Revista ProCampo - Uma Leitura Produtiva

 

 
de 2017.   51ª Edição (Agosto/Setembro)  
Publicidade

Anuncie Aqui!

Notícias

 

18.03.2013 - 09:46

Nutrição e fertilização de orquídeas - Parte 2

A fertilização das orquídeas tem gerado grande preocupação em seu cultivo, visto que essa tem sido feita de forma empírica pelos colecionadores e, também, pelos produtores, já que existem poucas informações a respeito da demanda nutricional dessas plantas e que a maioria dos fertilizantes existentes no mercado não foi desenvolvida especificamente para as orquídeas. Esse fator torna-se mais preocupante quando se considera as possíveis diferenças das demandas nutricionais entre os distintos grupos de planta dentro da família Orchidaceae.
Como a maioria dos substratos utilizados no cultivo de orquídeas é pobre em nutrientes e, portanto, ineficientes em suprir-las com tais nutrientes, faz-se necessário a utilização de uma ou mais fontes de nutrientes – os fertilizantes – para suprir a demanda nutricional da orquídea. Essas fontes podem ser caracterizadas como orgânica, mineral ou organomineral.
Dentre as fontes orgânicas, a torta de mamona (rica em N) e a farinha de ossos (rica em P, Ca e micronutrientes) são as mais utilizadas na fertilização de orquídeas. A utilização da mistura dessas duas fontes mais cinzas de palha de café tem levado a bons resultados no crescimento de orquídeas (Rodrigues, 2005). A liberação dos nutrientes nesses fertilizantes é gradual e ocorre durante sua decomposição, nesse processo o pH do substrato é alterado podendo indisponibilizar alguns nutrientes. Além disso, a utilização de fontes orgânicas acelera a decomposição dos substratos de origem orgânica (ex.: xaxim, fibra de coco e casca de pinus).


Atualmente, existem no mercado diversas formulações (N-P-K) e marcas de fertilizantes minerais sendo utilizados no cultivo de orquídeas como, por exemplo: 10-30-20, 20-20-20, 30-10-10 entre outros da Peters®; 13-13-13, 15-8-11, 18-6-12 entre outros da Osmocote® (fertilizantes de liberação controlada); 8-11-7 + Ca, Mg, S e micronutrientes (B&G Orchidées Multinutrientes®) e o B&G Orchidées Micronutrientes® da B&G Flores®, entre outros. Esses são os fertilizantes mais comuns no cultivo e produção de orquídeas, no entanto, a maioria dessas e outras formulações não foram desenvolvidas especificamente para orquídeas, mas adaptadas de outras culturas as quais possuem características de cultivo e demandas nutricionais completamente diferentes das orquídeas.
Para o grupo catléia, a recomendação de fertilização utilizando-se fontes minerais, encontrada em alguns textos técnicos sobre o tema, é a aplicação semanal ou quinzenal de uma solução nutritiva preparada com fertilizante comercial solúvel de formulação (N-P-K) como: 20-20-20, para as fases de crescimento vegetativo de plantas adultas; 30-10-10, para as mudas em estádio juvenil e 10-30-20, para a época que antecede a floração (2 meses antes) (Paula & Silva, 2001; Watanabe et al., 2002; Rosa et al., 2009). Independente de qual a formulação, a concentração do fertilizante recomendada, por esses autores, é de 1 g L-1; no entanto, não se fala a respeito do volume, dessa solução, que deve ser aplicada por vaso ou planta. Essa recomendação é embasada na experiência de alguns orquidófilos, mas sem fundamentação teórica.


