Revista ProCampo - Uma Leitura Produtiva

 

 
de 2017.   51ª Edição (Agosto/Setembro)  
Publicidade

Anuncie Aqui!

Notícias

 

02.10.2012 - 10:33

Poda em café arábica

O depauperamento das lavouras cafeeiras ocorre devido a tratos culturais inadequados; plantios em áreas impróprias e mal conduzidos; empobrecimento dos solos; desnutrição das plantas; ataque de pragas e doenças; danos causados por chuvas de granizo entre outros, levando ao definhamento das plantas, resultando na perda de produtividade, e consequentemente aumento do custo de produção.
No passado, a cafeicultura brasileira se concentrava na sua maior parte com o cultivo do café arábica plantado em espaçamentos largos, de livre crescimento, sem adoção de nenhuma tecnologia, onde a produtividade parecia não ter importância para o produtor.
A evolução da cultura  no entanto, vem ocorrendo mediante o desenvolvimento e introdução de   novas tecnologias como: cultivo de variedades altamente produtivas; adubação recomendada com base na análise de solo; plantios mais adensados, práticas de conservação de solo, entre outras, proporcionando aumento da produtividade, e como consequência, um considerado  esgotamento das plantas.
No caso do adensamento do plantio por exemplo, surge também o  fechamento precoce entre as plantas, dificultando o manejo e a colheita principalmente, além da  perda dos ramos produtivos inferiores, havendo então a necessidade de interferir na lavoura visando a sua renovação, que pode ser através das podas, as quais vem sendo utilizadas com sucesso para esse fim.
Em trabalhos experimentais recentes (Incaper,2009-relatório final de projeto de pesquisa), verificou-se que a poda em café arábica é uma boa opção para renovação de lavouras no curto prazo, desde que aplicada na época certa e de forma correta.
À medida que as plantas vão envelhecendo e após sucessivas colheitas, ocorre a perda de vigor e da quantidade dos ramos produtivos e o aumento da altura das plantas, momento então de aplicação das  podas, cujo objetivo é de recuperar plantas ou lavouras que já não estejam produzindo satisfatoriamente.
Assim, as podas podem  ser aplicadas em toda a lavoura, em determinadas áreas ou linhas , ou ainda, aplicado mais de um tipo de poda na mesma área.
Antes de indicar qual o  tipo de poda a ser usado, devemos ter alguns cuidados e observações locais verificando o grau de fechamento da lavoura, o depauperamento das plantas, o preço atual da saca de café, a altura das plantas caso já esteja necessitando de escadas para colher, e principalmente a dependência do produtor em relação à safra do ano seguinte.
No Estado do Espírito Santo, são empregados com maior frequência os seguintes tipos de podas no café arábica: a poda alta ou “Decote”, a poda baixa ou  “Recepa”,  e em menor escala é praticado também o “esqueletamento”.

Decote

O decote  é uma poda alta com a finalidade de eliminar a parte superior quando há o cinturamento da planta, é feito a uma altura de aproximadamente 1,2m e desde que a planta possua uma boa saia , o que continua garantindo parte da produção. É uma operação simples e facilita os tratos culturais graças à redução da altura das plantas, devendo ser realizada com os equipamentos: podões, serrotes, motosserras, e podadoras costais motorizadas.  
Após o decote vem a brotação nova , da qual deve-se conduzir de um a dois brotos dependendo do espaçamento, sempre os mais vigorosos e dispostos no tronco obedecendo a direção da linha dos cafeeiros,  obtendo  após um ano uma planta renovada, e garantido assim o  seu potencial de produção.
O decote é utilizado nas seguintes situações:
. Lavouras em início de fechamento.
. Lavouras com seca de ponteiros.
. Plantas  “cinturadas” devido a deficiências nutricionais.
. Lavouras atingidas por  geadas, chuvas de granizo ou raios.
. Lavouras que necessitam do controle de altura.

