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15.03.2012 - 15:01

Pecuária de leite: Perspectivas 2012 e balanço 2011

Custos de produção de leite continuarão elevados em 2012

Com a ameaça de uma nova crise econômica mundial, o produtor de leite deverá redobrar a atenção sobre os procedimentos gerenciais da propriedade. A perspectiva para o mercado lácteo em 2012 acentua a volatilidade dos preços das principais commodities lácteas e mantém os custos de produção em alta.

Após forte elevação nos custos de produção em 2011, tudo indica que o próximo ano seguirá a mesma tendência. Os gastos com mão de obra e ração concentrada correspondem a basicamente por 50% dos custos de produção do leite. Para 2012, o aumento previsto para o salário mínimo é de 14%, o valor subiria dos atuais R$ 545 para R$ 622, já a partir de janeiro. Esta situação se agrava ainda mais, com a baixa oferta de mão de obra no campo, devido principalmente a intensificação nas obras para a copa do mundo em 2014.

Os preços da ração terão grande influência do consumo de etanol e biodisel, que crescem a uma taxa anual de 3%, enquanto a produção de grãos aumenta em torno de 1% ao ano. Somente os Estados Unidos irão utilizar 40% de sua safra de milho para a produção de etanol. Aliado a esse fato, some-se a uma redução na produção de soja segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). Com isso, espera-se que os preços da ração continuem em alta, uma vez que o milho e o farelo de soja são os principais componentes deste insumo.

Em relação aos preços do leite no Brasil, dois fatores terão grande influência: o comportamento dos preços das principais commodities lácteas no mercado internacional e o consumo interno. No final de 2011, os preços do leite em pó seguiram em tendência de queda, devido ao ajuste da oferta e da demanda no cenário mundial. Tal comportamento é esperado para o primeiro semestre de 2012, principalmente com a retração no consumo em países desenvolvidos ligados a região da crise econômica e recuperação da produção de leite de grandes importadores como a Rússia. A expectativa é que os preços se estabilizem entre os USD 3.000 a USD 4.000 a tonelada, ditados principalmente pelas importações da China.

Quanto ao consumo interno, este ainda continuará sendo o principal trunfo do Brasil. Com a previsão de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 3,5% de acordo com o Banco Central, espera-se que a demanda nacional siga firme em 2012, especialmente para os produtos de maior valor agregado, como queijos, iogurtes e leites fermentados que possuem maior elasticidade renda da demanda. A valorização do câmbio nacional é um ponto que preocupa o setor, pois quanto mais apreciado maiores serão as importações, devido à elevada competitividade cambial das indústrias estrangeiras.

Por fim, o ano 2012 indica que o mercado lácteo será cercado de incertezas econômicas que provocarão grandes volatilidades nos preços das commodities lácteas e nos grãos que compõem a ração concentrada. Os efeitos da nova crise econômica são esperados com menor impacto que os observados em 2008/2009. Dessa forma, resta ao produtor de leite buscar equilíbrio nos custos de produção sem perder eficiência técnica.

Balança Comercial de Lácteos em 2011 se assemelha a valores da década de 90

Com déficit de USD 488,1 milhões em 2011, a balança comercial de lácteos apresentou o pior resultado desde a década de 90, período em que o Brasil figurava entre os principais importadores de lácteos do mundo e sofria práticas desleais de comércio, como o dumping. A elevação nos preços das principais commodities lácteas e a valorização do real frente ao dólar foram os principais responsáveis por este fato.

Em 2011, o país importou 166,7 mil toneladas de produtos lácteos, quantidade 47,4% superior ao mesmo período de 2010. O leite em pó foi responsável por 52% do volume das importações somado a um incremento nos preços de 18%, variação semelhante a encontrada pelo USDA, cuja a cotação média do leite em pó integral e desnatado na União Européia e Oceania foi de USD 3.844/tonelada até novembro, 17,4% maior que o preço médio de 2010.

A forte demanda por produtos lácteos, impulsionada principalmente por países asiáticos como China, Indonésia, Coréia e Índia, e também pela Rússia, aumentaram em 5% o volume comercializado em 2011, segundo o relatório da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO). Após o escândalo da contaminação do leite com melamina em 2008, a China voltou a ter problemas com a segurança alimentar, o que elevou as compras de leite em pó contribuindo para a melhoria dos preços no cenário internacional. Segundo o USDA, a previsão é que a China importe 430 mil toneladas em 2011, quantidade 34,4% maior que 2010.

 

No Brasil, a forte valorização da moeda nacional contribuiu para o favorecimento das importações e redução das exportações. Em 2010, o dólar apresentou cotação média de R$ 1,76, ao passo que até novembro este valor era de R$ 1,65. Segundo o Índice Big Mac calculado pela revista The Economist, o real apresentou valorização de 51,35% frente ao dólar, o que tornou os produtos lácteos produzidos principalmente no Mercosul mais atrativos que a matéria prima nacional.

Não obstante a elevação das importações, os produtores de leite tiveram que conviver com aumento nos custos de produção. Segundo o Índice divulgado pela Embrapa Gado de Leite o incremento foi de 19% em 2011 frente a 2010. A alta nos valores da ração concentrada e dos fertilizantes contribuiu para piorar a relação de troca, no caso do milho, principal ingrediente da ração, foi necessário um volume de leite 19% maior para se adquirir a mesma saca de 60 kg comprada em 2010.

De acordo com Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea- ESALQ/USP), o preço médio do leite pago ao produtor de janeiro a dezembro de 2011 foi de R$/L 0,83 , sendo que este valor, quando deflacionado pelo IGP-DI, apresenta aumento de 8,1% em relação a 2010, variação menor que a proporcionada pelo custo de produção. Esta situação gerou desestímulo à produção de leite que, segundo o Índice de captação do Cepea, até novembro de 2011, foi 2,3% menor que o ano passado, apesar da Pesquisa Trimestral do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) ter contabilizado crescimento de 3,3% na produção inspecionada no primeiro semestre de 2011.

Do lado da demanda interna, o crescimento econômico do país contribuiu para manter o ritmo de 2010, estima-se que o consumo aparente encerre o ano em 165 litros/habitante/ano. Vale salientar que o comportamento dos preços no atacado e no varejo foi de suma importância para a elevação deste indicador. Analisando o gráfico 2, que apresenta a variação mensal dos principais produtos lácteos no varejo, observa-se que em 2011 não houve elevações abruptas nos preços dos lácteos, diferente dos anos de 2009 e 2010, quando o leite fluído apresentou valores máximos de 12% e 7,9% respectivamente, ocasionando redução nas compras devido ao elevado aumento de preços. Outro ponto que contribuiu para esse fato foi o pico da cotação do leite longa vida no atacado chegar somente em agosto, diferente de 2010, quando o mesmo valor foi cotado pela primeira vez em abril, segundo dados do Cepea.


Artigo publicado na 36ª edição (Fev/Mar 2012) da revista ProCampo
por Assessoria de Comunicação da CNA - Confederação da Agricultura
e Pecuária do Brasil
fabiola.salvador@cna.org.br


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