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de 2017.   51ª Edição (Agosto/Setembro)  
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14.12.2012 - 10:02

Café conilon/robusta: Uma nova opção para a cafeicultura paulista

Estima-se que o café robusta (Conilon/Robusta) participe com 35% das operações envolvendo café bene?ciado
(verde) em âmbito mundial. Calcula-se que a produção nas diversas regiões cafeicultoras do mundo alcance atualmente cerca de 46 milhões de sacas de café robusta.
Existem dois grandes grupos de café robusta (grupos Conilon e Robusta).
1- Grupo Conilon, que compreende os cafés do tipo Kouilou, cujas principais características são: internódios de menores tamanhos, frutos pequenos, maturação precoce a média dos frutos, sementes pequenas e com menor peso, peneira média baixa, altos teores de cafeína (em torno de 2,7%). A maior parte das plantas deste grupo apresentam suscetibilidade à ferrugem, tolerância à seca, e brotos novos de coloração bronze.
2- Grupo Robusta. Os representantes do grupo Robusta apresentam internódios longos, frutos grandes, maturação média a tardia dos frutos, sementes grandes, peso de sementes maiores do que as do Grupo Conilon, peneira média alta, menores teores de cafeína (em torno de 2,5%), maior resistência à ferrugem, variabilidade para tolerância ou sensibilidade à seca, exigência em água, coloração das folhas novas bronze ou marrom.
No Brasil, o café robusta é conhecido como Conilon e é cultivado em maior escala nos Estados do Espírito Santo, Rondônia e Bahia. A produção global do país em 2012 foi de 12,32 milhões de sacas, tendo por destinação primordial a indústria do solúvel, a torrefação e moagem para exportação. É importante ressaltar também que a cafeicultura do Conilon no Brasil responde por geração de renda da ordem de um bilhão de reais, quando contabilizados todos os negócios envolvendo o produto.
No Estado de São Paulo, plantios de robusta (grupos Conilon e Robusta) existem apenas em condições experimentais. Parcelas com diversas cultivares de café robusta foram estabelecidas principalmente nas regiões da Alta Paulista e Araraquarense há mais de quinze anos, com a finalidade de avaliar o comportamento e o potencial produtivo desses materiais genéticos. Atualmente estão sendo avaliados os clones de Conilon das variedades Emcapa 8111 (Precoce), 8121 (Médio), 8131 (Tardio), 8141 Robusta Capixaba e Incaper 8142 (Conilon Vitória) e clones de Robusta e Kouilou do IAC em condições irrigadas ou não irrigadas da Alta Paulista (Lins, Getulina, Adamantina e Parapuã) em Mococa e Campinas, regiões de altitudes ao redor de 700 m e no Vale do Ribeira, região de baixa altitude e de temperatura média ao redor de 21º C. Os resultados obtidos até o presente são animadores, e evidenciam a grande rusticidade e produtividade de cafeeiros da espécie Coffea canephora que produz o café robusta (Conilon/Robusta). Essa constatação mobiliza, crescentemente, técnicos e produtores para o estabelecimento comercial do robusta em São Paulo. Assim, com base nas informações disponíveis, poder-se-á iniciar o plantio de áreas pilotos no Estado. Evidentemente, a expansão da atividade deverá contar com novas informações tecnológicas a serem obtidas com a intensificação das pesquisas cafeeiras dirigidas para a atividade. No Estado de São Paulo existem regiões que ainda não encontraram alternativas econômicas em substituição ao café arábica, apesar das tentativas realizadas com algumas culturas. Estima-se, porém, que caso a cafeicultura seja novamente recomendada para essas regiões, poderá ter produtores interessados no cultivo, a julgar pela tradição, ou seja, pela existência de produtores com conhecimento da cultura do café e pela existência de infra-estrutura ociosa para atividade nas cooperativas de produtores dessas regiões. No entanto, atualmente a cultura da cana está sendo estabelecida em várias regiões do Estado de São Paulo e pode ser um obstáculo à implantação da cultura do café robusta (tipos Conilon e Robusta) em algumas dessas regiões. O IAC desenvolve desde 1970 um projeto de genética e melhoramento do café robusta, onde foram identificadas progênies de meio-irmãos e mais de quinhentas plantas matrizes que poderão dar subsídios para a implantação gradual do café robusta no Estado de São Paulo. No entanto, há necessidade de experimentação regional em vários níveis de tecnologia, inclusive com irrigação, uma vez que os genótipos de café robusta (tipos Conilon e Robusta) são tolerantes a temperaturas mais altas, porém mais exigentes em água.
Diversos são os fatores favoráveis à implantação do café robusta (Conilon ou Robusta) no Estado de São Paulo. Existem condições climáticas apropriadas, há tradição e infra-estrutura para a produção de café nessas regiões que são ex-produtoras de café arábica e várias das indústrias solubilizadoras e torrefadoras localizam-se na região. Além disso, o café robusta possui várias características agronômicas e tecnológicas que estimulam o seu cultivo e industrialização. A seguir são apresentadas e discutidas algumas considerações sobre o café robusta, visando a sua experimentação, seleção e plantio no Estado de São Paulo.