 Os tecidos das orquídeas requerem teores dos nutrientes em proporções que favoreça o perfeito funcionamento do metabolismo vegetal. Para que exista este equilíbrio entre os teores dos nutrientes nos tecidos da orquídea é necessário um suprimento equilibrado e doses corretas dos nutrientes (mais informações podem ser consultadas no trabalho de Santos et al. (2009)). Então, para se estabelecer um suprimento adequado é necessário conhecer a demanda nutricional da orquídea (Quadro 1). O Ca é um dos nutrientes mais importante para as orquídeas pois é um dos mais requeridos (Quadro 1), no entanto, ele não está presente na maioria dos fertilizantes utilizados nesse cultivo e seu uso tem sido negligenciado gerando redução no crescimento das planta e morte dos brotos (Figura 1). Dessa maneira, para que haja um bom crescimento das orquídeas ao se utilizar tais formulações, faz se necessário a complementação da adubação com nitrato de cálcio (Ca(NO3)2), ou com um formulado que contenha Ca (ex.: 15-05-15 Excel da Peters®), ou com fertilizantes orgânicos (ex.: farinha de osso). O uso de (Ca(NO3)2) dever ser intercalado com o outro formulado, usando-se 4 g/semana de (Ca(NO3)2) para cada 100 plantas adultas.
 O fertilizante B&G Orchidées® foi desenvolvido especificamente para orquídeas e durante seu desenvolvimento foram consideradas as demandas nutricionais médias de orquídeas de diversos gêneros e espécies e as taxas de utilização de cada nutriente pelas plantas, por isso, quando comparado às formulações 20-20-20 e 10-30-20 de um dos fertilizantes mais comuns no cultivo de orquídeas, o fertilizante B&G Orchidées® possui uma formulação muito mais equilibrada (melhor proporção entre os nutrientes), além de conter todos os 14 nutrientes.
Considerando os teores e a produção de matéria seca anual de diversas espécies de orquídeas comumente encontradas nos orquidários dos colecionadores brasileiros e com base em um fertilizante formulado com 8% de N (08-XX-YY), recomenda-se a aplicação de 10, 5 e 1 g/semana para cada 100 plantas adultas, seedlings grande e seedlings pequenos, respectivamente. Uma forma de realizar essa aplicação é preparar uma solução contendo 4 g desse fertilizante em 1 L de água e aplicar 25 ml dessa solução em cada vaso. Segundo essa recomendação, a quantidade necessária desse fertilizante para o cultivo de 100 plantas durante um ano seria de, aproximadamente, 525 g de fertilizante.
Outra opção para a fertilização das orquídeas é utilizar uma combinação de fontes simples de fertilizantes para suprir a demanda nutricional das orquídeas. Para que isso seja feito o orquidófilo deverá procurar a ajuda de um engenheiro agrônomo ou florestal para auxiliá-lo a combinar as fontes simples de fertilizantes, de modo que a proporção entre esses fertilizantes gerem uma proporção de nutrientes compatível com a exigida pelas orquídeas (Quadro 1).


Artigo publicado na 42ª edição (Fev/Mar 2013) da revista ProCampo
por André Ferreira Santos
engenheiro agrônomo - Incaper - Conceição do Castelo (ES)
andre.santos@incaper.es.gov.br
 


Edições Anteriores

23.09.2014 - 12 de outubro. Dia do Engenheiro Agrônomo

23.09.2014 - O mosaico do mamoeiro e o mamão de quintal

23.09.2014 - Parasitos: Importantes vilões da produção pecuária

23.09.2014 - Três cultivares de café conilon são protegidas pelo Incaper

23.09.2014 - A certificação fairtrade no café


 voltar  |  topo  |  home

Publicidade

 

Anuncie Aqui!

Anuncie Aqui!

Anuncie Aqui!

Anuncie Aqui!

 

Parceiros

 
  • Cedagro
  • Defagro
  • Midas
  • Cooabriel
  • Incaper
  • Seea
  • Senar
  • CCA-Ufes

Revista ProCampo - A Revista do Agronegócio Capixaba

Endereço: Rua Vinte e Dois de Abril, 09 - B.N.H. - Linhares/ES - 29902-180

Telefone: (27) 3373-3424 // 9984-5808

Email: procampo@revistaprocampo.com.br

"Criando sua empresa na internet"