Recepa

A recepa é uma poda baixa realizada mais ou menos a 30cm do solo, que elimina toda a parte aérea da planta, é recomendada para casos extremos com fechamento total da lavoura e perda dos ramos inferiores. É uma poda que  exige maior tempo de recuperação do cafeeiro para retomada da produção, a mais onerosa devido a  necessidade de várias desbrotas, retirada do material lenhoso da área e manejo do mato. No entanto, é uma poda que permite total recuperação da lavoura, corrigindo todas as falhas da parte aérea das plantas.
A recepa compreende algumas etapas:
. Desgalhamento lateral ou seja retirada dos ramos produtivos.
. Corte do tronco na altura desejada.
. Retirada dos trocos da área trabalhada.
. Desbrota, operação importante para eliminação dos brotos em excesso.
Assim como no decote, na recepa o número de brotos a serem deixados por tronco está relacionado com o espaçamento: um broto por tronco nos plantios adensados, dois brotos nos plantios mais largos. Selecionar os brotos bem implantados no tronco e de preferência aqueles na direção da linha de plantio, para evitar o tombamento  ou quebra para o  meio da rua.

Esqueletamento

O esqueletamento é um tipo de poda  realizado com o corte dos ramos laterais produtivos a uma distância entre 20 a 30 cm do tronco. Desses ramos sairão novos ramos produtivos recompondo toda a estrutura aérea da planta. Essa poda é seguida de um corte  na região superior do tronco do cafeeiro (1.70m), visando diminuição da dominância apical, o que favorece a brotação de novos  ramos laterais.
O esqueletamento tem como principal característica a recuperação total da planta em um ano, com perda de apenas um safra.
Vantagens das podas no café arábica:
. Renovar os ramos e a arquitetura da planta.
. Manter um boa relação folha:fruto.
. Aumentar a luminosidade entre as plantas/lavoura.
. Eliminar ramos atacados por pragas e doenças.
. Corrigir danos causados por geadas, granizo e seca.
. Revigorar plantas deformadas “cinturadas”.
. Facilitar operações de manejo da lavoura.
. Diminuir altura das plantas facilitando a colheita.
. Reduzir custos aumentando a eficiência da mão-de-obra.

Época da poda

O cafeeiro  arábica é uma  planta que responde bem à prática das podas, sendo a época mais apropriada aquela logo após a colheita, que nas nossas condições ocorre nos meses de agosto/setembro, podendo avançar um pouco mais nas regiões mais altas e frias, até novembro. Essa época  é  importante levando-se em consideração a proximidade do período chuvoso, quando se tem um clima favorável de calor e umidade, o que proporciona uma brotação mais rápida e vigorosa. O ano de realização da poda, no entanto, deve ser sempre aquele em que se tem uma safra alta, o que nos indica baixa produção no ano seguinte, (fenômeno da bienalidade que ocorre na espécie arábica). Outro fator a ser observado, é a perspectiva dos preços da saca de café nos próximos anos.
Em linhas gerais, antes do produtor tomar qualquer  decisão, ele deve consultar um técnico para uma avaliação, verificando qual o tipo de poda mais indicado naquele momento.
Independente da quantidade de pés de café na propriedade, recomenda-se que o produtor divida sua lavoura em talhões para aplicação das podas, promovendo o rodízio nos talhões, facilitando assim o manejo sem zerar a sua produção.

Artigo publicado na 39ª edição (Ago/Set 2012) da revista ProCampo
por Aledir Cassiano da Rocha
Eng. Agrônomo/Fitotecnia
Incaper/CRDR-CS
aledir@incaper.es.gov.br


Edições Anteriores

23.09.2014 - 12 de outubro. Dia do Engenheiro Agrônomo

23.09.2014 - O mosaico do mamoeiro e o mamão de quintal

23.09.2014 - Parasitos: Importantes vilões da produção pecuária

23.09.2014 - Três cultivares de café conilon são protegidas pelo Incaper

23.09.2014 - A certificação fairtrade no café


 voltar  |  topo  |  home

Publicidade

 

Anuncie Aqui!

Anuncie Aqui!

Anuncie Aqui!

Anuncie Aqui!

 

Parceiros

 
  • Cedagro
  • Defagro
  • Midas
  • Cooabriel
  • Incaper
  • Seea
  • Senar
  • CCA-Ufes

Revista ProCampo - A Revista do Agronegócio Capixaba

Endereço: Rua Vinte e Dois de Abril, 09 - B.N.H. - Linhares/ES - 29902-180

Telefone: (27) 3373-3424 // 9984-5808

Email: procampo@revistaprocampo.com.br

"Criando sua empresa na internet"