Aptidão climática e fator hídrico

Recentemente um estudo da aptidão climática para a cultura de robusta no Estado de São Paulo elaborado no Instituto Agronômico, em Campinas, revelou existência de uma ampla faixa com aptidão climática preferencial à essa cultura. Essa região que se localiza principalmente no oeste do Estado de São Paulo, apresenta temperatura média anual superior a 22ºC, com altitudes inferiores a 500 m e deficiência hídrica anual abaixo de 150 mm. Tais condições são semelhantes às do centro de origem da espécie na África. A região sul do Vale do Ribeira, também é considerada climaticamente apta ao cultivo do café robusta, apesar da temperatura média ser baixa (21ºC), ter baixas altitudes (50 a 500 m) e contar com elevada quantidade de chuvas. Essas regiões perfazem um total de aproximadamente 200.000 ha de área apta.
Com referência ao fator hídrico, a experiência tem demonstrado que o café arábica e o robusta suportam deficiências de até 150 mm anuais, quando em solos profundos e de boas propriedades físicas. Acima desse valor, a área pode ser considerada como marginal. É o que acontece na faixa adjacente ao Rio Grande, no norte do Estado. Nessa faixa e em outras regiões que apresentam déficit hídrico, a irrigação é uma exigência e  poderá viabilizar o plantio comercial do café robusta.

Tradição e infra-estrutura

O Estado de São Paulo contribui atualmente com menos de 10% da produção nacional de café tendo produção estimada em 2012 com cerca de 4,2 milhões de sacas de café arábica. Entretanto, o Estado já foi responsável por cerca de 25% da produção nacional. Inúmeras propriedades rurais ainda contam com infra-estrutura para a produção de café, que foi implementada no passado para o cultivo do arábica. Algumas destas regiões que hoje são consideradas problemáticas para o cultivo desta espécie são, porém, aptas para o café robusta. (tipos Conilon e Robusta).

Oferta do produto e proximidade das indústrias solubilizadoras

Segundo consta, a indústria de café solúvel trabalha atualmente com apenas 50% de sua capacidade operacional. Portanto, a cultura do robusta em São Paulo poderia contribuir para a redução desse déficit. Os produtores com apoio das indústrias de solúveis, não teriam dificuldades em comercializar suas produções. Existem no país sete solubilizadoras, sendo que três encontram-se instaladas no Estado de São Paulo e duas no norte do Paraná. O robusta (Conilon) processado nessas indústrias provém essencialmente Espírito Santo e Rondônia. Este parece ser outro fator estimulante à produção de robusta em São Paulo, cujos custos de transporte seriam reduzidos.

