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03.01.2013 - 15:09

Reconhecimento mais que merecido

Dário Martinelli recebe comenda por sua participação na introdução comercial do conilon na cafeicultura no Espírito Santo

No dia 12 de novembro, em comemoração ao centenário do café conilon no Espírito Santo, o Governo do Estado homenageou pessoas e entidades que incentivaram o cultivo da espécie nas terras capixabas. E em uma noite de prestígios e comemorações não poderia faltar a figura de Dario Martinelli, um homem visionário que é um dos responsáveis direto pelo sucesso da cultura cafeeira no Estado.
Dário recebeu das mãos do governador Renato Casagrande a comenda Jerônimo Monteiro, uma forma de honraria por contribuir com o desenvolvimento do Estado. A Comenda é a mais alta condecoração concedida aos cidadãos e às instituições que se destacam com seus trabalhos e cooperam de forma significativa para a ampliação dos negócios do Espírito Santo.
O governador Casagrande destacou que a homenagem distingue as contribuições dadas ao Espírito Santo á pessoas que amaram o Estado exatamente na época em que se vivia uma crise de identidade e precisava de pessoas com envolvimento, cidadãos que se empenharam de fato para a evolução do cenário econômico.  Dário Martinelli foi um desses.
O produtor, que no início da década de 70 era o prefeito do município de São Gabriel da Palha, ficou emocionado com a homenagem, e falou: “Honestamente, é uma surpresa e ao mesmo tempo motivo de grande satisfação pelo reconhecimento do trabalho que fizemos na década de 70, introduzindo comercialmente a cultura do café conilon no Espírito Santo, que até então só tinha manchas, sem nenhum ou com pouco valor comercial”, explica.
É impossível contar a história dos 100 anos do conilon no Espírito Santo sem contar a história de Dario Martinelli, um homem que se apaixonou pelo café conilon e até hoje é responsável direto por sua evolução.

História

Nascido no dia 20 de maio de 1933, em Santa Teresa - ES, Dario Martinelli era odontólogo formado pela Ufes em 1955, tendo trabalhado profissionalmente no recém-criado município de São Gabriel da Palha quando, em 1971, assumiu a prefeitura da cidade. O momento era de dificuldades, uma vez que a política de erradicação do café estava a todo vapor. Foi então que, na contramão do que estava sendo realizado, o prefeito decidiu investir em uma cultura que até aquele momento não era valorizada no mercado: o café conilon.
Na ocasião o país passava pela crise na cafeicultura. Com o excesso de produção, e ferrugem, os cafés se encheram de pragas, que começaram a dizimar os cafezais de arábica do Estado. Muitos produtores não conseguiram manter seus cafezais. O Governo Federal pagava muito caro para erradicação dos cafezais, e os produtores começaram a vender suas terras e investir em outros estados. O Conilon era bastante tolerante as pragas, e surgiu a primeira possibilidade de fugir dessa crise.
“Eu assumi a prefeitura logo após a erradicação do café arábica. Na época eu imaginava que tinha que cumprir o meu objetivo, só que a economia foi dizimada junto com o café arábica, então pensei em alternativas”, explica Martinelli, acrescentando que com a mudança tributária, com a chegada do Imposto sobre Circulação de Mercadoria e Serviços (ICMS), os municípios interioranos ficaram sem ter o que produzir para gerar tributos. “Daí surgiu a ideia de aproveitar a expertise da mão-de-obra que estava migrando para outros estados: vamos continuar com o café”, completou.
O primeiro passo foi estudar a viabilidade. Primeiro foi comprovada a resistência à ferrugem e fácil adaptação ao clima da região. O segundo passo foi garantir o mercado consumidor. Ciente do interesse do Grupo de Tristão, com a Real Café, em montar uma fábrica de solúvel no Espírito Santo, o então prefeito se reuniu com os responsáveis da empresa para garantir a venda da produção.
O início não foi fácil. Para convencer os produtores que valia a pena transformar sua propriedade no cultivo do conilon, Dario Martinelli, começou pelas suas terras. Ele que não era produtor resolveu dar o exemplo e usou sua propriedade para implantar a cultura do conilon.
Para ajudar a disseminar a ideia entre os demais, contou com uma ajuda especial dos líderes religiosos que, de acordo com Dario Martinelli, foram essenciais para as primeiras aceitações. “Foi um trabalho realizado em conjunto com as lideranças religiosas e políticas, que divulgaram o trabalho como possível solução para o momento em que viviam.”
A prefeitura tinha construído um viveiro para a produção de mudas. No início, 16 propriedades aderiram ao conilon. Naquela época outros fatores contribuíam para a difícil aceitação do produto. O Instituto Brasileiro do Café (IBC) ainda não aceitava a produção do conilon robusta no Brasil e depreciava o produto para que os agricultores não plantassem.  Chegou a ameaçar o Governo Estadual a tirar subsídio do café capixaba se apoiasse a introdução do conilon. “Mas nosso governador na época, Arthut Gerhardt, enxergou na cultura do conilon uma oportunidade de manter o povo no campo e manteve o apoio”.

