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15.03.2012 - 14:42

Estudo fortalece o desenvolvimento da fruticultura no Espírito Santo

Um estudo apresenta números que coloca a produção de mamão na Região Norte do Espírito Santo em uma área de baixa prevalência de moscas-das-frutas de acordo com o nível de segurança estabelecido pelas Normas Internacionais Fitossanitárias da Convenção Internacional de Proteção dos Vegetais da Organização das Nações Unidas para Agricultura Alimentação (FAO). O autor da tese, Dr. David dos Santos Martins, é pesquisador do Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper), destaca que o objetivo principal é auxiliar no desenvolvimento, não só da produção de mamão, mas da produção de diversas frutas no Estado, funcionando como suporte para o programa estadual de fruticultura e do desenvolvimento dos pólos de frutas nas regiões capixabas.

A tese de doutorado com o tema “Diversidade, distribuição geográfica e hospedeiros de moscas-das-frutas (Diptera: Tephritidae) no Estado do Espírito Santo, Brasil”, foi apresentada à Universidade Federal de Viçosa (UFV), em maio deste ano. Principal causa fitossanitária de perdas a produção mundial de frutas e de impedimento da comercialização de frutas in natura entre os países, as moscas-das-frutas, foram pesquisadas em 74 dos 78 municípios do Espírito Santo, onde foram constatadas 41 espécies, sendo o estado com maior diversidade de moscas-das-frutas constatada no Brasil. As pesquisas foram realizadas ao longo de 17 anos, nas diferentes regiões do Estado, sendo atualmente o Estado com maior número de informações sobre espécies, à frente de São Paulo com 35 espécies do inseto, que é o segundo na lista.
 
As pragas estudadas são importantes na produção de goiaba, laranja, pêssego, tangerina, pitanga, caju, manga, acerola, jabuticaba, maracujá, caju, seriguela, carambola, mamão, entre outras frutas produzidas no Brasil. Nesse estudo foram identificadas no Estado 52 espécies de frutíferas que são infestadas por esse grupo de praga. As moscas das frutas além de danificarem os frutos e os tornarem impróprios para o consumo, também causa a sua queda precocemente da planta e impedem o seu aproveitamento para a indústria. As perdas em consequência dessa praga nas duas últimas safras de laranja de Jerônimo Monteiro foram superiores a 50%, segundo os produtores da região.
“Depois deste estudo vai ser possível a implantação de um pólo de frutas em determinada região do Estado, apontado a viabilidade de acordo com a ocorrência de moscas de cada município ou região, prevendo futuros problemas com esse grupo de pragas, e assim, antecipar as recomendações técnicas para minimizar as perdas na produção”, explica o pesquisador do Incaper.

O grau de infestação desta praga nos cafezais do Espírito Santo também foi avaliado e constatatou-se que o café arábica, diferentemente do Conilon, é altamente suscetível a infestação. Apesar de não afetar a produção de café, as moscas-das-frutas, derruba os frutos “cereja”, altera a qualidade do grão e serve de multiplicador da praga, provocando grandes prejuízos às lavouras de frutas próximas aos cafezais, como ocorre nos plantios de laranja e ponkan na região Serrana do Estado. Como a resistência do café conilon às moscas-das-frutas é física, as variedades clonais com grãos maiores também são infestadas pela mosca.
Um outro ponto importante da pesquisa do pesquisador David Martins, está relacionada a doença da meleira do mamão. Durante os estudos constatou-se que o fruto somente era infestado pela Mosca-da-fruta, após quatro semanas depois de apresentar os primeiros sintomas da doença. “Este estudo é importante para mostrar aos compradores internacionais, que não há risco da entrada das mosca-das-frutas em seu país junto com o mamão produzido no Estado”, frisa o pesquisador.

Ele acrescenta que os Estados Unidos gastam cerca de US$ 100 milhões/ano para proteger a sua agricultura dessa praga, impondo severas restrições quarentenárias para evitar a reentrada da praga para o no país, porém a defesa natural existente no fruto de mamão sadio impede a infestação do fruto no estágio em que é colhido e comercializado, só sendo infestado maduro, quando o fruto não é mais comercial. Mesmo os frutos doentes com a meleira, após o aparecimento da doença na planta, leva um mês para ser infestado. Porem frisa que a fase inicial da doença, na qual é possível perceber o começo dos sintomas na planta, deve ser utilizado pelos produtores para erradicar a planta da lavoura, que é o único meio para evitar que a doença se dissemine na lavoura.

Baixa prevalência das moscas-das-frutas

De acordo com as Normas Internacionais de Medidas Fitossanitárias da FAO, nas áreas de produção de mamão, do Norte do Estado, a densidade populacional de moscas-das-frutas é naturalmente muito baixa durante todo o ano. Essa condição confirma que o mamão é cultivado em área de baixa prevalência da praga (ABP) e, portanto, com forte indicativo para o estabelecimento de uma ABP de moscas-das-frutas. A nossa expectativa é que com a ABP diminua o grande número de exigências do governo americano para os produtores e exportadores capixabas, diminuindo significativamente o custo de produção das lavouras do Programa de Exportação do Mamão para esse país, diz David Martins.

Quatro novas espécies

Entre os 222.333 espécimes de moscas-das-frutas examinados durante a pesquisa foram encontradas quatro novas espécies do gênero Anastrepha, sendo elas, Anastrepha linharensis, Anastrepha atlantica, Anastrepha martinsi – nome em homenagem ao pesquisador e autor da tese e pelo reconhecimento aos trabalhos que desenvolve no Estado com esse grupo de pragas, e Anastrepha glochin. As novas espécies foram descritas pela Dra. Keiko Uramoto e Roberto Antônio Zucchi, do Departamento de Genética e Biologia Evolutiva do Instituto de Biociências, da Universidade de São Paulo, e publicadas, recentemente, na conceituada revista Zootaxa, da Nova Zelândia, que é um dos periódicos mais utilizados pelo meio científico para esse tipo de divulgação.

Matéria publicada na 36ª edição (Fev/Mar 2012) da revista ProCampo
por Assessoria de Comunicação – Incaper
comunicacao@incaper.es.gov.br


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