Características agronômicas e tecnológicas do café robusta

Produtividade e rusticidade: Ensaios desenvolvidos pelo IAC têm evidenciado que algumas seleções de Robusta e Conilon plantados em espaçamentos adequados apresentam potencial de produção igual ou superior aos arábicas. O cafeeiro robusta possui sistema radicular mais desenvolvido que o do arábica, sendo também menos exigente em fertilizantes. Consequentemente, o custo de produção é um pouco inferior ao do arábica.
Propagação por sementes: Algumas seleções de café robusta do IAC e a cv. Robusta Tropical do Incaper podem ser propagadas por sementes. No entanto essas plantações não apresentarão uniformidade, devido a sua forma de reprodução. Estudos estão sendo desenvolvidos no IAC para viabilizar a propagação por sementes, plantando híbridos ou seleções que dão produções mais uniformes.
Propagação vegetativa: Uma das grandes vantagens da cultura do café robusta (tipos Conilon e Robusta) relaciona-se com a possibilidade de multiplicação vegetativa realizada por estaquia de segmentos de ramos ortotrópicos. Plantas geneticamente superiores, podem assim, ser rapidamente multiplicadas. O plantio ideal de café robusta deverá ser efetuado por este tipo de propagação, utilizando-se os melhores clones do IAC, do Incaper, da Embrapa Rondônia e de particulares.
Tolerância ao calor: O café robusta tolera temperaturas mais altas (acima de 23ºC), portanto, poderá ser uma nova opção nas regiões com temperaturas médias mais elevadas. Em virtude do aquecimento global este tipo de café poderá assumir maior importância no cenário mundial. A temperatura média ideal para o café robusta está entre 22 e 26°C. Em temperaturas médias de 21ºC o café Robusta tem ido relativamente bem, desde que não ocorram mínimas muito baixas, principalmente na época do florescimento.
Tolerância à seca e necessidade de irrigação: De maneira geral algumas cultivares clonais de café Conilon e seleções de Robusta têm se revelado mais tolerantes a curtos períodos de estiagem, do que as cultivares de C. arabica. No entanto, os clones do café robusta são exigentes em água e, portanto, necessitam ser irrigados. Para o estabelecimento da cultura no Estado de São Paulo a irrigação será fundamental.
Resistência a pragas e doenças: Os principais problemas fitossanitários do café robusta no Brasil são os nematóides (Meloidogyne incognita e M. paranaensis), o bicho mineiro (Leucoptera coffeella), a broca dos grãos (Hypothenemus hampei) e a ferrugem (Hemileia vastatrix). Algumas regiões quentes, como a Alta Paulista, Noroeste e Araraquarense, tornaram-se problemáticas para a cultura do arábica devido a incidência conjunta de vários destes agentes, associada à ocorrência de solos erodidos. Essas regiões, porém, são aptas ao cultivo de C. canephora, desde que os plantios sejam irrigados. Vários clones Conilon do Incaper são moderadamente suscetíveis ou suscetíveis à ferrugem. Os clones de Robusta em estudo no IAC são imunes à ferrugem. É importante também ressaltar a maior incidência da broca dos grãos nos cafés Conilon e Robusta, que parece ser o principal problema fitossanitário da cultura no Brasil. A maturação mais tardia dos frutos de algumas cultivares permite a multiplicação mais intensa da broca e do bicho mineiro. Os frutos do café robusta apresentam também pericarpo e endocarpo mais finos e menor quantidade de mucilagem, características que podem estar relacionadas a maior suscetibilidade à broca.
Suscetibilidade a ventos: O café robusta (Conilon e Robusta) é mais suscetível a ventos do que o arábica. Há necessidade de proteger as plantações com quebra – ventos.
Maturação: No café robusta, existe grande variabilidade para essa característica ocorrendo cultivares de maturação precoce, média, média para tardia ou tardia. O cultivo de clones ou progênies desses quatro grupos poderia facilitar a operacionalização da colheita e secagem dos frutos.
Rendimento: No café arábica, a relação entre o peso de café beneficiado e o de café em coco, é cerca de 50%. No café robusta, este rendimento pode atingir até 65%, sendo mais uma característica favorável desse café.
Tamanho das sementes e porcentagem de grãos chato e moca: As principais cultivares de C. canephora cultivadas no Brasil (Conilon), apresentam grãos pequenos (peneira média 14 a 16), com alta porcentagem de grãos moca (20 a 40%). A maior parte das progênies e clones de café Robusta selecionados nas antigas Estações Experimentais do IAC e propriedades particulares do Estado de São Paulo, são derivadas do grupo Robusta e têm grãos maiores (peneira 15 a 19, alta porcentagem de grãos do tipo chato 80 a 90%) e baixa porcentagem de grãos moca (10 a 20%), sendo portanto bastante promissoras do ponto de vista tecnológico.
Bebida: Apesar dos cafés Conilon e Robusta terem bebida de qualidade inferior ao arábica, existe grande variabilidade nestes tipos de café para diversas características organolépticas, como perfil de sabor, corpo e aroma que poderiam modificar a qualidade final do produto industrializado e também de seus blends com o arábica. Caso seja utilizado o café cereja descascado, a bebida poderá se apresentar com melhor qualidade. Pode-se afirmar que a qualidade de bebida do Conilon e do Robusta tem características próprias.
Sólidos solúveis: Sabe-se que o teor de sólidos solúveis em C. canephora é superior ao de C. arabica. Existe entre os robustas considerável variabilidade para essa característica. Rendimentos industriais muito superiores aos atuais poderiam ser obtidos através do estudo de novas seleções de Robusta e Conilon.
Cafeína: O teor médio de cafeína nos grãos de C. canephora é de 2,5% embora varie de 1,4 a 4,0%. Altos teores desse alcalóide são interessantes pelo maior rendimento de extração e baixo teores para o consumo deste tipo de café.
Condução da lavoura: A principal diferença no manejo da cultura do robusta frente ao arábica, consiste nas podas de condução. Por se tratar de planta vigorosa adaptada a luz e ao calor, o Conilon e ou Robusta tem desenvolvimento das plantas acelerado, demandando ações permanentes de poda nas plantas, seja em espaçamentos largos ou adensados.
Todavia, esse conjunto de características, tornam o cultivo do Robusta ou Conilon bastante promissor para aquelas regiões paulistas com vocação para a cafeicultura, onde apresentam temperaturas elevadas para arábica e problemas com nematoides.

