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de 2017.   51ª Edição (Agosto/Setembro)  
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29.05.2012 - 10:01

Vacinação: a arma contra doenças

Muitos produtores questionam o porquê de vacinar os animais. Nesse texto tentaremos esclarecer a grande importância da vacinação.
A vacina é uma substância, como proteína, toxina, parte de bactéria ou vírus, ou mesmo bactéria ou vírus inteiro, atenuado (mais brando) ou morto, que ao ser inoculado no organismo de um animal, estimula a reação do sistema imunológico (sistema de proteção), provocando a produção de anticorpos (células de proteção).

Vacinação

Vacinar é o ato da aplicação da vacina, é um dos principais procedimentos do manejo sanitário, pois se trata de um ato preventivo, com boa relação custo-benefício, por reduz os gastos com tratamento de saúde relacionado com a doença, além da perda zootécnica do animal.
O objetivo da vacina é ajudar a proteção do animal contra as  doenças que ocorrem naturalmente na região. Esse objetivo é alcançado pela restrição da extensão da infecção, de modo que a multiplicação do microrganismo (agente) seja a tal ponto limitado que não ocorra lesão, ou seja, não ocorre doença clínica, ou se ocorrer, esta será branda.  Muitas vezes a multiplicação do agente fica restrita ao local de entrada, sem disseminação geral pelo organismo.  Nesse caso, o efeito da infecção é diminuído.  Sem doença clínica, o animal não deixa de alimentar-se, de ganhar peso, produzir leite e crescer. Da mesma forma, sem estar doente, a pessoa não deixa de trabalhar, ir à escola e produzir. Nesse caso, o objetivo prático da vacinação é alcançado.
Estimamos a importância da vacinação com o exemplo ocorrido em 1889 em uma área na Tanzânia, a peste bovina causou uma grande alteração ecológica no Parque Nacional Serengeti. A doença alastrou-se entre os herbívoros da região (búfalos, antílopes, zebras, girafas e gazelas). Várias tribos (masai e sukuma) sofreram com seus rebanhos exterminados pela doença. Estima-se que 2/3 dos Masai morreram de fome como resultado da epidemia. A fonte de alimentação e economia esvaiu-se e levou as tribos à miséria absoluta. A redução desses herbívoros diminuiu a oferta de alimentos para os seus predadores (leões, leopardos, chacais e hienas) que passaram a atacar os africanos.  Sem o gado as plantas não viram mais os dentes dos herbívoros e dominaram a região, transformando a área numa pastagem arborizada. Habitat ideal para as moscas tsé-tsé, transmissoras da doença do sono. Somente no século XX, com a introdução da vacinação contra peste bovina, o equilíbrio ecológico foi restabelecido.
Desde a criação da primeira vacina veterinária, a vacina contra o Carbúnculo Hemático ou Antrax, pelo pesquisador Louis Pasteur, em 1881, que reduziu significativamente a mortalidade de ovinos e bovinos franceses, ainda hoje a vacina é fundamental para controle  e erradicação de doenças.
A erradicação da varíola, um dos maiores males ao homem, foi pelo método de vacinação, extinguindo a doença em seu meio natural, o que foi confirmada na década de 1970.
A segunda doença erradicada da história da humanidade e a primeira doença animal eliminada em seu meio natural foi a peste bovina. O Programa Mundial de Erradicação da Peste Bovina começou em 1984 com programas de vacinação. O anúncio oficial da sua erradicação foi em junho de 2011.
O sucesso dos programas de controle e erradicação de doenças depende de vários fatores, sendo a vacina e a vacinação, um desses fatores de sucesso. A vacina, como todo medicamento, para fazer efeito precisa ser de boa qualidade e é necessária a observação de alguns cuidados que citaremos abaixo.

Instruções para o armazenamento das vacinas

Para manter a qualidade, a vacina precisa ser armazenada em temperatura de 2º a 8º Celsius até o momento da sua aplicação.
Na hora da compra é preciso que a vacina seja acondicionada em caixa termica (de isopor ou outro material isolante térmico), com gelo suficiente para mantê-la refrigerada até o momento da aplicação.
O individuo responsável pela compra e transporte da vacina, desde  a casa comercial até a propriedade rural, deverá cuidar para que ela seja conservada em refrigeração todo o tempo, do contrário perderá seu valor imunizante.
Na propriedade rural, a vacina precisa ser mantida na mesma temperatura (2º a 8ºC), seja na geladeira ou na caixa de isopor com gelo.
As vacinas devem ser colocadas nas prateleiras centrais da geladeira e nunca na parte mais inferior do refrigerador. Também não podem ser colocadas na porta da geladeira, estes locais dificilmente mantêm a temperatura adequada para a vacina (2º a 8ºC).
Os frascos e ampolas de vacinas, de preferência, devem ser colocados em bandejas perfuradas ou prateleiras vazadas, a fim de haver uma boa circulação de ar frio.
As vacinas dentro da geladeira não podem ser armazenadas em caixas térmicas a não ser que elas estejam abertas, ou seja, sem a tampa.
Nunca congelar vacinas.

