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03.01.2013 - 14:42

Nutrição e fertilização de orquídeas - Parte 1

As plantas epífitas e rupículas da família Orchidaceae adaptaram-se, ao longo do tempo, a condições de baixa disponibilidade de água e, em muitos casos, de nutrientes. Mesmo nos casos os quais essas orquídeas se desenvolveram em ambiente com boa disponibilidade de nutrientes, o seu suprimento nutricional, possivelmente, não ocorreu com eficiência, pois o transporte dos nutrientes no substrato até as suas raízes é dependente da água. Sendo assim, essas orquídeas desenvolveram mecanismos adaptativos que lhes permitiram maior eficiência na captação e no uso dos recursos nutricionais. Dentre esses mecanismos estão a alta capacidade de retenção de umidade e de nutrientes pelo velame (tecido esponjoso da raiz); a habilidade dessas plantas de produzir raízes (RA) em detrimento à produção de parte aérea (PA) (folhas e pseudobulbos) (alta relação RA/PA); e a associação com fungos micorrízicos.
Esses mecanismo adaptativos são recursos que as orquídeas possuem para auxiliá-las em sua própria nutrição, no entanto, existem diversos artifícios relacionados à forma como essas plantas são cultivadas que interferem na nutrição das orquídeas promovendo seu melhor crescimento e desenvolvimento, levando à redução no tempo para início de floração e à inflorescências mais vigorosas e com maior número de flores (Rosa et al, 2009). Dentre esses artifícios, a irrigação e a fertilização interferem de forma direta sobre a nutrição das orquídeas e, logo, no crescimento dessas plantas. Wang (1996); Rodrigues (2005) e Santos (2009) demonstram que uma fertilização adequada favorece o bom crescimento dessas plantas e, por outro lado, que uma fertilização desbalanceada leva à deficiência ou excesso nutricional e à redução no crescimento das orquídeas (Figura 1).
Por tanto, torna-se importante que os produtores e colecionadores de orquídeas tenham conhecimentos sobre nutrição e fertilização de orquídeas, pois estes poderão auxiliá-los no diagnóstico de eventuais problemas nutricionais e à realização de fertilização adequada, levando a produção e, ou manutenção de orquídeas sadias e vigorosas. Sendo assim, o objetivo, com esta sequência de dois artigos, é dispor informações sobre nutrição e técnicas de fertilização de orquídeas aos produtores e colecionadores de orquídeas.

Nutrição

As orquídeas, assim como todas as plantas, são organismos fotoautotróficos, ou seja, conseguem, utilizando a energia solar, assimilar o CO2 atmosférico e convertê-lo em substâncias orgânicas que serão utilizadas para seu crescimento, esse processo é conhecido por fotossíntese. O C conjuntamente com os elementos O e H  formam a estrutura do corpo da orquídea e compõem entre 90 e 95 % da matéria seca da orquídeas. Os nutrientes minerais, ou elementos essenciais (esse são assim denominados porque, sem eles, a planta não consegue crescer e desenvolver-se), compõe os outros 5 a 10 % da matéria seca dessa planta, sendo eles: N; P; K; Ca; Mg e S (macronutrientes) e Fe; Zn; Mn; Cu; B; Mo; Cl e Ni (micronutrientes). Essa diferenciação entre macro e micronutrientes diz respeito apenas à exigência (demanda) que as plantas têm em relação aos nutrientes, sendo assim, a quantidade demanda dos macronutrientes pelas orquídeas é maior que a dos micronutrientes, mas isso não significa que um nutrientes seja mais importante que o outro.
Quando um nutrientes for oferecido em quantidade menor à necessidade da orquídea, ter-se-á crescimento e desenvolvimento mais lento, plantas mais susceptíveis a doenças e pragas e, em casos mais severos de limitação nutricional, o surgimento de sintomas visuais de deficiência. Ressalta-se que antes de aparecer os sintomas visuais de deficiência do nutriente a orquídea já teve seu crescimento e desenvolvimento comprometidos.
Os órgãos ou a região da planta que apresentaram os sintoma visuais de deficiência dependem do nutriente, sabe-se que existe diferentes grupos de nutrientes quanto à mobilidade desses dentro da planta – nutrientes móveis ou pouco móveis. Os nutrientes móveis (N, P, K e Mg) são aqueles que as plantas conseguem remobilizar com facilidade de uma região para outra dentro da própria planta, sendo assim, quando houver deficiência de um desses nutrientes a orquídea irá remobilizar esses das regiões mais velhas para as regiões mais novas, as quais são metabolicamente mais ativas, tais como brotos e raízes novas e inflorescências, então os sintomas de deficiência desses nutrientes serão observados na parte mais velha da orquídeas (Figura 2). Os nutrientes pouco móveis (Ca; S; Fe; Zn; Mn; Cu; B e Mo) são caracterizados pela baixa eficiência de sua translocação da região mais velha para a região mais nova da planta, portanto, seus sintomas de deficiência surgirão, principalmente, nas brotações, pontas de raízes e inflorescência (Figura 2).
Diagnosticar corretamente uma determinada deficiência nutricional é de extrema importância, pois assim ela poderá ser corrigida corretamente e seus sintomas não serão confundidos com os produzidos por doenças, este fato ocorre com frequência e leva a ações que, normalmente, geram ainda mais problemas no cultivo das orquídeas.
Com base no exposto até aqui, nota-se que a(s) fonte(s) de fertilizantes devem conter, na proporção adequada, todos os nutriente que as orquídeas necessitam e devem ser fornecidas na quantidade correta para que não ocorra deficiência nutricional e, consequentemente, redução no crescimento dessas plantas.

* Continuação do artigo na próxima edição da revista ProCampo.

Artigo publicado na 41ª edição (Dez/Jan 2013) da revista ProCampo
por André Ferreira Santos
engenheiro agrônomo - Incaper - Conceição do Castelo (ES)
andre.santos@incaper.es.gov.br


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