Sucesso

Em três anos, o café conilon se firmou como viável, o presidente do IBC foi visitar as propriedades de São Gabriel da Palha, passando de perseguidor, para colaborador, financiando o plantio. Martinelli ressalta que outro fator importante que contribuiu para o sucesso do conilon foi que o prefeito que o sucedeu, Eduardo Glazar, continuou o trabalho. “A administração do Glazar deu continuidade ao incentivo às lavouras cafeeiras, e foi assim por anos durante nossa alternância na administração municipal”, conta.
O ex-prefeito explica que depois de 10 anos de implantado, o viveiro de mudas foi desativado porque a iniciativa privada já estava caminhando bem e que a partir dali não havia necessidade.” Tanto esforço valeu a pena. Se tivéssemos ficado com arábica, o Espírito Santo seria o pior produtor do Brasil. Hoje, somos o melhor”, orgulha-se Martinelli.
O resto da história do conilon já é bem conhecida dos capixabas. Com o tempo os demais municípios foram aderindo à cultura do robusta e o estado se recuperou, sendo o pioneiro no Brasil na implantação da espécie. Atualmente, é o  maior produtor do país e um dos maiores do mundo.

Cetcaf

E a evolução do conilon continua seguindo lado a lado com Dario Martinelli, que foi responsável também pela fundação do Centro de Desenvolvimento Tecnológico do Café (Cetcaf). O objetivo agora é outro. Martinelli não precisa mais mostrar a viabilidade do produto, e sim, buscar avanços tecnológicos para que a qualidade da produção seja sempre superada. Mais um trabalho que tem alcançado sucesso.
“Começamos a notar que faltava algo que fomentasse as ações da cafeicultura, pensamento central voltado para o dinamismo das ações do café. O Cetcaf veio preencher essa lacuna, nunca isoladamente sempre em parceria com todas as entidades, especialmente, Governo do Estado, através da Secretaria de Agricultura e do Incaper, prefeituras municipais, Centro do Comércio do Café de Vitória, Cooabriel e outros”, explica Martinelli.
O Cetcaf foi criado há 19 anos, na Câmara Setorial do Café, pelo então Secretário de Estado da Agricultura Luiz Paulo Vellozo Lucas. Juntamente com o trabalho de pesquisa, a entidade capacita os produtores de conilon e arábica, e quase 18 mil produtores já foram treinados pelo Centro Tecnológico nesses anos de existência, sendo hoje difusores dos ensinamentos tecnológicos aprendidos.
“Temos uma equipe competente e somos o único Estado que mantém uma harmonia entre toda a cadeia: produtores, empresas, órgãos públicos, entidades do setor e áreas ligadas ao setor. Toda a cadeia do agronegócio café está inserida no Cetcaf. São parceiros.”
Há 10 anos, Martinelli começou a produzir o cereja descascado e este ano mais oito produtores estão fazendo o mesmo trabalho em rumo à melhor qualidade. “Mantenho ainda o grande desejo de ver a evolução da qualidade desse extraordinário café. Em conilon ainda temos tudo a aprender. Como introdutor, minha grande responsabilidade é acompanhar, especialmente, a revolução tecnológica”, conta. 
Não existe mais a briga de que um café está sacrificando o outro. Cada um fica com o talhão do que o mercado distribui. O café no Espírito Santo é essencial como distribuidor de renda. Não há emprego que partilhe renda como a cafeicultura.
Quando indagado sobre qual o grande desafio para o agronegócio café no Espírito Santo, Dario Martinelli é categórico: “chegarmos à totalidade dos cafés de muito boa qualidade. Esse é o grande motivo da dedicação e de toda cadeia cafeeira de capixaba”.


Reportagem publicada na 41ª edição (Dez/Jan 2013) da revista ProCampo
por yara Maia
assessoria de Comunicação Cetcaf
3 Comunicação Inteligente
iara.maia@3inteligente.com.br


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