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04.09.2013 - 15:29

Café coado com qualidade

De acordo com pesquisas realizadas pela ABIC (Associação Brasileira da Indústria do Café), em 2012 foram consumidos 4,98 kg de café torrado por pessoa no Brasil, que equivalem a 83 litros por pessoa por ano. Este dado representa uma alta de 3% em relação a 2011, mesma taxa de crescimento esperada no ano de 2013. O consumo individual de café do brasileiro ultrapassou o dos italianos, norte-americanos e franceses, e esse aumento tem relação com o aumento do poder de compra das classes C, D e E e aumento da renda e do consumo de café nas regiões Nordeste e Centro-Oeste.

O café é uma bebida consumida por mais de 95% da população brasileira, e apesar de ser uma bebida quente, seu consumo não é sazonal: o consumo de café no Brasil é consistente o ano todo. O hábito de tomar café tem origem na infância, fato que tem sido retomado nas atuais gerações pelo incentivo ao consumo da bebida pelas suas propriedades positivas com relação à concentração e disposição para o trabalho e outras atividades. Além disso, é uma bebida socializante, o que significa que seu consumo está associado à melhora do humor, ao prazer e à pausa para a descontração, a conversa e a reunião de pessoas.

Além de tomar mais café, o brasileiro também tem gradativamente consumido cafés melhores. Estudos demonstram aumento no consumo de cafés gourmet, de regiões certificadas e características específicas de agregação de valor, como descafeinado e orgânico. Quando se fala em café de qualidade, é comum para a maioria dos consumidores associá-lo ao café que é consumido fora de casa, em cafeterias ou outras lojas especializadas, e principalmente na forma de espresso, cappuccino e outros drinques especiais. No entanto, nem sempre o café utilizado no espresso é de tão boa qualidade assim. Da mesma forma, o café coado em casa pode ser uma experiência única e diferente do que estamos acostumados quando simplesmente passamos pó e água pelo coador direto para a garrafa térmica.

Assim como o café coado no filtro de pano ou de papel é parte consagrada da nossa cultura alimentar brasileira, o café espresso (pode ser com X ou com S, mas essa é outra história) é consagrado pela cultura italiana como o café do dia a dia. Se por aqui achamos sofisticado tomar espresso, lá é coisa mais que comum.
Segundo as pesquisas da ABIC, 96% dos consumidores de café no Brasil preferem o café coado. É um hábito nosso, uma relíquia da nossa cultura, e nada mais estúpido do que esquecer da própria história e cultura e valorizar somente aquilo que vem de fora. O café coado, ou filtrado, é um método de preparo que tem tanto valor quanto o espresso em muitos países do mundo, contanto que seja feito com grãos de qualidade e seu preparo seja feito da forma adequada.

Diversos países são conhecidos por preparar e consumir café filtrado. Nos Estados Unidos, é comum o consumo de grandes volumes de café coado muito diluído e consumido em copos descartáveis “para viagem”, mas também existem outras “coffee makers” que reúnem tecnologia e sofisticação, como a Chemex, cafeteira que data da década de 1940, e a Aeropress, desenvolvida neste século por um inventor de brinquedos e que prepara café filtrado sob pressão, resultando na bebida limpa de um coado com a complexidade de um espresso. Na Alemanha, no século XIX, foi inventada a cafeteira de sifão, também conhecida como Globinho, que utiliza da pressão do vácuo para promover a filtragem do café de um globo ao outro da cafeteira. A França também possui uma cafeteira tradicional, conhecida como French Press ou Cafeteira de Pistão ou Êmbolo. Na cafeteira francesa, é utilizada uma peneira de metal para filtrar o café e servir a bebida. No Japão, foi desenvolvida recentemente uma tecnologia de filtragem pela empresa Hario, com porta-filtros para coar o café e apresentam design diferente do porta-filtro tradicional brasileiro, proporcionando uma filtragem mais uniforme do café. Seja qual for o método de preparo e o país escolhido, o café filtrado pode ser sofisticado e resultar em uma bebida de excelente qualidade tanto quanto o espresso. A diferença é que o café filtrado é uma bebida suave e para ser degustada lentamente.

Algumas dicas simples podem deixar o café coado ainda mais saboroso:

1. Além de café de qualidade, preocupe-se com a qualidade da água. O café é um alimento, e por isso não deve ser preparado com água que você não beberia. Dê preferência a água filtrada ou mineral mais leve, pois minerais como o cloro  o cálcio podem interferir no sabor e aroma do café.

2. Aprenda a utilizar corretamente sua cafeteira. Seja coador de papel, de pano ou qualquer cafeteira que você prefira, leia o manual de instruções e busque dicas com os especialistas de qual a melhor forma de utilizá-las. O coador de pano, por exemplo, deve ser guardado longe de qualquer odor e de preferência imerso em água em recipiente fechado dentro da geladeira, o que aumenta a sua durabilidade. O coador de papel deve ser utilizado apenas uma vez.

3. Escolha a moagem adequada. A indústria brasileira tem o hábito de oferecer somente café moído muito fino para o consumidor. Assim, o café pode render mais, mas seu sabor não será tão agradável. Por isso, se possível opte por moer seu café em casa (existem moinhos caseiros a preços acessíveis) ou adquira café com a moagem adequada à cafeteira que vai utilizar. A cafeteira francesa, por exemplo, precisa de um café com moagem grossa.

4. Utilize a quantidade adequada de café. Para um litro de água, deve ser utilizado em média 65 gramas de pó. Isso pode parecer muito (em torno de 5 colheres de sopa), mas se usar uma moagem não tão fina e preparar somente a quantidade que for tomar (evite desperdício!), verá que no fim das contas, pode ser uma economia.

5.Utilize água na temperatura correta. Ferver ou não a água? Depende. A temperatura ideal da água para o café é em torno de 95 graus, então se você estiver no nível do mar, desligue quando a água começar a soltar bolhinhas menores. Se estiver em altitude maior, espere a água ferver ou o café não ficará tão bom.

6. Somente adoce o café na xícara. O ideal é que você saboreie o café sem açúcar para sentir a doçura natural do grão, mas se prefere adoçar, faça isso na xícara. Adoçar a água antes de coar interfere na extração e colocar café adoçado na garrafa térmica pode gerar uma verdadeira cultura de bactérias, por mais que a garrafa pareça limpa.

7. Coloque a água no café, e não o contrário. O café deve entrar em contato com a água somente no coador. Colocar o pó na água aumenta o tempo de contato, fazendo o café ficar amargo e perder aroma.

Aproveite seu café!

Artigo publicado na 45ª edição (Ago/Set 2013) da revista ProCampo
por Helga Andrade
Barista
helga.barista@gmail.com
É proibida a reprodução total ou parcial sem autorização expressa dos editores ou do autor.


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