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14.12.2012 - 09:55

Gotejamento em café

O Brasil já irriga 251.000 ha de todo o seu parque cafeeiro, o que representa quase 10% da cafeicultura nacional. O que chama a atenção é que esta fatia irrigada responde por 25% da produção nacional, mostrando a grande competitividade da cafeicultura irrigada nacional.
Os cafezais irrigados estão mais concentrados nos estados do Espírito Santo, Minas Gerais, Bahia e, em menor proporção, em Goiás, Mato Grosso, Rondônia e São Paulo.
A irrigação tem sido utilizada mesmo nas regiões consideradas tradicionais para o cafeeiro, como o sul de Minas Gerais, Zona da Mata de Minas Gerais, Mogiana Paulista, Espírito Santo, etc. Trabalhos de pesquisa demonstram que o aumento de produtividade média com o uso da irrigação (médias de pelos menos 3 safras) tem sido de 50%, quando comparada com as lavouras de sequeiro, trabalhos estes desenvolvidos nas regiões de Lavras e Viçosa, Minas Gerais, regiões consideradas aptas climaticamente ao cultivo do cafeeiro, sem a necessidade de irrigação.
Existem diferentes sistemas de irrigação que podem ser utilizados, sendo que a escolha do sistema de irrigação mais adequado depende de uma série de fatores, destacando-se o tipo de solo, a topografia, o tamanho da área, os fatores climáticos, os fatores relacionados ao manejo da cultura, o déficit hídrico, a capacidade de investimento do produtor e o custo do sistema de irrigação. Além disso, deve-se ter em mente também que é grande o volume de água exigido na irrigação e, por isso, a necessidade de otimizar a utilização deste recurso é um dos aspectos mais importantes que deverá, também, ser considerado no momento de decidir pelo método e pelo sistema de irrigação a ser utilizado.
Em geral, a irrigação do cafeeiro é feita por dois métodos: aspersão e irrigação localizada. Os sistemas de aspersão utilizados na irrigação desta cultura são os seguintes: aspersão convencional móvel (com aspersores pequenos, médios e canhões) ou fixa (que inclui o sistema de aspersão em malha), autopropelido e pivô central. Em função de aspectos relacionados ao consumo de energia, exigência de mão-de-obra e outros aspectos operacionais, os sistemas mais viáveis de irrigação por aspersão têm sido o convencional (principalmente do tipo malha) e o pivô central. Já com relação à irrigação localizada, os sistemas mais utilizados são o gotejamento, por suas características técnicas que permitem uma irrigação com grande precisão, economia de água e energia e as fitas de polietileno (sistema também conhecido como “tripa”), principalmente pelo menor custo de implantação. Na Figura 1, estão dispostos custos atualizados dos principais sistemas de irrigação para o cafeeiro. Pode-se observar que, para irrigar a lavoura, o produtor tem opções que variam de U$ 1.200,00 a 3.300,00/ha.
Com relação aos demais sistemas, o gotejamento tem uma série de vantagens, das quais se destacam:
a) Maior eficiência no uso da água (melhor controle da lâmina de água; diminui as perdas por evaporação; não ocorre perdas por percolação e  por escoamento superficial; não irriga ervas daninhas entre as fileiras da cultura; não é afetada pelo vento, tipo de solo ou interferência do irrigante);
b) Maior produtividade (em geral, obtém-se maior produtividade com irrigações localizadas, pois a frequência de irrigação é maior neste método; menores variações na umidade do solo e em consequência produção mais uniforme;
c) Maior eficiência na adubação (permite o uso da fertirrigação e em razão de concentrar o sistema radicular da cultura junto ao bulbo molhado, facilita a aplicação do adubo por cobertura;
d) Maior eficiência no controle fitossanitário (não irriga as ervas  daninhas e não molha a parte aérea dos vegetais, o que facilita o controle destas ervas, dos insetos e  fungos, permitindo maior eficiência no uso de defensivos, além de permitir a aplicação direta de defensivos sistêmicos via água de irrigação;
e) Não interfere com as práticas culturais (por não molhar a faixa entre fileiras, podem-se fazer capinas, colheitas e aplicação de defensivos antes, durante e depois da irrigação);
f) Adapta-se  a  diferentes tipos de solo e topografia (como a aplicação de água na irrigação é em pequena intensidade, este método se adapta melhor do que qualquer outro, a diferentes tipos de solo e a variada topografia, mesmo no caso de terrenos com topografia irregular e acidentada;
g) Pode ser usado com água salina ou em solos salinos (como o turno de rega é, em geral, muito pequeno, o teor de umidade dentro do bulbo molhado é sempre bastante elevado, mantendo-o com menor concentração de sal no seu interior e maior na sua periferia. Isso permite maior concentração de raízes na região central do bulbo;
h) Economia de mão-de-obra (por se tratar de sistemas fixos e possibilitar automatização, há grande economia de mão-de-obra (1 homem/100 ha) quando comparados com sistemas convencionais de irrigação por aspersão e por superfície.

