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de 2017.   51ª Edição (Agosto/Setembro)  
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02.10.2012 - 10:48

Impactos econômicos causados pela infestação de carrapatos em bovinos e o controle estratégico

O carrapato comum dos bovinos, Rhipicephalus (Boophilus) microplus, é atualmente um dos maiores entraves existentes na pecuária bovina dos países localizados em zonas tropicais e subtropicais. Segundo a Embrapa, entre os pontos críticos que interferem no aumento da produção e produtividade da pecuária de corte destaca-se o estado sanitário do rebanho e o carrapato dos bovinos, está entre os agentes parasitários capazes de causar grande impacto econômico na pecuária.

Prejuízos

Os prejuízos causados pelo carrapato aos bovinos ocorre de várias maneiras. Geralmente é causado pelas teleóginas (fêmeas fecundadas, ver figura 1), que se alimentam de sangue, já que larvas, ninfas e machos são pequenos e, apesar de também se alimentarem de sangue, alimentam-se principalmente de linfa e substratos da pele, causando irritação cutânea e danos permanentes ao couro. Segundo relatos do setor coureiro, caso haja um controle eficiente do carrapato, 40% dos 80% de couros classificados como de sexta e sétima categorias retornariam à quinta categoria, agregando-se a este produto valores superiores a 25%. Cada fêmea de carrapato bovino ingere entre 0,5 a 3 ml de sangue.
No entanto, não é somente com o couro os prejuízos causados por esses parasitas. Em um levantamento nacional, o Ministério da Agricultura estimou em 1 bilhão de dólares anuais os prejuízos causados pelo carrapato bovino no país, sendo 40% desse total relativo a diminuição da produção leiteira. Constatou-se a presença do carrapato durante os doze meses do ano em 66% dos 2048 municípios investigados e em 61,24% das vezes indicando que o carrapato é mais frequente que o berne e a miíase. De acordo com levantamento feito pelo Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Saúde Animal (SINDAN), o país gastou no período de um ano em 13,8 milhões de dólares na compra de carrapaticidas, representando 15% do total gasto com defensivos.
Outros problemas estão associados à infestações por carrapatos, tais como, perda de peso, baixa conversão alimentar, lesões de pele que favorecem à ocorrência de miíases (“bicheira”), anemia e transmissão de patógenos que provocam graves enfermidades como a Tristeza Parasitária Bovina. Todavia, este último fator é o que ocasiona os mais altos prejuízos indiretos, destacando-se a diminuição na produção de leite, redução da natalidade, consumo de carrapaticidas, investimentos em banheiros e aspersão, perda de peso, mão-de-obra e morte do animal.

Tristeza Parasitária Bovina

O carrapato bovino é o principal vetor de patógenos causadores de doenças como a Anaplasmose (Anaplasmamarginale) e Babesiose (Babesiabovis e B. bigemina), podendo ser responsáveis por mortes de bezerros ou de animais adultos. Essas doenças formam um complexo conhecido como tristezas parasitária dos bovinos.
A anaplasmose é uma enfermidade causada pelo protozoário Anaplasmamarginale, parasito microscópico que se desenvolve nos glóbulos vermelhos do sangue ocasionando anemia, icterícia, febre e depressão. A anaplasmose é principalmente transmitida por insetos hematófogos, como moscas do gênero Tabanus e mosquitos.
Já a babesiose é causada por parasitos do gênero Babesia, sendo a Babesiabovis e a Babesiabigemina espécies de grande difusão e impacto econômico. A Babesiabovis é transmitida aos bovinos pela larva dos carrapatos, já a Babesiabigemina é transmitida aos bovinos tanto na fase ninfal, quanto na etapa adulta. A babesiose provoca febre, depressão, anemia, icterícia (mucosas amareladas) e urina de cor vermelha escura.
Babesioses e anaplasmoses podem ocasionar sérias perdas quando os animais suscetíveis aos carrapatos e às enfermidades que eles transmitem, principalmente os adultos, são deslocados de áreas livres para uma zona infestada por carrapatos. Infelizmente, esta prática acontece com frequência e exige uma prévia imunização, que apresenta elevados custos e riscos de perda de uma percentagem dos animais durante o processo.
Em muitas regiões do País, inclusive no Espírito Santo, é frequente a morte de bezerros jovens apresentando o sinais descritos acima e possivelmente portadores dessas doenças em áreas de forte infestação por carrapatos.

Controle estratégico e
prevenção

O controle de carrapatos é um ponto crítico para o sucesso na pecuária nacional, e quando feito de forma inadequada, pode levar a maior contaminação do ambiente, contaminar as pessoas que manipulam o produto químico, contaminar os produtos de origem animal, permitir a disseminação da resistência das populações de carrapato e provocar o aumento dos prejuízos econômicos. É importante lembrar, que por maior que esteja a infestação na propriedade, aproximadamente 95% dos carrapatos estão nas pastagens e apenas 5% estão em fase parasitária nos animais (Figura 2).
Dessa forma, existe a necessidade de se estabelecer um controle estratégico, cujo os objetivos são a aplicação do produto mais adequado à população de carrapatos do rebanho da maneira mais correta e no menor número de vezes possível. Deve-se também aplicar na época mais favorável ao produtor e desfavorável ao carrapato.
As condições do desenvolvimento e a sobrevivência do carrapato variam por região e são influenciadas principalmente por duas variáveis climáticas: temperatura e umidade, sendo assim, o melhor momentopara o controle é quando fatores ambientais causam prejuízos biológicos ao carrapato diminuindo a quantidade de larvas nas pastagens e aumentando o potencial dos carrapaticidas.
O sistema de controle estratégico convencional, consiste em cinco ou seis tratamentos com carrapaticida de contato com intervalo de 21 dias e/ou três ou quatro aplicações pouron também de contato, no fio do lombo com intervalos de 30 dias. As Lactonas Macrocíclicas (ex. avermectinas) e o Fluazuron (ex. Acatak também podem ser utilizados em intervalos de 30 e 45 dias respectivamente. Não se deve aplicar em vacas em lactação. Posteriormente tratar somente animais com 25 ou mais fêmeas ingurgitadas em um lado do animal.

