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16.07.2013 - 15:14

Haras Cambucy: campolina no Espírito Santo

É na Fazenda Bela Vista, em Água Doce do Norte (ES), que o Dr. Délcio se dedica à pecuária de leite e, principalmente, à sua paixão, os animais da raça Campolina, que constituem o rebanho do Haras Cambucy, hoje com cerca de 50 cabeças

“Cavalo altivo, de formas harmoniosas, traços curvilíneos e uma estrutura óssea e muscular que favorece o andamento marchado, sua função por excelência. Traz em seu sangue a nobreza do Andaluz, que nos idos de 1.870 participou na formação do Campolina, uma raça genuinamente brasileira. Cavalo de grande porte, tipo sela, cuja caracterização racial baseia-se na borda superior do pescoço rodada, cabeça de forma trapezoidal, chanfro ligeiramente convexilíneo, conjunto de orelhas proporcional ao comprimento da cabeça, lanceoladas, com boa implantação e direcionamento conferindo rara beleza ao animal. Toda esta harmonia é coberta por pelagens variadas, predominando a baia, embora o mercado atual valorize muito os pampas e pretos, uma característica da tropa Cambucy”. É assim que o Dr. Délcio define a raça de eqüinos que escolheu selecionar a 32 anos atrás.
Antônio Délcio Fulgêncio da Cunha é natural de Araçuaí (MG) onde cresceu e viveu até seguir rumo à capital, onde empreendeu seus estudos de medicina. Nos primeiros anos no exercício de sua profissão, conheceu a médica Dra. Heloísa, constituindo uma bela família com duas filhas, um filho, hoje complementada por genros, nora e duas netas. É Dra. Heloísa quem se esmera ao receber e encher de mimos os amigos e clientes de Dr. Délcio que chegam para compartilhar da paixão pelo cavalo campolina.
Ainda no Vale do Jequitinhonha Dr. Délcio conheceu a raça Campolina, que logo o encantou, junto a seu parente Cel. Epaminondas Cunha Melo. Este, grande criador residente no município de Jequitinhonha (MG) chegou selecionar tropa de renome nacional, sufixo Campo Novo. Marcaram seu rebanho vários animais com importantes premiações e contou com garanhões raçadores de destaque na década de 60, merecendo ser ressaltado Peri-Peri Jaguari, um dos fundadores da linhagem Campo Novo.
Com as idas e vindas, Dr. Délcio fixou residência em Mantena – MG, bem na divisa com o Espírito Santo, onde construiu a Casa de Saúde Santo Antônio, passando dedicar-se a seus pacientes, juntamente com Dra. Heloísa, companheira também na profissão. A paixão pelo Campolina e o amor às coisas da roça o impulsionaram adquirir uma propriedade rural em Água Doce do Norte – ES. É na Fazenda Bela Vista que o doutor se dedica à pecuária de leite e principalmente sua paixão, os animais da raça Campolina, que constituem o rebanho do Haras Cambucy, hoje com cerca de 50 cabeças.

Início

“Quando resolvi começar criar cavalos, no início dos anos 80 fui beber nas águas da Fazenda Campo Novo, as margens do Rio Jequitinhonha. Era uma tropa que conhecia bem. Estava no auge, conquistando campeonatos nacionais. A produção do Gás Baluarte nas filhas do Peri-Peri Jaguari ganhava o reconhecimento dos demais criadores. Comprei as éguas Oxalá, Bahia, Garça, Gema, entre outras, todas Campo Novo, que vieram cobertas por Gás Baluarte. Além destas também comprei algumas para registro em Livro Aberto (LA) o que ainda era permitido àquela época.  Foi assim que comecei a tropa Cambucy”, relembra Dr. Délcio, puxando da memória a emoção que o tempo permite.
Com intenção de focar a seleção, o primeiro garanhão que serviu no Haras foi Embalo do Campo Novo. Nesta mesma época, a raça experimentava grande expansão na região de Governador Valadares – MG, aonde em 1983 foi realizada a única Exposição Nacional do Campolina que aconteceu fora do Parque da Gameleira em Belo Horizonte. De criatório desta cidade o doutor trouxe para o Espírito Santo o garanhão Kadu do Porto Alegre, responsável pela produção dos primeiros animais premiados no Haras. Merece destaque desta safra a égua Gaivota do Cambucy, uma filha do Kadu em Agatha do Cambucy que ia a Gema do Campo Novo com Gás Baluarte. “Gaivota foi uma de minhas grandes alegrias. Marcou época. Muito premiada por todas as exposições por onde andei, tanto na morfologia quando no andamento. Eram nos concursos de marcha que Gaivota mais se destacava muito elogiada pelos juízes em função de sua marcha dissociada, equilibrada e de comodidade ímpar, cheia de vigor. Sempre fiz questão de apresentá-la pessoalmente, eu mesmo montando. Foi também minha matriz ventre de ouro”, emenda Dr. Délcio.