Limitações

Porém, apresenta também algumas limitações, como:
a) Entupimento (uma das características deste método é o fluxo de água por pequenos orifícios. Por isso necessita de um sistema de filtragem cuidadosamente dimensionado,  para atender as características do projeto. Com o desenvolvimento das indústrias de filtros, podemos dizer que os problemas mais comuns de entupimento no passado foram superados. Esse assunto será abordado com mais detalhes nesta unidade de estudo;
b) Distribuição do sistema radicular (quando os primeiros sistemas de irrigação localizada foram instalados no Brasil, utilizavam-se gotejadores so-mente ao lado das plantas, de acordo com o espaçamento entre elas. Isso gerava um bulbo úmido constante somente naquela região e onde se concentrava o sistema radicular, dimi-nuindo  a   estabilidade,  principalmente  de  árvores  frutíferas, o que levava ao tombamento. Hoje não é comum este procedimento, sendo o mais recomendado a irrigação por faixa molhada ao longo da fileira da cultura, o que, consequentemente, elimina a má distribuição das raízes. Na cafeicultura, este problema pode ser evitado, com o manejo dos emissores, através da mudança na instalação das linhas de gotejadores, em relação às linhas de plantas;
c) Capina, fogo, vandalismo, roedores (são problemas que realmente atormentam a vida dos produtores. Como o sistema normalmente fica sobre o solo, no momento das capinas pode ocorrer corte dos tubogotejadores e demais peças do sistema, como, por exemplo, dos tubos que conectam os microaspersores na linha lateral; o fogo é outro problema, porque todo o material utilizado é de plástico e de polietileno e estes são sensíveis à alta temperatura. Roedores também se constituem em problemas, pois danificam os tubos quando vão matar a sede nas linhas laterais do sistema, onde estão instalados os gotejadores. Em alguns países, como Austrália e Cuba, utiliza-se a subirrigação, que consiste em enterrar todas as linhas laterais a uma certa profundidade, dependendo da cultura. No Brasil já existem alguns produtores que estão adotando esta tecnologia. Porém, os resultados não tem sido satisfatórios. Há necessidade de maiores pesquisas antes de se adotar com propriedade o enterrio de tubogotejadores em café.

Crescimento

Quando o produtor de café adota um sistema de irrigação por gotejamento, que é um dos mais tecnológicos existentes, espera ter maior segurança no seu negócio. Se o projeto for feito de forma adequada, com instalação cuidadosa e adotando-se um manejo racional da sua água e energia, com certeza terá sucesso. São várias as histórias de sucesso com cafeicultores irrigantes que adotam o gotejamento, em praticamente todas as regiões brasileiras. Nas regiões cafeeiras tradicionais, como o Sul de Minas Gerais, a irrigação por gotejamento tem crescido de forma acelerada, graças aos excelentes resultados obtidos pelos produtores que já adotam esta tecnologia há mais tempo (Figuras 2 e 3).
Outros grandes projetos foram montados na região da Mogiana Paulista (Figura 4) e outros no cerrado (Figura 5), região já tradicional de cafeicultura irrigada.

Artigo publicado na 40ª edição (Out/Nov 2012) da revista ProCampo
por André Luís Teixeira Fernandes
Prof. Dr. Engenharia de Água e Solo, Universidade de Uberaba (UNIUBE),
Coordenador do Núcleo de Cafeicultura Irrigada da Embrapa Café
andre.fernandes@uniube.br


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