Instruções para a vacinação

Anote os dados da vacina na folha de registro de vacinação, tais como: laboratório produtor, marca da vacina, n.º partida, data da validade e data da compra.
Verifique se a seringa está higienizada e calibrada para o volume indicado no frasco ou na bula da vacina.
Agite o frasco de vacina toda vez que for encher a seringa.
Certifique-se de que o conteúdo da seringa contém a dose correta e que não existem bolhas de ar.
Após vacinar cada grupo de dez animais, substituir a agulha por outra limpa e esterilizada (fervida).
As agulhas com ponta torta, aparência de suja ou que tenham caído ao chão devem ser imediatamente substituídas. Para reduzir o risco de contaminação e formação de abscessos (caroços) utilize sempre agulhas e seringas esterilizadas (fervidas).
As agulhas devem ficar na água fervente por pelo menos 15 minutos, para que ocorra a esterilização (colocar as agulhas depois que água ferver).
Não utilizar desinfetantes para esterilizar as agulhas, porque os resíduos podem inativar a vacina.
A pistola antes de ser preenchida com a vacina deve estar na temperatura entre 2º a 8ºC.
Mantenha uma agulha no frasco, exclusivamente para retirar a vacina, evitando que a agulha volte ao frasco após tê-la usada nos
animais.
Vacine com tranquilidade, sem presa e certifique-se de que a dose de vacina foi totalmente aplicada e que não refluiu (escorreu) pelo orifício deixado pela agulha.
Não colocar na mesma seringa diferentes tipos de vacinas ou produtos. Vacinas e produtos veterinários diferentes devem ser aplicados com seringas exclusivas, atentando para o local e via de administração, dose, conforme as recomendações do laboratório fabricante.
Vacine nos períodos mais frescos do dia (pela manhã ou no final da tarde).
Não vacinar animais debilitados ou submetidos a atividades desgastantes, como viagens prolongadas, trabalho de parto e outros.
Durante sua aplicação, os frascos com vacina devem continuar em caixa de isopor com gelo, mantidos na sombra, protegidos da radiação solar direta.
Todo o material utilizado na vacinação deve ser lavado com água, sabão ou detergente e depois ser esterilizado. Deve ser guardado seco em local apropriado.
Os frascos vazios devem ser incinerados ou armazenados adequadamente para posterior eliminação.

Porque as vacinas falham?

Mesmo com todos os controles a que são submetidas às vacinas disponíveis no mercado, falhas podem ocorrer em conseqüência de vários fatores. Logo abaixo citaremos os principais os tais fatores:
1) Temperatura inadequada de conservação: o congelamento, a radiação solar direta ou aquecimento prejudicam profundamente a eficiência da vacina. Para conservar adequadamente, a vacina precisa ser mantida todo tempo sob refrigeração, entre 2º a 8ºC.
2) Dosagem insuficiente: mesmo quando administrada a dose correta, a utilização de agulhas muito grossas pode favorecer o refluxo da vacina pelo orifício deixado pelas mesmas, reduzindo a dose efetiva de vacina injetada.
3) Doença pré-existente: após a aplicação de vacina, o animal fica protegido a partir do 21º (vigésimo primeiro) dia. Isto que dizer que, se o animal contrair a doença antes de transcorrido este prazo, é por que não houve tempo para formação dos anticorpos pelo organismo.
4) Outros subtipos de microrganismos: ainda que menos freqüente, pode ocorrer falha da vacina quando surge um novo tipo de vírus ou bactéria diferente daqueles utilizados na vacina. A confirmação deste fato só pode ocorrer mediante exame laboratorial. Daí a importância da notificação da doença e do envio de material para diagnóstico por parte do médico veterinário da região.
Na dúvida, procure o Serviço de Defesa Agropecuário mais próximo da sua região.

Artigo publicado na 37ª edição (Abr/Mai 2012) da revista ProCampo
por Washington de Oliveira Silva
Médico Veterinário do Instituto
Estadual do Ambiente
silvawoliveira@inea.rj.com.br


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