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18.10.2010 - 16:55

Capital Nacional do Agroturismo

Venda Nova do Imigrante, na região Sudoeste Serrana capixaba, é referência tanto em  âmbito estadual como nacional

Um oásis de tranquilidade no meio da Mata Atlântica. Assim é Venda Nova do Imigrante, uma cidade bonita e acolhedora, localizada a 103 km de Vitória, capital do Estado do Espírito Santo.
Colonizada por volta de 1892, a região de Venda Nova do Imigrante tem na população uma forte influência da cultura italiana, cujo costumes permanecem vivos em seus descendentes e na vida da comunidade local.
Emancipada em 1988, a pequena e adorável Venda Nova é referência tanto em âmbito estadual como nacional, atraindo pessoas de várias localidades para conhecer o estilo simples de vida do povo que aqui vive. O município, com pouco mais de 20 anos, tem na base de sua economia a agricultura, que vem sendo praticada desde a chegada de seus primeiros imigrantes e que se destaca na cafeicultura do arábica, na cultura do tomate, do morango e de hortaliças, que abastecem os mercados das regiões Sudeste, Nordeste e alguns países do Mercosul.
Venda Nova foi pioneira a abrir as portas de suas propriedades rurais para um novo tipo de turismo - o turismo rural - que procura mostrar para os urbanos as delicias da culinária e a simplicidade da vida rural. O agroturismo, como ficou conhecido este novo tipo de turismo, nasceu há mais de 10 anos e cresce a cada dia, gerando emprego, renda para as famílias e movimento nas áreas rurais.

História do agroturismo em Venda Nova

Recém chegados da Itália, os imigrantes tinham o hábito de produzir os alimentos dentro de suas propriedades, já que havia poucas casas de comércio na região e o dinheiro também era escasso. Então, eles mesmos produziam os pães, o fubá, o macarrão, criava as galinhas, os porcos e o gado, que era essencial para a produção de leite e queijos que eram consumidos juntamente com o principal alimento - a polenta.
Com o tempo os turistas começaram a entrar nas propriedades rurais com o objetivo de acompanhar o processo de produção do alimento e acabavam comprando os mesmos. Tudo isso acontecia sem nenhum planejamento.
Devido ao pioneirismo e a tradição dessa atividade, Venda Nova foi escolhida a “Capital Nacional do Agroturismo”. Com esse título, uma quantidade maior de turistas passou a desfrutar das propriedades, apreciando as belezas naturais e adquirindo produtos saborosos e saudáveis oriundos da agricultura familiar.
Praticado em pequenas propriedades, o agroturismo oferece uma grande variedade de produtos: geléias, doces, biscoitos, pães, café, fubá, leite, queijo, ricota, iogurte, vinhos, licores, cachaças, linguiça e outros embutidos, como socol.

Agrotur

Devido à diversidade de produtos e o aumento do número de propriedades envolvidas neste processo, foi criado o Centro Regional de Desenvolvimento do Agroturismo – Agrotur, que veio para organizar e tratar dos interesses da classe, como a comercialização dos produtos, participação em eventos, feiras, dentre outros.
Hoje, o Agrotur conta com 50 associados. Entre eles a Família Lorenção, Família Brioschi e o Sitio Recanto do Tio Vê. Todos estes são produtores do famoso socol (embutido de lombo de porco com condimentos), uma iguaria de origem italiana, que se tornou um dos produtos mais procurados pelos turistas, além de ter um sabor diferenciado, o socol traz muita tradição.
O Sitio Lorenção, da Família Lorenção, fica localizado na comunidade de Tapera. Eles foram os pioneiros na região na fabricação do socol, há 20 anos. Dona Cacilda Lorenção aprendeu a produzir essa iguaria com sua mãe. Hoje é a nora e o filho que gerenciam o negócio. Mas Dona Cacilda garante: “O tempero é o mesmo que minha avó utilizava quando veio da Itália para o Brasil.”
Além do socol, a Família Lorenção produz antepastos, pimenta recheada, tomate seco e possuem na propriedade uma lojinha que funciona diariamente, onde você encontra todos estes produtos.
Outra propriedade que produz o socol é o Sítio Retiro do Ipê, da Família Brioschi, localizada na comunidade de Providência. Eles iniciaram a produção há 10 anos. A Família Brioschi é destaque também na cafeicultura. Já ganharam vários prêmios em concursos estaduais e municipais de café de qualidade.
Outro ponto importante é a agregação de valor ao produto. Dona Ana Brioschi, sogra de Elis Ângela relata que eles começaram a produzir o socol, os doces e a linguiça defumada em um cômodo pequeno, mas com o tempo aumentou o número de turistas que visitavam a propriedade para adquirir os produtos artesanais. Para isso foi construído um local exclusivo para o atendimento diário aos turistas.

 

Já no Recanto do Tio Vê, como é conhecida a propriedade de Alvécio Falqueto, em Alto Bananeiras, pode-se desfrutar de belas paisagens, moinho de fubá feito dentro de uma pedra, além do tradicional socol. Foi nesta propriedade, conta Falqueto, durante um encontro de amigos, que surgiu a idéia de fazer a Festa do Socol. De lá pra cá não parou mais, a cada ano a festa é um sucesso e mais pessoas participam e vêm saborear o famoso socol.


Devido ao fato do socol ser produzido inicialmente em Venda Nova do Imigrante, este ano a Prefeitura Municipal e o Sebrae iniciaram o processo de indicação geográfica para o socol, o que irá agregar um valor a mais a este produto e torná-lo um patrimônio cultural e gastronômico do município. Caso tudo ocorra conforme se planeja, o socol será o primeiro produto capixaba com indicação geográfica. Com esta ferramenta coletiva de produção e promoção comercial dos produtos tradicionais, o socol de Venda Nova do Imigrante será reconhecido no mesmo nível que o champanhe francês, os charutos cubanos, o café do serrado, dentre outros.
O secretário Municipal de Agricultura, Sávio Fileti ressalta que o agroturismo de Venda Nova do Imigrante é muito mais do que a comercialização de produtos nas propriedades do município.
“A atividade conta com a cultura e o sentimento de um povo que tem suas raízes pautadas no respeito e no trabalho de seus antepassados. Os produtores a cada dia que passa descobrem em suas propriedades um novo potencial para participarem dessa atividade tão importante  economicamente quanto socialmente para Venda Nova do Imigrante”, disse.
Portanto, depois de mais de 10 anos de trabalho, muitas famílias estão envolvidas com a atividade e foram gerados mais de 500 empregos diretos. Esses são os números do agroturismo no município.
Venda Nova do Imigrante espera você de braços abertos para desfrutar de belas paisagens, conhecer o povo acolhedor e saborear essa iguaria tão saborosa que é o socol.

por Renata Carnieli do Nascimento
matéria publicada na 28ª edição (Out/Nov 2010) da revista ProCampo


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