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18.03.2013 - 11:06

Fábrica de Pios - Há 110 anos se reinventando

A convite do, então Presidente do Espírito Santo, Florentino Avidos, Maurílio Coelho foi trabalhar na companhia “Força e Luz”, uma pequena hidroelétrica que mais tarde, batizaria a “Ilha da Esperança” em “IIha da Luz”, e daria a Cachoeiro de Itapemirim, o título de primeira cidade do Espírito Santo a produzir energia elétrica. Em meio às negociações Maurílio, que era um exímio torneador, foi contemplado pela prefeitura municipal para instalar uma pequena fábrica, que também beneficiava  milho, produzindo fubá e a famosa “Fubaína Coelho”. No início, o maquinário era tocado a água e, mais tarde, foi substituído pelos motores elétricos.
Em 1903, numa bucólica ilha que divide o leito do rio Itapemirim, a 1,5 km do centro da cidade de Cachoeiro, foi fundada a Fábrica de Pios. Devido à peculiaridade dos pios, a empresa, bem como a figura de seu fundador, logo se tornaram internacionalmente conhecidas. A Fábrica de Pios é, também,uma das mais antigas empresas do Estado e em 2013 completará110 anos de existência. Por ironia do destino, muitos cachoeirenses ainda não conhecem este patrimônio cultural. Isto seria algo comparado a um cidadão de Presidente Kennedy, desconhecer que a cidade tem as maiores jazidas de ouro negro (em mar e terra) do Brasil, ou mesmo um cachoeirense não saber da existência de Rubem Braga ou Roberto Carlos.
Não se pode falar da Fábrica de Pios sem antes mencionar a figura de seu fundador. Maurílio Coelho, após um breve contato com índios Purís, que faziam rudimentares pios de taquara para caçar, inventou mais de 40 tipos de novos pios que reproduzem fielmente o som de diversas aves da fauna Brasileira, facilmente adaptáveis a animais/aves de outros países. Mesmo que, de certa forma, questionado pelos padrões atuais, Maurílio Coelho era um perfeccionista e amante da natureza, pois além de respeitar as legislações vigentes, não compactuava com grupos de caçadores que não respeitavam o ciclo reprodutivo e a recomposição natural das espécies, tornando o esporte, uma atividade predatória.
Os patrimônios material e imaterial da empresa, que consistem no processo centenário da fabricação dos pios e no acervo de objetos históricos e pios antigos (brasileiro e de outros países), são guardados com sete chaves pelos familiares e antigos colaboradores da empresa. Todavia, conforme o depoimento de Fábio Coelho, músico, artesão, professor e atual administrador da empresa há cerca de 5 anos, há tempos os pios vêm sendo clonados por empresas brasileiras e até de outros países, eisto tem sido uma seria ameaça à empresa, que sempre contribuiu com a cultura nas esferas municipal, estadual e federal. A Fábrica de Pios, mesmo sendo uma empresa privada, é reconhecida como patrimônio histórico municipal e faz parte do cadastro de museus nacional.
Mesmo diante das adversidades, a Fábrica de Pios se mantém produtiva e, apesar de necessitar urgentemente de reformas, ainda assim consegue encantar os turistas com sua diversidade de produtos, embora, infelizmente, levam uma imagem de descaso do poder público em relação aos investimentos necessários à preservação de tão grandioso patrimônio cultural.
Com competência, eficiência e, sobretudo com a dedicação incansável de seus gestores e colaboradores, a empresa vem adotando soluções ecológicas na produção das coleções de pios que produz, desde que Gustavo Coelho, biólogo e atual Secretário Municipal do Meio Ambiente, irmão e antecessor de Fábio Coelho (ambos bisnetos de Maurílio), administrou a empresa.

Sonoridade dos pios

Atualmente a Fábrica Pios produz pios de Lyptus, Ipê e Jacarandá em sua linha de produção principal, todas as madeiras são legalizadas junto aos órgãos ambientais. Exceto o Lyptus, que é de reflorestamento, o Ipê e o Jacarandá são madeiras de refugo que há tempos são adotadas pela empresa. Conforme Fábio Coelho, a madeira e a mão de obra especializada fazem a diferença na sonoridade dos pios, por isso, estes instrumentos são procurados por admiradores do artesanato, músicos, colecionadores, contadores de história, psicólogos, empresas que comercializam brindes e crianças etc. “O diferencial dos nossos produtos não está apenas na qualidade e beleza, mas principalmente, num novo olhar ecológico para as novas gerações”, diz.
Licenciado em Letras/Inglês no Centro Universitário São Camilo, Fábio Coelho teve a oportunidade de trabalhar com sócio educandos no IASES e, desde que assumiu a cadeira de professor DT no instituto em 2012, percebeu que poderia contribuir com a sociedade oferecendo treinamento para os socioeducandos na empresa. Como a empresa é sediada próxima à SEMDES - Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social, foi formalizada a parceria em 2012, na qual a empresa passou a receber jovens que cumprem medidas sócio educativas. Desta forma, a Fábrica de Pios passa a agregar o valor social em cada instrumento que produz.
Antes de voltar para sua cidade natal, Fábio Coelho residiu cerca de 15 anos Rio de Janeiro, onde atuou no cenário musical como músico e produtor, e em 2011 lançou seu primeiro álbum solo: O CD “Cheiro de Chuva”. A obra foi patrocinada pela lei Rubem Braga e traz uma orquestração com os pios na primeira faixa, que levou o nome de “Promessa”. Fábio frequentemente recebe solicitações para criar pios de outras aves, e este, conforme ele, é um de seus objetivos para 2013, além de buscar verba junto ao poder público para a restauração do casario histórico.  
Requisitado para workshops em escolas, feiras e empresas, em suas apresentações, Fábio Coelho fala sobre a avifauna brasileira, contando alguns “causos”. Em outros momentos, menciona a aplicação dos pios na música, a importância da interação do ser humano com a natureza e o verde. São frequentes as analogias sobre os hábitos e saberes dos antigos em relação à vida contemporânea, usando a dialética como ferramenta construtora de um mundo mais equilibrado. Em escolas, questionamentos sobre as transformações filosóficas da humanidade, bem como as atitudes que influirão em nosso futuro são frequentemente abordadas.
Questões que usamos para ilustrar nossas palestras:
- “Quem salvou a chapeuzinho vermelho das garras do lobo?”
- “Será que o caçador é mesmo um vilão da natureza?”
- “Qual é a diferença básica entre a caça esportiva e a caça predatória?”
- “Como os biólogos ou mesmo os jovens podem utilizar os pios para contribuir com a preservação da natureza?”
- “Quais são os frequentes motivos do falecimento das aves na natureza?”
- “Por que não potencializamos a criação de outras aves em cativeiro?”
- “Por que uma espécie chega ao cúmulo da extinção?”
- “Qual é a sua atitude diante de um animal silvestre preso?”.


Matéria publicada na 42ª edição (Fev/Mar 2013) da revista ProCampo
da redação
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