Revista ProCampo - Uma Leitura Produtiva

 

 
de 2017.   51ª Edição (Agosto/Setembro)  
Publicidade

Anuncie Aqui!

Notícias

 

18.10.2010 - 16:42

Aproveitamento total

Transformar os descartados em frutas cristalizadas é uma das finalidades da salmoura

 

Há trinta anos, a economia de Pinheiros, município do extremo Norte capixaba, era sustentada basicamente pelo cultivo da mandioca. Com o advento da irrigação no início dos anos 80, muita coisa mudou no município depois que os produtores começaram a implantar lavouras de feijão e milho irrigadas.
Hoje o município é um dos principais produtores de mamão, tanto no cultivo do grupo “Solo” (Havaí) quanto no de híbridos do grupo “Formosa” (Tainung). A produção é dominante com a variedade formosa - cerca de 80% - sendo o restante plantado com a variedade havaí. Isso sem falar no excelente desempenho da cultura de café conilon, que ganha cada vez mais adeptos.
O mamão tem uma participação significativa na economia, sendo uma das principais atividades do agronegócio local, com destaque para alta tecnificação dos processos de produção. A estrutura fundiária é formada principalmente por pequenas propriedades com área de, em média, 50 hectares.
“O produtor de mamão pinheirense tem uma postura muito profissional”, assegura o agrônomo Valter José Matielo, secretário Municipal de Agricultura e Meio Ambiente. O secretário não tem dúvidas: “A eficiência e a produtividade são aspectos de maior relevância na cultura do mamão”, ressalta.
Atualmente, o município abriga cerca de trinta produtores de mamão. De acordo com o agrônomo Francisco Martins dos Santos, a produtividade média na região de Pinheiros chega a 140 toneladas de formosa por ciclo. O alto rendimento é explicado pelo investimento constante em tecnologia.
O custo da lavoura, apesar de ser variável de acordo com cada produtor, é alto. “O mamão precisa de um investimento de R$ 25 mil para cada hectare por ciclo”, informa o agrônomo Átila de Souza Macedo, consultor autônomo. Do plantio à colheita, a vida útil do mamoeiro é de no máximo dois anos.
Entretanto, o setor enfrenta algumas dificuldades com redução de área. Esta queda foi motivada por diversos fatores, entre eles, pelo aumento no custo de produção (insumos e mão-de-obra), resultados financeiros negativos obtidos pelos produtores em safras anteriores e a presença da mancha anelar do mamoeiro, conhecida como mosaico do mamoeiro, considerada uma das mais destrutivas doenças. Junte-se ainda o velho fundamento da oferta e procura – o mamão está sendo cultivado em regiões brasileiras não tradicionais, como o Norte de Minas Gerais, Tocantins, Mato Grosso, sem contar o retorno de São Paulo.
“Pinheiros, que chegou a cultivar 3.700 hectares de mamão, hoje responde por cerca de 1.500 hectares”, cita Átila.

Comercialização e salmoura

Além dos entraves citados, uma das maiores dificuldades para um maior impulso à produção do mamão capixaba está no mercado. O segmento é muito fragmentado pela presença marcante de intermediários. Isso, aliás, não é nenhuma novidade, pois o agricultor brasileiro está acostumado a conviver com essa realidade (dura realidade). Toda a produção é direcionada basicamente para as Ceasa’s espalhadas pelo Brasil afora. Vários produtores já sentiram na pele (e no bolso) o resultado da falência de “intermediários”, deixando dívidas referentes ao não pagamento aos produtores.
Terminada a colheita do mamão, há uma sobra considerável de frutos defeituosos, pequenos, carperlóides que são descartados, ou seja, não aceitos pelo mercado in natura. “Este descarte gira em torno de 10% do total da produção”, informa o agrônomo Átila.
Quando se fala em mamão em Pinheiros, é quase impossível não se lembrar da salmoura. Transformar os descartados em frutas cristalizadas é uma das finalidades dessa prática. A salmoura é uma solução de água saturada de sal onde se conserva alimentos. É utilizada para produzir picles, por exemplo.
Do ponto de vista econômico, é uma fonte de agregação de valor por meio da industrialização de uma matéria prima que iria ser descartada. E é o que faz os sócios Armando Borborema e Almir Pompermayer, donos da Pomper Frutas. “A parceria com os produtores trouxe ganhos econômicos à região e a ambos os lados”, salienta Armando. Os dois sócios trabalham com salmouramento desde 2005.
Na primeira fase, após a recepção, o processamento inclui as atividades de corte manual (fatiamento) dos frutos para posterior sanitização. “Os frutos ficam submersos no tanque com a solução sanitizante de três a quatro dias”, explica Armando.
Depois disso, são levados à máquina para serem cortados em forma de cubos. Segundo Armando, o principal destino dos “cubos de mamão” é a indústria de frutas cristalizadas. “O panetone, por exemplo, alimento tradicional na época de Natal, possui recheio de frutas cristalizadas”, lembra Armando.
De acordo com ele, há preferência pelo mamão formosa e a explicação é simples: maior rentabilidade no volume de polpa.

por Antonio de Pádua Motta
matéria publicada na 28ª edição (Out/Nov 2010) da revista ProCampo
Editor revista ProCampo
apmotta@revistaprocampo.com.br


Edições Anteriores

23.09.2014 - 12 de outubro. Dia do Engenheiro Agrônomo

23.09.2014 - O mosaico do mamoeiro e o mamão de quintal

23.09.2014 - Parasitos: Importantes vilões da produção pecuária

23.09.2014 - Três cultivares de café conilon são protegidas pelo Incaper

23.09.2014 - A certificação fairtrade no café


 voltar  |  topo  |  home

Publicidade

 

Anuncie Aqui!

Anuncie Aqui!

Anuncie Aqui!

Anuncie Aqui!

 

Parceiros

 
  • Cedagro
  • Defagro
  • Midas
  • Cooabriel
  • Incaper
  • Seea
  • Senar
  • CCA-Ufes

Revista ProCampo - A Revista do Agronegócio Capixaba

Endereço: Rua Vinte e Dois de Abril, 09 - B.N.H. - Linhares/ES - 29902-180

Telefone: (27) 3373-3424 // 9984-5808

Email: procampo@revistaprocampo.com.br

"Criando sua empresa na internet"