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29.05.2012 - 09:41

Viva a agroecologia

Não se pode negar que a agricultura convencional dita “moderna” contribui para o aumento da produção mundial de alimentos em decorrência do grande aporte tecnológico. O aumento da produtividade notada principalmente nos cultivos de grãos, com destaque para milho e soja inseriu o Brasil como um dos grandes exportadores de alimentos. Os avanços na biotecnologia vegetal, em especial a transgenia, são responsáveis pelo lançamento de variedades cada vez mais produtivas, resistentes a agrotóxicos, a insetos-praga, as doenças e, enriquecidas com vitaminas. Apesar dos aparentes ganhos, esse modelo não contabiliza o custo ambiental e social que estamos pagando e deixando um legado sombrio para as futuras gerações. Se por um lado essas tecnologias são propaladas por seus defensores como um verdadeiro milagre, por outro são extremamente exigentes em insumos, gerando um modo de fazer agricultura extremamente artificial e que inclui: A utilização massiva de agrotóxicos e fertilizantes químicos sintéticos, água em abundancia, alem de subsídios financeiros generosos, sem o qual o modelo de agricultura não se sustenta para dar as respostas necessárias em produtividade máxima e lucro rápido.
Dados a Agencia Nacional de Agua – ANA apontam que a agricultura utiliza 70% da água que é bombeada de rios, lagos e aquiferos no mundo. As áreas irrigadas triplicaram entre os anos de 1950 e 2003. Apesar de apresentarem pouca eficiência na conversão de água em alimentos os sistemas intensivos de irrigação continuam a ser utilizados.
Contaminações por agrotóxicos nos alimentos são cada vez mais freqüentes e seus efeitos nocivos no meio ambiente e na saúde humana ficam cada vez mais evidentes através de pesquisas conduzidas por instituições respeitadas. Exemplo disso é o trabalho coordenado recentemente pelo Professor da Universidade Federal do Mato Grosso, Wanderlei Pignati, que estudou os impactos do uso de agrotóxicos na saúde do meio ambiente da região Centro-Oeste. O estudo revelou uma grave contaminação por agrotóxicos no leite materno de mulheres da cidade de Lucas de Rio Verde. Foram encontrados resíduos de treze moléculas de agrotóxicos e entre 13 e 100% das amostras de leite materno estavam contaminadas. Segundo o pesquisador, o leite contaminado é ingerido pelos recém nascidos que são mais vulneráveis aos agentes químicos. Já há evidencias cientificas que relacionam essa contaminação com malformações fetais.
O contraponto ao modelo de agricultura vigente, causa de alguns exemplos de degradação ambiental listados acima, é a Agroecologia. Uma ciência em construção que procura a reconciliação entre a agricultura e natureza, ou como diz o pesquisador Paulo Petersen, a desindustrialização da agricultura. O principio básico é a redução de emprego de energia baseada em combustíveis fósseis e recursos naturais finitos. Articulam-se de modo inteligente os recursos naturais através da valorização do saber local, da ecologia e do saber científico. De uma maneira geral, se pretende manejar o agroecossistema alterando positivamente sua biodiversidade. Dentro deste enfoque podemos ter a biodiversidade planejada e a biodiversidade associada. A primeira refere-se as espécies inseridas no sistema com propósitos econômicos. A segunda ocorre naturalmente no sistema e no seu entorno. No enfoque agroecológico as espécies que ocorrem naturalmente não são encaradas como empecilho, e que devem ser eliminadas por meios mecânicos ou químicos, mas suas funções ecológicas são aproveitadas para a regeneração da fertilidade do solo ou potencializando interações benéficas no agroecossistema. Essas interações promovem dentre inúmeros benefícios, o aumento hídrico, a regulação biótica e a ciclagem de nutrientes. O resultado da agricultura conduzida pelos princípios agroecológicos é a sustentabilidade ambiental não somente na produção de alimentos saudáveis, mas também no respeito aos limites da natureza.

Agroecologia no Espírito Santo

No Espírito Santo, os trabalhos envolvendo os princípios agroecológicos não são recentes. Algumas experiências são desenvolvidas por organizações não governamentais como a Associação e Programas em Tecnologias Alternativas – ASPTA.  Essas experiências são conduzidas por agricultores familiares, principalmente em cultivos de hortaliças, café e sistemas agroflorestais. Uma das mais exitosas são realizadas pelo Instituto Capixada de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural – Incaper. A mais de 15 anos o Incaper conduz pesquisas que comprovam a viabilidade da utilização dos princípios agroecologicos em sistemas de produção agrícola e animal. Já ficou comprovado que há redução no custo de produção e melhoria das condições físico-quimicas do solo nos cultivos principalmente de hortaliças e frutas.
Esses trabalhos provam cientificamente que não existe mais aquele tabu de se dizer que o alimento produzido agroecológicamente não é viável em grandes áreas, tem aspecto visual desagradável para o consumidor e é mais caro.
Estamos num momento de transição em que a sociedade exige daqueles que não os são, uma postura responsável com o meio ambiente. A agroecologia está contribuindo para dar as respostas necessárias para mitigar a profunda crise sócio-ambiental que vivemos.

Artigo publicado na 37ª edição (Abr/Mai 2012) da revista ProCampo
por  Fabio Morandi de Morais
M. Sc. Engenheiro Agrônomo
Agente de Desenvolvimento Rural - Incaper
fabioincaper@gmail.com


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