Plantio de café Conilon e Robusta no Estado de São Paulo

Para o plantio de clones é de fundamental importância conhecer as características de cada clone, principalmente a época de maturação, florescimento, tamanho das sementes e resistência aos nematoides. Os clones devem ser plantados em grupos de clones compatíveis com maturação e outras características semelhantes. Neste caso deve-se plantar um clone por linha de café. O mínimo de clones é de dois. No entanto, parece ser preferível efetuar os plantios com 3 a 5 clones. Os plantios no Estado de São Paulo estão sendo feitos apenas experimentalmente em ensaios ou campos pilotos. Para plantios em escala comercial, há necessidade de estabelecer jardins clonais.
Estão sendo testados vários tipos de clones das principais cultivares clonais do Espírito Santo, clones de café Conilon e de Robusta do IAC e progênies de meio irmãos de café Robusta e Conilon. Até o presente momento os clones 11, 16, 75, 3V, 8V, 12V e 13V do Incaper, Ipiranga 501 e 502 do senhor Francisco Luís da Silva Felner e vários clones de Robusta do IAC tiveram melhor comportamento. O trabalho de implantação do café Robusta/Conilon no Estado de São Paulo está tendo a participação da Secretaria da Agricultura (IAC, APTA, CATI), de Cooperativas e de vários cafeicultores interessados na sua viabilização.

Artigo publicado na 40ª edição (Out/Nov 2012) da revista ProCampo
por Luiz Carlos Fazuoli
Pesquisador Científico - Centro de Café ‘Alcides Carvalho’
Instituto Agronômico de Campinas - IAC
fazuoli@uol.com.br


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