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14.12.2012 - 09:43

Diversidade genética do conilon: como solucionar

Em 2011 o café gerou mais de 8,7 bilhões de dólares de divisas, sendo responsável por 3,4% do total das exportações brasileiras. O café conilon participa com cerca de 35% de café produzido no país e, com mais de 34% do café comercializado no mundo. Há muitos anos o café conilon vem sendo adicionado ao café arábica para acentuar corpo da bebida e na preparação de café solúvel.
O gênero Coffea é representado por mais de 100 espécies, destacando-se o C. arabica e C. canephora, tendo esta última, dois grandes grupos (Congolense = Robusta e Guineano = Conilon). No Brasil, principalmente, no Espírito Santo, o C. canephora cultivado é o conilon, cuja espécie é a principal atividade agrícola do Estado.
Pesquisas publicadas em diversos periódicos científicos têm relatado que no café conilon a fertilização ocorre entre o pólen de uma planta com o estigma da flor de outra planta (panmixia). Portanto, o cruzamento do pólen e o estigma da mesma planta não produzem frutos, ou seja, não ocorre fecundação. Assim, em cultivos comerciais existe necessidade de haver diferentes plantas, possibilitando que haja a fecundação cruzada e, consequentemente produção de frutos. Deste modo, verifica-se que não é recomendado cultivar apenas um genótipo (propagação vegetativa, que mantém as características da planta matriz), ou mesmo mais de um, que tenham as mesmas características genéticas.
A propagação vegetativa, por estaquia do conilon já foi publicada em um livro francês em 1955. Foi desenvolvida no Estado pelo IBC, aperfeiçoada pelo Incaper, passando a ser utilizada em escala comercial a partir da década de 1990, primeiramente pela Verdebrás e depois pelos demais viveiristas, sendo atualmente o método utilizado em praticamente todos os plantios.
No início da produção de mudas por estaquia os viveiristas utilizavam uma ampla gama de genótipos. Porém, com o passar do tempo, ao observar os materiais mais produtivos o leque de genótipos utilizados vem se estreitando a cada ano. Atualmente, a grande maioria dos plantios de café concentra-se na utilização de no máximo 10 genótipos.
O plantio utilizando poucos genótipos leva à uniformidade genética das lavouras. A multiplicação vegetativa também não permite de forma significativa a obtenção de novos genótipos (clones), a não ser por mutação, fato de baixíssima ocorrência. Consequentemente ocorre restrição de cruzamentos, ou seja, restringe-se a recombinação gênica limitando a obtenção de variabilidade genética e, resulta no aumento da possibilidade de prejuízos devido a, por exemplo, susceptibilidade às doenças, pragas e secas. Além desses aspectos, também poderá ocorrer diminuição das possibilidades de se obter ganhos genéticos por seleção para produtividade, qualidade da bebida, tolerância e resistência às adversidades bióticas e abióticas e outras características desejáveis.
Nestes aspectos é necessária e importante a conservação da variabilidade genética, disponibilizando um apropriado conjunto de materiais genéticos da espécie, possibilitando a utilização (como genitores), de materiais elites, com características úteis e de interesse. Ainda devem ser divergentes, não aparentados, ou com baixo nível de parentesco entre si. Dessa maneira será possível diminuir de forma significativa problemas mencionados anteriormente com a perda da variabilidade genética da espécie. Além disso, diversas pesquisas poderão ser realizadas.
O plantio de áreas com materiais de propagação oriundo de sementes é uma alternativa para o café conilon, visando minimizar a vulnerabilidade genética, por ser uma espécie de fecundação cruzada, consistindo num processo de manutenção e ampliação da diversidade genética. Desta forma, acreditamos que plantios, com mudas provenientes de sementes produzidas dentro dos padrões estabelecidos pelo MAPA, devem ser realizados em várias localidades, em diversas condições de manejo, clima, micro-clima, solos, topografia, altitude, sombreados ou a pleno sol e, outras particularidades. Posteriormente, diversos cafeicultores, nas mais diversas situações do Estado, juntamente com acompanhamento técnico e científico poderiam observar as plantas mais promissoras nas condições de sua lavoura e do seu manejo.
Esse fato deverá ocorrer em várias propriedades, onde cada cafeicultor irá observar os cafeeiros por alguns anos, vindo a escolher uma gama de plantas superiores com potencial produtivo e/ou potencial de tolerância a fatores bióticos e abióticos dentro de sua área de propagação seminal. Dessa forma, diversas plantas poderão se tornar genótipos potenciais para ampla multiplicação vegetativa, aumentando consideravelmente a diversidade genética.
Entretanto, sabe-se que o plantio de mudas de semente oferece algumas desvantagens para o cafeicultor, dentre elas a falta de padronização e menor produtividade, principalmente inicial. Trabalhos, publicados, comparando plantas propagadas por semente com propagação vegetativa, mostra diferença de 100 sacas, ou seja, uma perda superior a 20 mil reais por hectares em 12 colheitas. Então acreditamos que o Estado (governo Estadual e/ou Federal), deve fomentar os plantios provenientes de mudas de semente, uma vez que o produtor/cafeicultor é quem mais gera riqueza, impostos, empregos e, sustentabilidade no interior capixaba, porém, ainda muitos carecem de recursos.
Por questões práticas poderiam ser plantadas pelo menos 100 lavouras de um hectare cada. Essas lavouras poderiam ser distribuídas em várias localidades (municípios), concentrando-se conforme distribuição dos plantios no Estado. Trabalhando-se, por exemplo, com uma densidade de plantas igual a 3333 plantas, seriam plantadas em 100 hectares, mais de 300 mil plantas diferentes. Num primeiro momento (5 ou 6 anos) poderiam ser selecionados por cafeicultores e profissionais da área, diversos genótipos promissores por propriedade. Ao longo dos anos sugerem-se observações/avaliações mais afinadas desses genótipos.
Sugerimos que cada área tenha seu plantio subsidiado. Este subsídio poderia vir por meio da legalização gratuita das questões inerentes a propriedade, construção de barragens, estradas, adubos, mudas “abatimentos” de dividas ou pagamento direto em dinheiro (depósito).
Desse modo, com o apoio de diversas instituições públicas (Incaper, Ufes, MAPA e outras), cooperativas, viveiristas, empresas de projetos e consultoria e o envolvimento de diversos cafeicultores, seria possível, com o aporte de recursos financeiros pelo Estado, reduzir de forma significativa o problema do estreitamento genético do café conilon por algumas décadas. Ou seja, um pequeno valor monetário, comparado à grande importância do segmento, da cafeicultura para o Estado, para a sociedade, tornando a atividade mais sustentável.

Artigo publicado na 40ª edição (Out/Nov 2012) da revista ProCampo
por por Fábio Luiz Partelli, Aldo Luiz Mauri e Adésio Ferreira
partelli@yahoo.com.br


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