Prêmio em raça e marcha

No final da década de 90 chega para padreador o garanhão Ringo do Porto Alegre, trazendo ao Haras a contribuição do sangue do octa-campeão nacional progênie de pai Desacato da Maravilha. Com visão afiada para o que acontecia na raça neste período, Dr. Délcio foi buscar a genética de outro reprodutor que se destacava: OP de Santa Rita. Fez parceria para utilizar em algumas de suas éguas o garanhão TTZ de Santa Rita (filho de OP). Foi do cruzamento do TTZ com Gaivota que nasceu Qualidade do Cambucy. “O sonho de todo criador é chegar à produção de um macho de exceção, que reúne qualidades suficientes para contribuir na reprodução do haras, usando seu sufixo. Consegui esse tento em 2002 cruzando Qualidade com Geodo do Oratório, mais conhecido como o cavalo 100%, de onde nasceu Tornado do Cambucy”. Dr. Délcio complementa que foi da repetição deste cruzamento de Gaivota com TTZ que nasceu a égua Tainá do Cambucy, muito premiada em raça e marcha, o que contribuiu para que viesse a ser um dos animais da criação negociado por valor expressivo.
“Hoje vivemos uma nova fase na criação. Adquiri Vulto JHR, um garanhão excepcional de marcha, campeão nacional em 2009, cujo sangue lastreia-se no expoente marchador Iluminado de Alfenas. Além de imprimir muito andamento em sua prole, Vulto promove um refinamento racial que muito agrada. Com o nascimento de seus primeiros produtos aqui em casa, aguardo com ansiedade os resultados que poderemos colher com a apresentação em pista de seus filhos e filhas, sendo grande a confiança”.
Com muito entusiasmo Dr. Délcio apresentou um conjunto de 9 potras de pelagem preta e pampa, filhas de Quintão da Água Santa, outro campeão nacional. “Chegaram esta semana aqui no haras, vieram de Barbacena - MG. É nosso mais novo investimento. Com elas espero repetir no pampa a qualidade alcançada na produção de animais de pelagem sólida. Embora tenha outros animais pampas, estas vieram para reforçar o time. Estou pensando no cliente, tenho que oferecer diferentes alternativas, pois cada um tem seu gosto particular”.
Nesta manhã chuvosa com o agradável cheiro de terra molhada rescendendo, compartilhamos da visita do Dr. Múcio Botelho, técnico de registro da Associação Brasileira dos criadores do Cavalo Campolina – ABCCC, ao Haras Cambucy, importante celeiro e referência do Campolina no Estado do Espírito Santo. Vale a pena uma visita, para conhecer de perto o grande marchador brasileiro, que encanta por sua beleza plástica e comodidade no andar, sem contar no prazer que é compartilhar da companhia de Dr. Délcio, Dra. Heloísa, Cazinho e Uarlei, estes responsáveis pelo manejo da tropa.


Artigo publicado na 44ª edição (Jun/Jul 2013) da revista ProCampo
por José Luiz Côrtes Gama
Méd. Veterinário - Esp. em Adm. e Gestão da empresa Rural
Cons. em saneamento e criador de Campolina
jluizcortes@yahoo.com.br
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