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de 2017.   51ª Edição (Agosto/Setembro)  
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03.01.2013 - 14:28

A cultura do açaí

O açaizeiro é uma planta do gênero Euterpe, pertencente à família Arecaceae. Uma palmeira tropical, perene, nativa da Amazônia oriental, predominante ao longo dos igarapés, terrenos de baixada e áreas com umidade permanente. No Brasil, há pelo menos dez espécies, sendo duas delas mais comuns na Amazônia: Euterpe precatoria (açaí solteiro) e Euterpe oleracea (açaí de touceira).
O açaí solteiro tem distribuição desde a América Central até o norte da América do Sul e é conhecido popularmente como açaí-do-amazonas, açaí-da-mata, açaí-de-terra-firme e açaí solteiro. Essa espécie não perfilha, pois é palmeira de estipe única, ao contrário da E. oleracea que forma touceiras de ocorrência natural predominante no Pará. Na sinonímia popular E. oleracea é conhecida pelos nomes de: açaizeiro, açaí-do-pará, juçara, pinot, açaí-do-baixo amazonas e pina palm.
O açaí de touceira é uma das espécies comerciais mais conhecidas, também encontrada, ao longo dos igarapés, terrenos de baixada e áreas com umidade permanente. Possui farto perfilhamento entre o 2º a 3º ano de idade, permitindo nessa fase a exploração de suas populações nativas para a produção de palmitos e frutos.
O açaizeiro é uma planta de grande importância sócioeconômica para a região norte do país, devido ao seu enorme potencial de aproveitamento integral de matéria-prima. Dentre sua multiplicidade de uso, é recomendada para ornamentação (paisagismo), proteção do solo, recomposição de matas ciliares e reflorestamento.
Desde os tempos pré-coloniais o açaí é um importante alimento na dieta dos habitantes da Amazônia e devido a “febre do açaí”, hoje em dia é cultivado não só na Região Amazônica, mas em diversos outros estados brasileiros. Foi introduzido no mercado nacional durante os anos oitenta e noventa, com modificações no modo de consumo.
Apesar do alto teor de gordura, trata-se em grande parte das gorduras monoinsaturadas (60%) e poliinsaturadas (13%), também presentes no abacate. Estas gorduras são benéficas e auxiliam na redução do colesterol ruim (LDL) e melhoram o HDL, contribuindo na prevenção de doenças cardiovasculares como o infarto.

Valor energético

Seu valor energético é duas vezes superior ao leite, além de possuir vitamina E, fibras, vitamina B1, elevados teores de ferro, potássio e cálcio, sendo um dos mais completos alimentos.
Através do despolpamento dos frutos obtém-se o tradicional “vinho de açaí”. O caroço (endocarpo e a amêndoa), após sua decomposição é largamente utilizado como adubo orgânico e as sementes secas e polidas são utilizadas na confecção de artesanato e bijuterias (biojóias).
O caule (estipe) do açaizeiro é utilizado como esteio para construções rústicas, ripas para cercados, currais, paredes, caibros para cobertura de barracas e lenha. Além de ser matéria-prima para a produção de papel e produtos de isolamento elétrico.
As raízes possuem propriedades medicinais, auxiliam no tratamento de doenças hepáticas, renais e no tratamento de verminoses. As folhas são utilizadas em cobertura de barracas, fechamento de paredes, ração para animais e fabricação de papel.
O palmito, localizado no ápice da copa é a gema apical que se encontra envolvida pela bainha das folhas do açaizeiro. É um produto comumente utilizado na culinária regional, sendo grande parte da produção destinada ao mercado externo.
Um açaizeiro adulto proporciona, em média, quatro cachos por estipe, ou caule, cada um com aproximadamente 2 kg de frutos, a partir do quarto ano. O rendimento do processamento de 20 litros (15 kg) de frutos equivale de 6 a 10 litros de vinho. O preço do litro do açaí é variável na Região Amazônica, oscilando em torno de R$ 3,00 por litro. O que define o valor é a espécie, a consistência da polpa e a tecnologia envolvida no preparo da bebida.
Para o estabelecimento de um açaizal, as sementes deverão ser originadas de palmeiras selecionadas, observando algumas características importantes da planta, como o diâmetro do estipe, o número de folhas e a sanidade, que devem estar em conjunto com outras plantas da mesma espécie e no mesmo estádio de desenvolvimento, para evitar a autofecundação forçada.
Para semear as sementes de frutos recém colhidos, deve-se manter as sementes em sacos plásticos e umedecê-las, mantendo à sombra e à temperatura ambiente. Após 3 ou 4 dias, atritar os frutos sobre malhas de peneiras grossas, em água corrente, para retirada da polpa. Ou também, imergir totalmente os frutos em água, trocando-a diariamente, para não fermentar e após três a quatro dias, despolpar.
As sementes do açaizeiro são classificadas como recalcitrantes, ou seja, não suportam redução do grau de umidade sem que haja perda na porcentagem de germinação (perda de vigor). De modo geral, suas sementes perdem o poder germinativo 15 dias após o beneficiamento, se armazenadas em condições ambientais. Porém, é possível armazená-las por até cinco meses, desde que acondicionadas em sacos plásticos bem fechados e mantidos sob refrigeração (temperatura entre 5 a 10ºC). Caso contrário, deverão ser colocadas imediatamente para germinar diretamente no solo, em sementeira ou em sacos de polietileno.
O processo germinativo de sementes logo após a remoção da polpa é relativamente rápido, mas desuniforme. A emergência das plântulas inicia 22 dias após a semeadura e se estabiliza aos 48 dias, podendo demorar até 60 dias. A polpa oleaginosa, que envolve o endocarpo fibroso da semente, contribui para baixar a porcentagem de germinação nas condições naturais. O simples fato de despolpar (remover a parte da casca e o endocarpo fibroso), estimula o processo germinativo.

