boa Vista, Manhuaçú – MG: Lavoura adulta, catuaí vermelho, esqueletada, 2 x 1m; aplicação com pulverizador costal 24/06/11, colheita 08/09/11; dose 6 litros/ha.
2) Fazenda Cachoeira Alegre, Ibatiba – ES: Lavoura adulta, catuaí vermelho, recepada (catação), 3 x 1,2m; aplicação com pulverizador costal 22/06/11, colheita 25/08/11; dose 5 litros/ha.
3) Fazenda Uliana, Brejetuba – ES: Lavoura adulta, catuaí vermelho, recepada (catação), 3 x 1m; aplicação com pulverizador costal 23/06/11, colheita 12/08/11; dose 5 litros/ha.
4) Fazenda Baixadão, Caratinga – MG: adulta, catuaí vermelho, recepada, 3 x 1,5m; aplicação com canhão 19/03/11, colheita 21/06/11; dose 5 litros/ha, área tratada 5 ha.
5) Fazenda Córrego das Pedras, Três Pontas - MG: Mundo Novo, 12 anos, 3,7 x 0,9 m, aplicação com canhão 20/01/11 e 31/03/2011, colheita 21/06/11; dose 2,5 + 2,5 litros/ha, área tratada 01 ha.

Nas áreas experimentais, o delineamento utilizado foi o inteiramente casualizado, com dois tratamentos, parcelas de 05 plantas com 5 repetições, com volume de calda de 400 litros/há, sendo a colheita realizada de acordo com a maturação ou necessidade do produtor, tendo sido retirada uma amostra de 02 litros/parcela para avaliação do percentual de maturação (tabela 01). Os resultados das variáveis avaliadas foram submetidos à análise de variância pelo programa de análise estatística SAEG.

Na primeira área, a colheita foi realizada 75 dias após a aplicação, tendo a aplicação do mathury proporcionado 22% a mais de café cereja e tendo reduzido em 20% o volume de café bóia comparado à testemunha.
 
Nas áreas experimentais 02 e 03, ambas lavouras recepadas na primeira produção (catação) apresentavam alta desuniformidade na maturação, devido à mesma ter dado três floradas. A terceira florada foi a maior, tendo resultado no maior percentual de frutos verdes na colheita. Entretanto, na colheita realizada 63 e 50 dias após a aplicação, o tratamento com mathury reduziu em 25% e 14%, respectivamente, o volume de café bóia comparado à testemunha. Contudo, ambas as lavouras apresentavam alto percentual de grãos verdes, podendo então aguardar um período maior para realizar a colheita visando maior percentual de cereja.
Nas lavouras das unidades demonstrativas, áreas 4 e 5, a aplicação do mathury proporcionou uma colheita com até 80% de café cereja, tendo reduzido em até 35% o volume de café bóia comparado à testemunha.

As amostras de café obtidas da lavoura em Três Pontas (área 05) foram enviadas para Lavras – MG (UFLA) para realizar a classificação por tipo e bebida. A área onde o mathury foi aplicado resultou num café de melhor aspecto, tendo apresentado menor número de defeitos comparado a testemunha.

Os resultados obtidos nestas áreas experimentais e em outras áreas comerciais avaliadas demonstram a eficiência do Mathury em proporcionar maior volume de café cereja na colheita, reduzindo o café bóia. Aplicações programadas do produto em diferentes talhões com diferentes doses possibilita ao produtor um escalonamento da colheita, proporcionando obtenção de maior volume de café cereja durante toda a colheita. Além disso, pode contribuir para melhoria da qualidade da bebida, reduzir a desfolha das plantas e redução de custos com a varrição.

Artigo publicado na 36ª edição (Fev/Mar 2012) da revista ProCampo
por Dimmy Herllen S. Gomes 1 e Dênnys Silveira G. Barbosa 2
1 - Eng. Agrônomo, D. Sc./ Pesquisador da Embrapa Mandioca e Fruticultura (dimmybarbosa@hotmail.com)
2 - Eng. Agrônomo/ AGROSA – Agropecuária Barbosa LTDA, Iúna – ES (agrosaagropecuaria@gmail.com)


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