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13.05.2013 - 14:56

Cuidado com nematóides: mudas sadias e manejo do solo

Os nematóides são vermes que normalmente atuam no sistema radicular das plantas, destruindo as raízes e injetando toxinas. Algumas espécies causam deformações nas raízes conhecidas como galhas, semelhantes a tumores (Figura 1). A maior dificuldade encontrada no controle desta doença é que o agricultor não observa os sintomasda doença no seu início. O sinal de alerta só é visualizado quando as plantas apresentam redução de crescimento, amarelecimento foliar, não respondem à adubação química, murcham com maior frequência e acabam morrendo (Figura 2). Nesta fase, o nematoide encontra-se disseminado na lavoura e a recuperação da área é comprometida pois, além de ter uma elevada taxa de reprodução, estes patógenos podem sobreviver em diferentes culturas como tomate, feijão e em plantas daninhas.

 

As doenças causadas pelos nematoides limitam a produção em culturas como tomate, cana-de-açúcar, goiaba, pimenta-do-reino e quiabo. Na cultura do café arábicasob condições favoráveis de solo arenoso, com baixo teor de matéria orgânica e desequilíbrio nutricional os nematoides podem comprometer a lavoura. O café conilon tem tolerância às principais espécies, contudo deve-se ter o cuidado para não introduzi-las nas lavouras novas. Esta preocupação está presente na instrução normativa número 35 do Ministério da Agricultura, que regulamenta a produção e comercialização de mudas de café. Segundo esta instrução normativa, as mudas de café devem ser amostradas para verificar a existência de nematoides do gênero Meloidogyne, causador de galhas nas raízes.

Resultados
 
Resultados obtidos após a avaliação de 147 propriedades rurais nos municípios de São Mateus, Governador Lindenberg, Nova Venécia, Vila Pavão e Jaguaré mostram que apenas 25% dos agricultores fazem avaliação de nematoides em mudas de café e pimenta-do-reino. Os indicadores reduzem para apenas 12%, quando é considera a avaliação do solo antes e durante o plantio de espécies suscetíveis aos nematoides. Estes dados fazem parte do projeto AgroMais, uma parceria entre a Associação Nacional de Defesa Vegetal (ANDEF) e o curso de agronomia da UFES em São Mateus. Em 2003, foi feito levantamento de nematoides formadores de galha em goiaba no Polo de Goiaba e identificada a espécie Meloidogyne enterolobii (antigo M. mayaguensis), principal fator limitante na produção da espécie no Vale do São Francisco. Em trabalho recente, publicado no Congresso Brasileiro de Fitopatologia em 2012, mostramos que nematoides dos gêneros Meloidogyne spp e Tylenchulus semipenetrans estão presente também na cultura da pimenta-do-reino. Além dos danos diretamente causados pelos nematoides, a interação com o fungo causador da fusariose pode acelerar a morte das plantas.
Caso a preocupação com os nematoides não faça parte da rotina dos cuidados fitossanitários das lavouras, a médio e longo prazo, este problema pode atingir dimensões para as quais não haverá mais possibilidades de controle econômico por parte dos agricultores.É importante que as mudas de café, fruteiras e plantas condimentares sejam isentas de nematoides. Nas lavouras implantadas é necessária a realização de coletas anuais de solo para detectar a presença deste patógeno. Caso detectado na lavoura, medidas de manejo devem ser recomendadas pelos responsáveis técnicos, garantindo assim, que a doença se mantenha sob controle. Para conviver com a doença em uma lavoura infestada é necessário reduzir o trânsito de máquina e equipamentos, adição de matéria orgânica no solo, cuidar do equilíbrio nutricional do solo, plantio de espécies antagonistas como Crotalaria spectabilis e mucuna preta e o controle de plantas daninhas hospedeiras. O plantio de material resistente, quando existente, é fundamental. Existe também a possibilidade de utilizar produtos químicos convencionais e o controle biológico. Diante da complexidade do manejo desta doença, o acompanhamento da lavoura por um engenheiro agrônomo é determinante.

Artigo publicado na 43ª edição (Abr/Mai 2013) da revista ProCampo
por Marcelo Barreto da Silva
Eng. Agrônomo - Doutor em Fitopatologia
Professor da Ufes/Ceunes - campus de São Mateus (ES)
marcelobarretodasilva@gmail.com
É proibida a reprodução total ou parcial sem autorização expressa dos editores ou do autor.


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