Colheita

A primeira colheita ocorre entre o terceiro e/ou quarto ano, embora esse período seja dependente das condições edafoclimáticas de cada região e da espécie utilizada.
Para a colheita dos cachos é necessário subir na planta com o auxílio de um cinturão, ou outro instrumento que facilite chegar até o cacho. Nas áreas ribeirinhas, os escaladores utilizam a peconha, um cinturão trançado, normalmente feito com as folhas do próprio açaizeiro.
É possível utilizar também o método da garra, que consiste no uso de duas garras de ferro, cinto de segurança, corda, e um descensor (oito), sendo necessário para isso a ocupação de duas pessoas. Este método é mais seguro que o modo tradicional, seguindo, porém, a mesma rotina de trabalho para a retirada do cacho. Coloca-se uma lona plástica limpa embaixo da palmeira, para evitar contato direto com o solo, onde são colocados os cachos maduros, e em seguida retiram-se os frutos (“debulha”) em um recipiente (lata, caixa plástica, cesto = cofo ou paneiro).
A principal doença do açaizeiro é a antracnose causada pelo fungo (Colletotrichum sp.). Ela só é limitante em condições de viveiro e em regiões frias e úmidas. Em condições de campo, não há nenhuma doença severa que mereça controle até o momento.
Um açaizal manejado pode gerar emprego e renda, além de manter o ambiente conservado. O cultivo de açaí em áreas de terra firme se destaca como uma alternativa viável para o produtor. Pois além de ser utilizado na recuperação de áreas desmatadas, em sistemas agroflorestais, também pode contribuir para a redução do extrativismo. Outra importante vantagem é a agilidade no transporte (rodoviário) e no beneficiamento rápido, sem depender do transporte fluvial, que é mais lento.
O processo de produção também conta com inovações, como o cultivo de açaizeiro irrigado ou em áreas que dispensam a irrigação, como alternativa para se obter o açaí fora da época, triplicando o preço na época da entresafra.
Em 2004, a Embrapa Amazônia Oriental lançou a cultivar de açaí BRS Pará, uma novidade que atenta para o uso de sementes e mudas certificadas. A cultivar BRS Pará, foi a primeira selecionada para produção de frutos em condições de terra firme. Apresenta precocidade de produção, com colheita dos primeiros cachos aos 3 anos de idade, e produtividade estimada de 10 t/ha/ano e rendimento de polpa de 15% a 25% aos 8 anos de idade. O porte baixo da planta facilita a colheita, elimina o uso de equipamentos perigosos e melhora a eficiência operacional no processo de colheita dos frutos.
De acordo com a Embrapa Oriental a abrangência do mercado para uso dessa cultivar delimita-se aos estados do Amazonas, Acre, Amapá, Pará, Rondônia, Roraima, Tocantins e Noroeste do Maranhão.


Artigo publicado na 41ª edição (Dez/Jan 2013) da revista ProCampo
por Marcela Campanharo e Elizaleth Hoffmann
professoras das Faculdades Integradas Aparício Carvalho, porto Velho (RO)
marcelacampanharo@gmail.com


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