Resistência parasitária

A resistência dos carrapatos à carrapaticidas é um fenômeno natural de defesa das populações de artrópodes que tem ocasionado sérios problemas a vários países produtores de bovinos onde ocorre a presença do carrapato.
Um levantamento inédito da resistência do carrapato do boi frente aos carrapaticidas, no estado de São Paulo, foi realizado em 2007 e 2008 pelo Laboratório de Parasitologia Animal do Instituto Biológico, ligado a Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo.
Os resultados mostram que os casos positivos para carrapatos resistentes aos piretróides foram altos em todas as regiões analisadas. Passaram de 83,33% em 2007 para 100% em 2008, no caso da deltametrina, e de 83,33% em 2007 para 84,21% em 2008 quando se considera a resistência à cipermetrina.
Para o organofosforadoclorpirifós, o estudo aponta casos positivos de 50% em 2007 e 95% em 2008. Levando-se em consideração que a maioria das propriedades utilizou este produto durante o período do estudo, o aumento da prevalência da resistência já era esperado.
Para a ivermectina, a resistência ocorreu em 30% das fazendas analisadas, em 2007, e em 56,25%, em 2008. As lactonasmacrocíclicas se caracterizam por apresentar um longo período de ação residual, chegando a 120 dias em alguns casos, fator que favorece a seleção de cepas resistentes. Diante disso, é importante a realização anual do biocarrapaticidograma para verificar qual o produto mais indicado para o tratamento dos bovinos. Além disso, é indicado que o tratamento seja feito com mais atenção nos animais mais sensíveis à infestação por carrapatos, principalmente, quando os parasitos ainda se encontram na sua forma jovem (larvas e ninfas). E lembram que é importante utilizar a dosagem correta do produto, aplicando-o por todo o animal, no caso da pulverização.

Biocarrapaticidograma

A escolha de um carrapaticida que combata os carrapatos dos bovinos de forma eficiente é a principal preocupação dos produtores. E esta escolha deve ser feita por meio de testes específicos, uma vez que, embora os carrapatos sejam da mesma espécie, cada propriedade possui uma população diferente de carrapatos, selecionada de acordo com os produtos químicos com os quais teve contato.
A Embrapa oferece, gratuitamente, um teste de eficiência denominado biocarrapaticidograma (Figura 3). Para usufruir desse serviço, o produtor deve proceder a coleta de carrapatos e enviar para a Embrapa obedecendo os seguintes critérios:
• Deixe dois ou três animais sem tratamento carrapaticida por pelo menos 25 dias, se na propriedade for usado um produto que age por contato (banho de aspersão), ou 35 dias, se o carrapaticida em uso é sistêmico do tipo pouron ou injetável. Este cuidado é necessário para que os carrapatos não contenham resíduo de carrapaticidas;
• Colete uma grande quantidade de carrapatos (200 unidades), somente as fêmeas grandes e repletas de sangue (teleóginas), conhecidas como “mamonas” ou “jabuticabas”. A melhor hora para coleta é no período da manhã onde os animais possuem a maior infestação por este tipo de carrapato;
• Acondicione em potes de plástico ou caixas de papelão, com orifícios que permitam a respiração dos carrapatos, sem que ocorra fuga destes;
• Identifique o material, informando nome do proprietário, propriedade, nome do assentamento, município da propriedade, endereço e telefone para envio dos resultados.
É importante que o material seja enviado no início da semana (segunda à quarta - feira) e que o tempo entre a coleta e o envio seja o menor possível. O ideal é coletar e enviar no mesmo dia, mas pode ser feito no dia seguinte, mantendo os carrapatos, devidamente acondicionados, na parte inferior da geladeira. Para o envio não é necessário colocar gelo no material.
Com 35 a 40 dias os resultados estão prontos e são válidos apenas para a propriedade onde foi realizada a coleta dos carrapatos. O ideal é que o teste seja realizado anualmente, de preferência nos últimos meses do ano, para que na época da implantação de um controle estratégico saiba-se o melhor produto a ser utilizado.
No entanto, a determinação do carrapaticida mais adequado para uma propriedade deve ser acompanhada de informações sobre a melhor época para se combater o carrapato, como preparar e aplicar o carrapaticida de forma adequada. Com estes três procedimentos: determinação do produto apropriado, aplicação no momento certo e de forma correta é possível manter os carrapatos sob controle, reduzindo os prejuízos causados por estes parasitas.

Endereço da Embrapa para envio dos carrapatos:
Embrapa Gado de Corte
A/C Renato Andreotti
BR 262 km 4 - Caixa Postal 154
CEP 79002-970 - Campo Grande/MS
http://carrapatos.cnpgc.embrapa.br

Artigo publicado na 39ª edição (Ago/Set 2012) da revista ProCampo
por Leandro Abreu da Fonseca
Professor do Curso de Medicina Veterinária da UVV-ES
Médico Veterinário Responsável Técnico do
Biolabor - Laboratório Clínico Veterinário
leandro@uvv.br


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